Prestação de contas na Câmara reforça nossa tese: saúde dos maringaenses não é prioridade para Ratinho Junior; a SRM é
Enquanto Ratinho Junior prioriza a Sociedade Rural de Maringá, Prefeitura e União sustentam a saúde de Maringá
A prestação de contas apresentada nesta segunda-feira (23) na Câmara de Vereadores de Maringá trouxe dados que merecem mais do que análise técnica. Eles exigem reflexão, e responsabilidade.
Segundo os números oficiais, Maringá investiu aproximadamente R$ 868 milhões em saúde no período apresentado. Desse total, R$ 377 milhões foram recursos próprios do município. Outros R$ 403 milhões vieram de repasses da União por meio do SUS. Já o Governo do Estado transferiu R$ 51 milhões para a saúde do município.
Em termos percentuais, isso significa que o Município respondeu por cerca de 43,4% do total investido, a União participou com aproximadamente 46,4%, enquanto o Estado contribuiu com apenas 5,9%.
Os números falam por si.
A Prefeitura investiu mais de sete vezes o valor destinado pelo Estado. A União aplicou quase oito vezes mais do que o governo estadual. Entre os três entes federativos, o menor aporte proporcional continua sendo o estadual.
E é justamente aqui que nasce o questionamento.
O governador Ratinho Junior anunciou o repasse de R$ 25 milhões para a entidade privada Sociedade Rural de Maringá.
Esses R$ 25 milhões representam aproximadamente 49% dos R$ 51 milhões que o Estado transferiu para toda a saúde pública de Maringá no mesmo período.
Em outras palavras: um único repasse para uma entidade privada equivale a praticamente metade de tudo o que o Governo do Estado destinou à saúde pública do município.
É um dado que não pode ser ignorado.
A saúde pública mantém UPAs, UBSs, exames, cirurgias, tratamentos oncológicos, medicamentos, plantões médicos e profissionais que atendem milhares de pessoas diariamente. É o SUS que acolhe quem não tem plano de saúde. É o sistema que sustenta famílias inteiras nos momentos mais difíceis.
Já a Sociedade Rural de Maringá é uma instituição privada, com patrimônio próprio, estrutura consolidada e receitas oriundas de grandes eventos.
Não se trata de atacar o agronegócio. Trata-se de discutir prioridades.
Quando um único repasse para uma entidade privada se aproxima de metade de todo o investimento estadual em saúde no município, a pergunta é simples e direta: o que vem primeiro?
A vida das pessoas ou o fortalecimento institucional de uma entidade particular?
Orçamento é escolha. E escolha revela prioridade.
E enquanto isso, o próprio governador afirma que o Estado tem dinheiro em caixa. De fato, com esse modelo é possível manter superávit. O Estado retém metade da arrecadação do IPVA que é dividida com os municípios, amplia a arrecadação via ICMS, imposto estadual, e, na hora de investir diretamente na saúde municipal, participa com uma fração pequena diante do esforço financeiro feito pela Prefeitura e pelo Governo Federal.
Assim, o caixa cresce. Mas a pergunta permanece: o crescimento das reservas estaduais está acompanhado da mesma proporção de investimento onde a população mais precisa?
Saúde pública não é evento. Não é calendário. Não é temporada.
É necessidade diária. É urgência constante. É prioridade permanente.
Esses dados foram tirados da prestação de contas realizada hoje na Câmara veja na íntegra abaixo


