Deputado federal eleito, Guilherme Kilter vira alvo do MPT após defender demissão de eleitores de Lula

Deputado federal eleito, Guilherme Kilter vira alvo do MPT após defender demissão de eleitores de Lula


Guilherme Kilter (Novo), vereador de Curitiba e eleito deputado federal com 269.832 votos, terá de responder à recomendação do Ministério Público do Trabalho após publicação que estimulou empresários a dispensar funcionários por suas escolhas políticas.

Por Gilmar Ferreira

O Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR) recomendou, nesta terça-feira (27), que o vereador de Curitiba e deputado federal eleito Guilherme Kilter (Novo) publique uma retratação após incentivar empresários a demitir trabalhadores que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Kilter conquistou 269.832 votos nas eleições de 2026 e foi o segundo deputado federal mais votado do Paraná. Agora, antes mesmo de assumir o mandato em Brasília, enfrenta questionamentos sobre declarações que o MPT classificou como assédio eleitoral.

O que disse o deputado federal eleito

Em vídeo publicado no Instagram, Kilter incentivou empresários a priorizar a demissão de trabalhadores identificados com o PT.

“Se você precisa fazer um corte de gastos ou uma reestruturação da sua empresa, comece pelos petistas”, afirmou.

Na sequência, o parlamentar declarou que esses trabalhadores receberiam assistência do governo federal. Também pediu que seus seguidores compartilhassem a publicação para incentivar outras demissões.

A manifestação motivou uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho.

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MPT determina condições para retratação

Na recomendação expedida em 27 de outubro, o MPT orientou Kilter a publicar uma retratação no mesmo perfil e formato utilizado na manifestação original.

O novo conteúdo deverá esclarecer que trabalhadores têm liberdade para escolher candidatos e partidos, sem sofrer ameaças, perseguições ou demissões por suas preferências políticas.

Além disso, o órgão estabeleceu que a publicação permaneça disponível durante cinco dias. O parlamentar deverá comprovar o cumprimento da recomendação em até 48 horas após recebê-la.

O MPT também recomendou a retirada dos conteúdos que motivaram a denúncia e a interrupção de manifestações que incentivem discriminação política nas relações de trabalho.

Caso Kilter não cumpra as orientações, o órgão poderá adotar outras medidas administrativas e judiciais.

Deputado eleito apresenta sua posição

Procurado pela Tribuna do Paraná nesta terça-feira (27), Guilherme Kilter afirmou que ainda não havia recebido a notificação do Ministério Público do Trabalho.

O deputado estadual Requião Filho (PDT), que também apresentou representações contra o parlamentar, recebeu críticas de Kilter. Em manifestação divulgada pela imprensa, o vereador afirmou que não daria atenção a provocações do adversário político.

Até o momento das informações consultadas, não havia confirmação de que Kilter tivesse publicado a retratação recomendada pelo MPT.

Liberdade política não autoriza perseguição no emprego

O episódio ocorre após as eleições presidenciais de 2026, em meio à circulação de manifestações que defendem boicotes e demissões por motivos políticos.

A vereadora de Londrina e deputada estadual eleita Jessica Ramos Moreno (PL), conhecida como Jessicão, também foi alvo de denúncias após defender a demissão de trabalhadores petistas.

A Constituição Federal protege a liberdade de manifestação política e proíbe discriminações que violem direitos fundamentais.

Isso significa que empresários, empregados e parlamentares podem defender candidatos e partidos. Entretanto, a preferência eleitoral não autoriza empregadores a perseguir ou dispensar trabalhadores por suas convicções políticas.

O caso de Guilherme Kilter demonstra que a discussão ultrapassou as redes sociais e chegou às instituições responsáveis pela proteção dos direitos trabalhistas.

O parlamentar foi eleito para representar os paranaenses na Câmara dos Deputados, inclusive aqueles que não votaram nele. A recomendação do MPT coloca em discussão justamente o respeito a essa diversidade política e aos direitos dos trabalhadores.

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Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira Jornalista, apresentador e mestre de cerimônias | MTB 0011341/PR Gilmar Ferreira construiu sua trajetória entre redações, estúdios de televisão, emissoras de rádio e eventos. Sua experiência reúne a apuração jornalística, a apresentação ao vivo e a condução de cerimônias, com atuação no Paraná e em Santa Catarina. Atualmente, é diretor de redação de O Diário de Maringá e atua como mestre de cerimônias em eventos no Paraná e SP. Na televisão, trabalhou como apresentador e âncora na TV Maringá (Band), RIC TV Maringá (Record), Record News (Rede Mercosul) e RTV 10 Maringá. Sua trajetória no rádio inclui passagens, no Paraná, pela Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Em Santa Catarina, atuou na Rádio Menina FM e na Rádio Globo AM, em Blumenau. Em cada formato, Gilmar leva a experiência de quem conhece a notícia desde a apuração até o momento de comunicá-la ao público.

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