A verdade que ninguém quer Dizer: O Que sobrecarrega as Upas em Maringá
Maringá conta hoje com uma estrutura de saúde considerável: são 35 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e um Hospital Municipal. A rede pública da cidade é composta por muitos profissionais competentes e dedicados. No entanto, mesmo com essa estrutura, as UPAs seguem constantemente lotadas — e isso precisa ser debatido com seriedade e transparência.
Essa superlotação pode ser explicada, basicamente, por dois fatores principais.
O primeiro está relacionado ao comportamento da própria população, que muitas vezes não cuida do quintal, não participa ativamente das campanhas de vacinação e acaba negligenciando ações básicas de prevenção à saúde. Esse cenário contribui para o aumento de doenças que poderiam ser evitadas ou tratadas antecipadamente nas UBSs.
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O segundo fator, e talvez o mais delicado, diz respeito ao funcionamento das próprias UBSs. Segundo dados, cerca de 70% dos atendimentos realizados nas UPAs poderiam e deveriam ser resolvidos nas UBSs. O que impede isso de acontecer?
Há uma “lenda” de que o médico só pode atender 14 pessoas a cada quatro horas de trabalho. Porém, essa informação não é correta. O Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece que o médico deve usar o tempo necessário para realizar o atendimento completo, que inclui anamnese, exame físico, diagnóstico e conduta. Ou seja, não há um número fixo de pacientes por período.
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Na prática, temos médicos em Maringá que chegam a atender até 30 pacientes em quatro horas — o que mostra que é possível prestar um bom atendimento com produtividade. Porém, infelizmente, há também uma parcela significativa de profissionais que atendem 14 pessoas em apenas uma hora e meia, e depois encerram o expediente, alegando ter cumprido sua “cota”. O restante das consultas é remarcado, e o paciente acaba buscando atendimento imediato nas UPAs — o que sobrecarrega um serviço que deveria ser voltado exclusivamente a casos de urgência e emergência.

Se houver fiscalização efetiva e uma melhor organização do fluxo de trabalho nas UBSs, não seria necessário construir novas UPAs. Basta que as estruturas existentes funcionem como deveriam. Isso reduziria drasticamente a pressão sobre os servidores das UPAs e traria mais agilidade e dignidade no atendimento para a população.
.O que o vereador Luiz Neto afirmou na última reunião da Câmara, ao culpar a estrutura, está longe de refletir o real problema. Isso demonstra desconhecimento sobre o funcionamento da rede ou, talvez, receio de desagradar alguns profissionais da saúde — e, com isso, perder votos — mesmo sabendo que, embora contratados para trabalhar quatro horas por dia, alguns médicos efetivamente cumprem apenas metade desse tempo.
Reforçamos: nem todos os profissionais agem dessa forma, mas basta que uma parte significativa o faça para comprometer toda a rede. Corrigir essa distorção é essencial para garantir mais saúde, com menos gastos públicos e maior eficiência. Registramos aqui nosso respeito aos trabalhadores da saúde que cumprem seu papel com responsabilidade. No entanto, é necessário que aqueles que não o fazem — e acabam sobrecarregando os demais — se adequem ou peçam para sair.




