Quando a cidade não escuta quem se antecipa ao futuro
A discussão sobre iluminação pública em Maringá ganhou um elemento revelador a partir de um comentário feito em podcast por Jeferson Nogaroli, empresário maringaense e idealizador do Eurogarden. Ao relatar o processo de escolha das lâmpadas amareladas no bairro, Nogaroli expôs algo que vai além de um detalhe técnico. Ele revelou uma diferença de visão entre quem pensa cidade no longo prazo e quem, à época, conduzia a política pública sem disposição para rever padrões.
No podcast, o empresário explicou que a opção pela iluminação em torno de 3000 Kelvin não foi estética nem casual. Foi uma decisão baseada em bem-estar humano, preservação ambiental e equilíbrio urbano. A luz amarela interfere menos no ciclo do sono, reduz a agressão visual, respeita a fauna e diminui a poluição luminosa. Beneficia pessoas, aves e todo o ecossistema urbano.
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Nada disso foi simples de implementar. Segundo o relato, o Eurogarden precisou provar tecnicamente que a escolha era melhor. A prefeitura, naquele momento, defendia o padrão da luz branca como modelo oficial da cidade. Houve resistência, exigência de estudos e a necessidade de convencer o poder público de que o caminho adotado pelo bairro era mais avançado, ainda que mais caro.

O tempo, como quase sempre, colocou os fatos no devido lugar. A legislação evoluiu. O limite de temperatura de cor caiu para 4000 Kelvin e a tendência regulatória e técnica aponta para algo ainda mais próximo dos 3000 Kelvin. Aquilo que precisou ser justificado no passado hoje é tratado como consenso. O Eurogarden não desafiou a cidade. Apenas se antecipou ao que viria a ser reconhecido como melhor prática.
O ponto mais incômodo dessa história é justamente o contraste. Enquanto um empreendedor privado precisou reunir especialistas para defender uma solução mais humana e sustentável, o poder público não aproveitou o momento para repensar a iluminação de toda Maringá. A cidade, que se orgulha de planejamento e qualidade de vida, perdeu a chance de liderar uma mudança que hoje se mostra inevitável.
A fala de Jeferson Nogaroli no podcast não é autopromoção. É um alerta. Iluminação urbana não é só eficiência energética ou aparência de modernidade. É saúde pública, meio ambiente e sensação de segurança. A verdadeira segurança, como ele destacou, não está no excesso de luz branca que ofusca, mas em ambientes equilibrados, confortáveis e integrados a um conceito moderno de segurança urbana.
Maringá poderia ter aprendido com quem ousou pensar diferente. Preferiu manter um padrão que agora começa a ser revisto. Em alguns casos, a cidade anda para frente quando escuta seus empreendedores. Em outros, insiste em enxergar tarde aquilo que já estava claro.


