Entre Lula e Bolsonaro, falta assumir o óbvio: política não substitui responsabilidade individual

Entre Lula e Bolsonaro, falta assumir o óbvio: política não substitui responsabilidade individual

É preciso fazer uma reflexão mais honesta sobre política e responsabilidade individual. Culpar Lula ou Bolsonaro por todos os problemas da própria vida — especialmente pela situação financeira — é uma simplificação perigosa da realidade. Nenhum presidente, por mais poderoso que seja, controla sozinho o destino pessoal de milhões de cidadãos.

A situação econômica de cada pessoa é resultado de múltiplos fatores: decisões individuais, oportunidades locais, nível de educação financeira, conjuntura econômica global, crises internacionais, inflação, mercado de trabalho, tecnologia e até eventos imprevisíveis, como pandemias e conflitos externos. Governos influenciam o ambiente, mas não determinam, de forma direta e automática, a prosperidade ou o fracasso de cada indivíduo.

Quando alguém acredita que sua vida só vai melhorar se “o político certo” vencer a eleição, transfere sua autonomia para uma figura distante, criando uma falsa expectativa. Essa crença enfraquece o senso de responsabilidade pessoal e gera frustração constante, porque a política real raramente entrega promessas no ritmo e na intensidade que as pessoas esperam.

Além disso, no Brasil, o poder é dividido entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Nenhum presidente governa sozinho. Congressistas, governadores, prefeitos, tribunais, mercado internacional e pressões políticas internas influenciam diretamente as decisões do país. Ignorar isso leva a uma visão infantilizada da política, baseada em heróis e vilões, e não em estruturas e interesses.

Outro ponto preocupante é o custo social da polarização. Pessoas têm rompido amizades, brigado com familiares e se afastado de colegas de trabalho por causa de políticos que sequer sabem da existência delas. Nenhum líder político vale a perda de vínculos humanos reais. Relações verdadeiras são construídas com convivência, respeito e história — não com votos.

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Discordar politicamente é saudável e faz parte da democracia. O problema começa quando a política vira identidade absoluta, religião ou torcida organizada. Nesse estágio, o debate deixa de ser racional e passa a ser emocional, impedindo qualquer diálogo.

Por fim, é importante lembrar: políticos passam, governos mudam, eleições se sucedem. Quem permanece com você são suas escolhas, suas relações e sua capacidade de adaptação. Investir em conhecimento, trabalho, organização financeira e respeito ao próximo tende a gerar resultados muito mais concretos do que depositar todas as esperanças — ou frustrações — em figuras políticas.

Pensar diferente não faz de ninguém inimigo. Perder a humanidade por causa de política é uma derrota que nenhum lado vence.

JUAREZ FIRMINO DE OLIVEIRA

Advogado, Contador, Auditor, Consultor, Corretor e Escritor.

Redação O Diário de Maringá

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