O genro subiu o monte para virar homem, mas os votos desceram ladeira abaixo na cidade natal
Por Gilmar Ferreira
Dizem que sogra é uma segunda mãe. Mas, quando o genro entra para a política, algumas parecem assumir também a função de coordenadora de campanha, analista eleitoral e fiscal da gratidão dos eleitores.
Em uma cidade da região de Maringá, uma história envolvendo a sogra de um deputado conservador estaria rendendo comentários. O parlamentar, que já protagonizou uma subida ao monte para virar homem, conseguiu se eleger. Entretanto, o desempenho eleitoral em sua cidade natal não teria agradado à família.
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Segundo informações repassadas à nossa redação, o candidato perdeu mais de 400 votos no município em comparação com a eleição anterior. Mesmo assim, recebeu quase mil votos por lá.
Para muita gente, seria motivo de comemoração. Afinal, o genro conquistou uma cadeira no Legislativo. Mas, pelo jeito, para a sogra, a vitória veio acompanhada de uma decepção.
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A visita que não terminou em festa
Ainda conforme o relato recebido por nós uma senhora encontrou a sogra do deputado e foi cumprimentá-la. O que poderia ser uma conversa cordial teria tomado outro rumo.
A sogra teria demonstrado insatisfação com o resultado eleitoral, argumentando que o genro merecia maior valorização dos moradores.
É compreensível que uma sogra queira ver o genro reconhecido. Afinal, não é todo dia que alguém da família chega ao Parlamento.
O problema é que, na política, o eleitor não tem obrigação de votar por consideração familiar. Muito menos para evitar que alguém fique de cara fechada depois da apuração.
E os buracos da cidade?
A história ganha um ingrediente ainda mais curioso quando entram em cena os comentários atribuídos aos moradores.
Segundo esses relatos, a cidade teria mais buracos nas ruas do que votos recebidos pelo deputado.
É claro que ninguém nos apresentou um levantamento comparando a quantidade de buracos com o resultado das urnas. Portanto, a frase fica no campo da ironia popular.
Mas a comparação permite uma reflexão: enquanto uma parte da família estaria preocupada com os votos que desapareceram, os moradores parecem ter preocupações bem mais próximas.
E, convenhamos, buraco em rua não pergunta se o motorista é conservador, progressista, de direita ou de esquerda. Se a roda cair dentro, o prejuízo não respeita ideologia.
O genro subiu o monte, mas os votos desceram
Talvez esteja aí a grande ironia dessa história.
O candidato subiu o monte, conquistou seu mandato e chegou ao Legislativo. Porém, conforme os números relatados à coluna, perdeu mais de 400 votos justamente onde a sogra esperava maior reconhecimento.
Na democracia, o voto não é herança de família, obrigação de vizinhança nem presente para agradar parente de político.
O eleitor pode reconhecer um candidato, votar nele em uma eleição e mudar de opinião na seguinte. Isso faz parte do processo democrático.
E, se os comentários sobre os buracos corresponderem à realidade, talvez exista uma explicação mais simples para a insatisfação dos moradores: antes de pedir valorização política, é preciso mostrar resultados concretos.
No fim das contas, o deputado ganhou a eleição, a sogra teria perdido a paciência e os moradores continuam querendo saber quem vai cuidar das ruas.
Moral da história: o genro pode até subir o monte para virar homem, mas, para conquistar votos, precisa lembrar que o eleitor continua aqui embaixo, desviando dos buracos.
Nota da redação: O episódio envolvendo a sogra e os comentários atribuídos aos moradores são relatos de fontes, ainda sem confirmação independente. A comparação com os buracos é uma ironia, não um levantamento sobre as condições das ruas.



