ATENÇÃO: escorpiões ficam mais ativos em períodos chuvosos; saiba como prevenir acidentes
O aumento da atividade desses animais exige cuidados redobrados com quintais, ralos, entulhos e baratas. Raimundo Franco, especialista em Saúde Pública, explica os riscos e as medidas de prevenção.
Esses animais existem no planeta há cerca de quatrocentos milhões de anos. O gênero Tityus concentra as principais espécies existentes no Brasil: Tityus serrulatus, conhecido como escorpião-amarelo; Tityus bahiensis, conhecido como escorpião-marrom; e Tityus stigmurus, conhecido como escorpião-amarelo-do-nordeste.
Possuem um poder extraordinário de adaptação e sobrevivência em praticamente qualquer ambiente do planeta: matas, desertos, taigas, savanas, cidades e florestas, com dificuldade de sobreviver somente nos polos Ártico e Antártico, devido às condições e temperaturas extremas desses ecossistemas.
Na região Sul do Brasil, temos a predominância absoluta do Tityus serrulatus — escorpião-amarelo —, o qual, ao longo do espaço e do tempo, tem se multiplicado de forma exponencial, em virtude de se reproduzir por partenogênese, não necessitando de macho e fêmea para sua proliferação.
Vivem, em média, cinco anos e, duas vezes por ano, realizam sua proliferação, reproduzindo, em média, 20 filhotes por animal.
Esse gênero Tityus é responsável pela maioria dos acidentes com escorpiões em nossa região. Em especial, o escorpião-amarelo — Tityus serrulatus — possui uma peçonha poderosa e tem potencial para causar acidentes graves em crianças e idosos, que, nos casos de maior gravidade, podem ser fatais.
Vários fatores irão contribuir para a gravidade ou não do acidente: peso corporal, local da picada, quantidade de veneno inoculada, reação do organismo, atendimento adequado, entre outros.
Em caso de acidentes, lavar o local da picada com água tratada em abundância, não movimentar demais a vítima e buscar atendimento médico com brevidade.
Nos acidentes considerados moderados ou graves, a vítima irá apresentar dor no membro acometido, sudorese, náuseas, vômitos, agitação, taquicardia e alterações na pressão arterial. Sendo necessário o acompanhamento da equipe médica e a avaliação correta para aplicação ou não do soro antiescorpiônico, na maioria dos acidentes não se faz necessária a sua utilização.
Nas grandes cidades, esses animais encontraram terreno fértil para sua sobrevivência e proliferação, com acesso a abrigo, água e alimento em abundância.
Alimentam-se de pequenos insetos, como baratas, grilos, gafanhotos, entre outros, e possuem hábitos noturnos de caça e alimentação. Nos meses de setembro e outubro, em virtude do aumento das chuvas e do período de reprodução desses animais, eles ficam mais ativos e, portanto, elevam os riscos de acidentes.
Importante destacar que não se deve usar agroquímicos tóxicos para controlar ou combater esses animais, que possuem um sensor chamado paleta sensorial, com potencial para detectar elementos físicos e químicos no ambiente. Isso pode ocasionar agitação: o veneno acaba estressando e desalojando os animais, aumentando o risco de acidentes nas residências, em virtude de tentarem se abrigar nelas.
O controle deve ser feito por meio do mapeamento e monitoramento das espécies existentes nas localidades, da identificação das áreas de maior risco e da incidência desses animais, além da realização de manejo ambiental, com limpeza e retirada de telhas, tijolos, madeiras, entulhos, mato alto, lixo etc., que servem de abrigo aos escorpiões e atraem outras espécies de insetos.
É importante realizar o controle e o combate às baratas, que são o alimento predileto desses animais, além de limpar caixas de gordura, fossas sépticas, ralos e grelhas, realizando a vedação adequada desses locais.
Quanto mais limpo e adequado o meio ambiente, menor o risco de animais peçonhentos na localidade. É dever de todos manter os quintais limpos, com mato e grama cortados rotineiramente, bem como realizar a limpeza das fossas e caixas de gordura.
As alterações ambientais têm mudado o comportamento da maioria dos animais peçonhentos, deixando-os mais próximos da população.

Raimundo Franco
Especialista em Saúde Pública
Mestre em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável



