66% dos crimes envolvem “cidadãos de bem” armados e apenas 4% criminosos reincidentes: o discurso caiu por terra?
O jornalista Caco Barcellos fez uma análise contundente sobre a violência no Brasil ao questionar a narrativa tradicional que atribui a maior parte das mortes à criminalidade comum. Segundo ele, os números revelam uma realidade muito mais complexa e preocupante.
De acordo com a fala do jornalista, apenas 3% a 4% das mortes no país seriam provocadas por criminosos que cometem assaltos armados nas ruas. É extremamente violento e péssimo para a imagem do Brasil lá fora. Mas são 4%. E os outros 96%, quem são?, questiona.
Polícia como protagonista das estatísticas no Rio
Barcellos afirma que, no caso do Rio de Janeiro, a polícia chegou a ser responsável por 32% das mortes registradas. Ele menciona o período da intervenção federal na segurança pública do estado, quando o general Braga Netto foi nomeado interventor.
Segundo o jornalista, antes da intervenção o índice era de cerca de 20%, mas teria subido para 32%, patamar que, de acordo com ele, não voltou a cair. Barcellos também critica o que chama de justificativa recorrente de legítima defesa, afirmando que muitas mortes são atribuídas à suposta reação da vítima.
Comparações internacionais
Em sua fala, Barcellos compara a realidade brasileira com outros países. Ele afirma que, em São Paulo, no ano passado, houve cerca de 700 mortes decorrentes de ação policial. Já em Portugal, segundo ele, ao longo de 30 anos, apenas quatro pessoas teriam sido mortas por policiais.
O Rio de Janeiro, por sua vez, teria chegado à marca de 2 mil mortos em determinado período, segundo a declaração.
O “cidadão de bem” e a cultura da violência
Um dos pontos mais polêmicos da fala é quando o jornalista afirma que cerca de 66% das mortes seriam praticadas pelo chamado cidadão de bem, pessoas que compram armas para defesa pessoal, mas acabam utilizando-as em conflitos interpessoais.
Ele cita casos de desentendimentos familiares ou brigas de trânsito que terminam em morte. Para Barcellos, essa é uma das principais diferenças em relação ao passado, o aumento da violência praticada por pessoas sem histórico criminal formal, mas que têm acesso facilitado a armas.
Violência e capital político
Outro ponto levantado pelo jornalista é o uso político da pauta da segurança pública. Ele menciona a chamada bancada da bala como exemplo de grupos que defendem políticas mais duras e, segundo ele, teriam percebido que o discurso favorável ao confronto e ao endurecimento penal rende votos.
Eles descobriram, e é muito triste falar isso, profundamente triste, que matar ganha voto, afirmou.
Debate aberto
As declarações de Caco Barcellos reacendem o debate sobre segurança pública, uso da força policial, flexibilização do acesso a armas e a influência do discurso político na escalada da violência.
Os números citados pelo jornalista geram questionamentos importantes. Quem realmente mais mata no Brasil? O Estado, o crime organizado ou conflitos entre civis armados? E qual o papel da política nesse cenário?
O tema exige dados oficiais, transparência e análise técnica para além das narrativas ideológicas. Segurança pública continua sendo um dos maiores desafios do país e também um dos assuntos mais sensíveis no debate eleitoral.


