FMI projeta redução do PIB brasileiro para 2,2% em 2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou o documento Perspectivas da Economia Mundial, na segunda-feira (12), apontando para um cenário de incertezas geopolíticas. No caso do Brasil, o impacto fez com que a previsão anunciada no mês de julho, de 2,4%, passasse para 2,2%. Já para 2027, a estimativa mudou de 2,2% para 1,9%.
Segundo análise feita pela Agência Brasil no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica, divulgação bimestral do órgão do Ministério da Fazenda, a "guerra no Oriente Médio transformou a energia em um choque inflacionário global, com o petróleo Brent cerca de 45% acima do nível pré-guerra. Os custos mais elevados de combustível e energia estão pressionando famílias e empresas, enquanto os temores de inflação persistente ajudaram a elevar os custos globais de financiamento a níveis não vistos em várias décadas", explica.
De acordo com o relatório do FMI, uma maior escalada dos conflitos, uma reavaliação das expectativas em torno da Inteligência Artificial, a renovação de tensões comerciais e as vulnerabilidades fiscais podem enfraquecer o crescimento mundial. Mas, por outro lado, um "impulso mais forte nos investimentos" pode fortalecer o crescimento.
Para Davi Cordeiro, conselheiro da Solare Invest, empresa de investimentos do setor de energia solar, "é exatamente nesse cenário de volatilidade que a transição energética ganha um papel estratégico". Para ele, o setor passa a ser visto não só como fornecedor de energia elétrica, mas também como uma alternativa de investimento com usinas solares por trás.
Davi explica que, para fugir das altas nos preços de energia, a energia solar tem ganhado importância, já que consumidores e empresários reduzem a conta de luz por meio das usinas solares. Essa demanda abre espaço para quem quer investir no setor, com rendimentos atrelados à venda da energia gerada.
Como o FMI estima o cenário global para o próximo ano
Com base nos dados divulgados pelo FMI no World Economic Outlook, em 2027, o crescimento econômico mundial apresenta uma recuperação, passando de 3,1% em 2026 para 3,4%. Esse impulso é liderado principalmente pelos países emergentes e economias em desenvolvimento, que avançam para 4,4%, com destaque para a Índia (7,0%) e para a forte recuperação no Oriente Médio e na Arábia Saudita (7,9%). Por outro lado, as economias avançadas desaceleram ligeiramente para 1,8%, enquanto a China mantém uma trajetória de desaceleração estrutural contínua, atingindo 4,0% em 2027.
Na América Latina, a região registra uma ligeira melhoria ao atingir 2,5% de crescimento, impulsionada por economias como a do México, que acelera para 1,8%. Contudo, no caminho oposto dessa recuperação global e regional, a projeção do PIB brasileiro volta a desacelerar para 1,9% em 2027, refletindo o impacto prolongado das condições monetárias restritivas com juros elevados e da contenção fiscal.
Segundo o conselheiro da Solare Invest, as estimativas para o ano de 2027 reforçam ainda mais a necessidade de olhar com cautela para o mundo dos investimentos e as possíveis oscilações que possam acontecer. Ele avalia um cenário positivo para investidores no ramo de energia solar, um dos setores de energia renovável que mais crescem no Brasil e no mundo.



