Só em Cambé? Caso das câmeras em banheiros levanta dúvidas sobre outros colégios cívico-militares no Paraná
Equipamento foi encontrado por uma aluna em Cambé. Colégio confirmou a instalação de câmeras, mas negou que elas registrassem imagens do interior das cabines. Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso.
A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) apreendeu uma câmera encontrada no banheiro do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, no Norte do Paraná. O equipamento havia sido retirado do local e guardado por uma estudante. Nesta quarta-feira (21), policiais e representantes da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) realizaram uma vistoria na instituição.
Segundo informações divulgadas pelo g1 e pela RPC, afiliada da TV Globo, os policiais também procuravam outra câmera e o equipamento responsável pelo armazenamento das imagens. Entretanto, até a divulgação da reportagem, não havia confirmação de que esses dispositivos tivessem sido encontrados.
A Polícia Civil instaurou um inquérito e realiza diligências para esclarecer as circunstâncias da instalação e utilização dos equipamentos.
Estudantes acreditavam que equipamento era sensor de fumaça
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelas estudantes, o equipamento estava instalado no banheiro havia aproximadamente três anos.
As alunas relataram que a direção do colégio havia informado, anteriormente, que o dispositivo era um sensor de fumaça utilizado para impedir que estudantes fumassem no ambiente.
A descoberta provocou preocupação entre os alunos, principalmente depois que outro estudante fotografou o sistema de monitoramento da escola.
As imagens registradas por ele mostravam o que era captado pelas câmeras, incluindo cabines e espelhos dos banheiros. O sistema também apresentava imagens do banheiro masculino.
Segundo a reportagem, as câmeras instaladas em outros ambientes da instituição possuem formato diferente e ficam visíveis.
Aluna afirma que já trocou de roupa no banheiro
Em entrevista à RPC, a estudante Alessa Gabriele relatou que os responsáveis pelos alunos não haviam assinado qualquer autorização para a captação de imagens nos sanitários.
Ela também manifestou preocupação com a possibilidade de pessoas terem acompanhado imagens de momentos íntimos dos estudantes.
“Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo. Eu mesma já troquei de roupa diversas vezes no banheiro. Para a gente, é assustador porque eram homens que viam as câmeras, estavam na sala dos militares”, declarou Alessa.
O relato levanta questionamentos sobre a privacidade dos estudantes e sobre quem poderia ter acesso às imagens captadas pelo sistema.
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Até o momento, as informações divulgadas não permitem estabelecer quem efetivamente visualizou ou armazenou eventuais imagens íntimas.
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Colégio confirma instalação de câmeras, mas nega filmagem dentro das cabines
Em comunicado encaminhado aos pais e responsáveis, a direção do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo confirmou a existência dos equipamentos de monitoramento nos banheiros masculino e feminino.
A instituição, porém, afirmou que as câmeras estavam direcionadas às portas de entrada e não registravam os espaços utilizados para as necessidades fisiológicas dos estudantes.
Segundo a direção, o objetivo era acompanhar a circulação de pessoas e contribuir para a segurança escolar.
O colégio também informou que um estudante teria entrado sem autorização na sala dos monitores militares e acessado o computador utilizado pela equipe de vigilância.
Ainda conforme o comunicado, houve retirada forçada de câmeras instaladas nos acessos aos banheiros, situação classificada pela instituição como vandalismo.
A direção afirmou que pretende apurar as circunstâncias do acesso ao sistema e da divulgação das imagens, além de adotar as medidas administrativas cabíveis.
Secretaria de Educação diz que câmeras são proibidas em banheiros
A Secretaria de Estado da Educação do Paraná informou que a instalação de câmeras em locais que comprometam a intimidade e a privacidade dos estudantes não é permitida nas escolas estaduais.
A pasta citou a Resolução nº 5.206/2026, que proíbe a instalação e utilização de câmeras em banheiros e vestiários, inclusive equipamentos posicionados externamente que permitam captar imagens desses ambientes.
A Seed também destacou que a proteção à privacidade está prevista na Constituição Federal, na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Por determinação da Secretaria, o Núcleo Regional de Educação realizou uma vistoria na escola nesta quarta-feira (21).
Segundo a Seed, nenhuma câmera foi encontrada nos banheiros durante a inspeção. A informação se refere à situação verificada naquele momento e não esclarece, por si só, as circunstâncias anteriores à retirada dos equipamentos.
Comissão vai investigar o caso
A Secretaria de Educação anunciou a criação de uma comissão para investigar os acontecimentos, esclarecer as circunstâncias e indicar eventuais providências administrativas.
Além disso, uma equipe multiprofissional foi encaminhada à instituição para prestar atendimento aos estudantes e à comunidade escolar.
A Seed informou que o descumprimento das normas poderá resultar na apuração de responsabilidades administrativas, civis e penais, conforme as conclusões das investigações.
Enquanto a Secretaria conduz a apuração administrativa, a Polícia Civil investiga a instalação dos equipamentos, a captação de imagens e as demais circunstâncias relacionadas ao caso.
A existência das câmeras foi confirmada pela própria instituição. Entretanto, permanece sob investigação o alcance das gravações, quem teve acesso às imagens e se houve violação da intimidade dos estudantes.
Uma pergunta fica no ar e ainda não tem resposta: isso está acontecendo apenas em Cambé ou também em outras escolas do Paraná?
Fonte: g1 Paraná e RPC, com informações da Polícia Civil, da Secretaria de Estado da Educação e de manifestações da direção do colégio e de estudantes.



