Curitiba consolida estrutura de alta complexidade e novas tecnologias na ortopedia
Capital reúne serviços especializados, formação médica e atendimento de alta complexidade, enquanto novas tecnologias, como a cirurgia robótica, ampliam os recursos disponíveis para diferentes áreas da especialidade
Da porta de entrada do trauma às cirurgias de alta complexidade, Curitiba construiu ao longo dos anos uma estrutura relevante na ortopedia brasileira. A presença de hospitais de referência, serviços especializados, programas de formação médica e profissionais dedicados às diferentes áreas da especialidade ajuda a explicar por que a capital paranaense concentra atendimentos que vão de fraturas e lesões esportivas a reconstruções articulares.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia da Regional Paraná – SBOT-PR, Dr. Thiago S. Busato, a força da ortopedia em Curitiba não pode ser atribuída a um único fator. Ela está na combinação entre formação, especialização e estrutura assistencial. “Curitiba reúne serviços com tradição na formação de ortopedistas, profissionais que se especializaram nas diversas áreas da ortopedia e hospitais de nível global. Quando esses elementos convivem em uma mesma cidade, o paciente passa a ter acesso a uma rede ampla de conhecimento e possibilidades de tratamento”, afirma Busato.
Uma especialidade segmentada
Falar em ortopedia hoje significa tratar de uma especialidade muito mais ampla do que a imagem tradicional associada ao atendimento de fraturas. A evolução do conhecimento e das técnicas levou a uma atuação cada vez mais segmentada, com profissionais dedicados a áreas específicas como coluna, joelho, quadril, ombro e cotovelo, mão, pé e tornozelo, ortopedia pediátrica, trauma, oncologia ortopédica, osteometabólica, tumores ósseos e medicina esportiva.
Essa divisão acompanha a própria complexidade do sistema musculoesquelético e permite aprofundar o diagnóstico e o tratamento de condições bastante diferentes entre si. Uma lesão esportiva em um atleta, uma fratura em uma pessoa idosa, uma alteração ortopédica na infância ou o desgaste de uma articulação, por exemplo, exigem abordagens distintas.
Para o presidente da SBOT-PR, Dr. Thiago S. Busato, essa especialização também ajuda a explicar o nível alcançado pela ortopedia na capital paranaense. “Curitiba reúne profissionais com formação e experiência em praticamente todas as áreas da ortopedia. Essa diversidade é importante porque permite que casos com características muito diferentes sejam avaliados por especialistas dedicados àquele segmento, ao mesmo tempo em que estimula a troca de conhecimento e a atualização profissional”, afirma.
Estes avanços também estão relacionados à evolução das técnicas cirúrgicas, dos implantes, dos exames de imagem e das ferramentas utilizadas no planejamento dos procedimentos. “A ortopedia evoluiu muito nas últimas décadas. Hoje trabalhamos com subespecialidades, técnicas menos invasivas, novos implantes, planejamento cirúrgico e recursos tecnológicos que não existiam há alguns anos. Mas tecnologia sozinha não define excelência. Ela precisa estar associada à indicação correta, à formação do cirurgião e a uma equipe preparada para acompanhar o paciente antes, durante e depois do procedimento”, pontua o presidente da SBOT-PR, Dr. Thiago S. Busato.
Robótica amplia as possibilidades na ortopedia
Entre as transformações mais recentes está a incorporação da cirurgia robótica. Curitiba já conta com especialistas que utilizam plataformas robóticas em procedimentos ortopédicos, especialmente em cirurgias de substituição das articulações do joelho e do quadril. A tecnologia permite trabalhar com planejamento baseado em imagens tridimensionais e fornece ao cirurgião informações durante diferentes etapas do procedimento. É mais uma ferramentade precisão dentro de uma especialidade que vem incorporando recursos digitais ao planejamento e à execução cirúrgica.
Entretanto, o equipamento não substitui o ortopedista. A indicação, o planejamento e as decisões durante o procedimento continuam sob responsabilidade do cirurgião. A presença da tecnologia também não significa que todo paciente com um problema no joelho ou no quadril tenha indicação cirúrgica ou seja candidato a uma operação assistida por robô. O tratamento depende do diagnóstico, das características de cada caso e das alternativas disponíveis. “O avanço tecnológico é muito bem-vindo quando acrescenta precisão e informação ao trabalho do cirurgião, mas precisamos evitar a ideia de que o equipamento, por si só, determina a qualidade de um tratamento. A boa ortopedia começa pelo diagnóstico e pela indicação adequada. Em muitos casos, o melhor tratamento continua sendo conservador. Quando existe indicação cirúrgica, avaliamos qual técnica e quais recursos fazem sentido para aquele paciente”, explica Busato.
Formação continua no centro da excelência
Se as tecnologias mudam rapidamente, um componente permanece essencial: a qualificação do especialista. A formação do ortopedista não termina com a residência médica. Novas técnicas cirúrgicas, materiais, próteses, métodos de imagem, pesquisas e ferramentas digitais exigem atualização ao longo de toda a carreira. Congressos, cursos, treinamento prático, discussão de casos e intercâmbio entre especialistas fazem parte desse processo.
Para a SBOT-PR, esse é um ponto central quando se discute a posição de Curitiba na ortopedia. Um polo de excelência não se estabelece apenas pela disponibilidade de equipamentos de última geração. Ele depende de especialistas qualificados, formação permanente, produção e compartilhamento de conhecimento e incorporação responsável de novas tecnologias. “Nosso desafio é continuar avançando em formação, segurança, incorporação criteriosa de tecnologia e, principalmente, acesso. Excelência também significa fazer com que o conhecimento e os recursos disponíveis cheguem ao paciente que precisa deles”, conclui Dr. Thiago S. Busato.



