Maringá pode (e deve) olhar para o turismo caravanista
Enquanto muitas cidades ainda tratam o turismo apenas como eventos pontuais ou grandes obras, Jaraguá do Sul (SC) deu um passo simples, inteligente e estratégico ao sancionar a Lei Ordinária nº 10.066/2025, que regulamenta o caravanismo e cria pontos de apoio para motorhomes, trailers e veículos de recreação .
Não se trata de algo mirabolante. Trata-se de planejamento urbano aliado ao turismo moderno, sustentável e em crescimento acelerado no Brasil.
Maringaense e marialvense levam o Paraná para as telonas em superprodução bíblica
O caravanismo não é improviso, nem desordem urbana, quando bem regulamentado. Pelo contrário: é um tipo de turismo organizado, de permanência mais longa, que gera consumo direto no comércio local e exige pouco investimento público.
Dados de mercado confirmam que esse segmento movimentou mais de R$ 1,5 bilhão no Brasil em 2023, com crescimento expressivo em relação ao ano anterior, e segue em expansão com projeções de crescimento anual de cerca de 6,3 % a 11,2 % no mercado nacional de caravanismo e campismo, segundo relatórios técnicos especializados e análises do setor .
Além disso, iniciativas locais já demonstram o potencial econômico regional: em um circuito de turismo sobre rodas pelo Paraná, composto por trailers e motorhomes, foram movimentados cerca de R$ 1 milhão na economia de 11 municípios em apenas 10 dias, com impacto direto no comércio, serviços e turismo das cidades visitadas .
Uma cidade pronta, mas ainda parada no debate
Maringá reúne praticamente todos os requisitos para se tornar referência nesse segmento: localização estratégica no Noroeste do Paraná, entroncamento rodoviário, qualidade urbana, parques bem cuidados, rede gastronômica forte, comércio diversificado e agenda constante de eventos.
O que falta não é estrutura urbana. Falta visão pública.
Hoje, turistas que viajam de motorhome simplesmente passam por Maringá ou ficam poucas horas, porque não existe um ponto regulamentado, seguro e estruturado para permanência. Isso significa dinheiro que deixa de circular, consumo que deixa de acontecer e visibilidade turística que se perde.
Turismo que fica, consome e volta
O turista caravanista não vem apenas para tirar foto. Ele dorme na cidade, abastece, compra em mercados, frequenta restaurantes, visita parques, participa de eventos e, principalmente, recomenda o destino em redes especializadas e aplicativos do setor.
Cidades que criam pontos de apoio entram rapidamente no mapa nacional do caravanismo. É divulgação espontânea, contínua e altamente segmentada.
Não é custo. É investimento inteligente
Criar pontos de apoio para caravanistas não exige grandes obras, nem cifras milionárias. Exige regulamentação, escolha estratégica de áreas, regras claras e gestão básica. Em troca, gera retorno econômico direto e fortalece a imagem da cidade como moderna, acolhedora e preparada para novos modelos de turismo.
Jaraguá do Sul entendeu isso. Maringá, que se orgulha de planejar o futuro, não pode continuar ignorando uma tendência que cresce ano após ano.
Ou a cidade se prepara, ou continuará sendo apenas um lugar de passagem.


