Método Paraná? Promessas sem projeto e obras inacabadas levantam dúvidas sobre quem realmente ganha com isso
Uma participação em uma emissora de rádio em Foz do Iguaçu do secretário estadual e pré-candidato ao governo do Paraná, Guto Silva, acabou gerando um episódio curioso. Durante o programa, ele foi “cobrado” por seu aliado, o deputado estadual Matheus Vermelho, o que levantou uma discussão que vai muito além de uma simples cobrança por uma obra na cidade.
Na prática, porém, tudo indicava tratar-se mais de uma jogada política entre aliados do que de uma cobrança real.
Vermelho: o político-empresário que pode arruinar o Parque Nacional do Iguaçu
Durante a entrevista, Matheus Vermelho cobrou do governo do Estado uma solução para o trevo do CTG Charrua , uma obra considerada estratégica para a mobilidade da cidade. Em resposta, Guto Silva afirmou que o governo pode ajudar e que a obra pode avançar.
Mas há um detalhe que chama atenção.
No próprio debate fica claro que nem projeto pronto ainda existe.
Ou seja, promete-se uma obra que sequer saiu do papel. É a velha política brasileira: primeiro vem o discurso, depois, quem sabe, aparece o projeto.
Prometer obra sem projeto é fácil. Difícil é explicar por que tantas obras públicas acabam ficando pelo caminho.
E é nesse ponto que o debate ganha outra dimensão.
Matheus Vermelho é filho do deputado federal Vermelho. A família tem presença forte na política paranaense e também atuação empresarial no setor da construção civil.
Nos bastidores políticos e empresariais, há críticas recorrentes envolvendo empresas associadas à família que participaram de obras públicas em diferentes cidades do Paraná e que enfrentaram atrasos, paralisações ou simplesmente não foram concluídas dentro do prazo.

Em alguns casos, outras empresas tiveram que assumir os contratos para terminar aquilo que deveria ter sido entregue desde o início.
Quando uma obra pública para, quem paga a conta é sempre a população.
Cidades ficam travadas, o desenvolvimento atrasa e o dinheiro do contribuinte acaba sendo desperdiçado.
Por isso surge uma pergunta que precisa ser feita de forma direta.
Se existem obras problemáticas nesse histórico pelo Paraná, por qual motivo empresas ligadas a esse grupo continuam negociando ou participando de obras públicas?
E mais importante.
Por que continuam circulando dentro da estrutura de obras do Estado governado por Ratinho Junior?
Essa é a pergunta que realmente incomoda.
Porque quando empresas que deixam obras pelo caminho continuam próximas de contratos públicos, o problema deixa de ser apenas técnico.
Passa a ser político.
Enquanto isso, a população assiste ao roteiro de sempre:
um deputado cobra obra,
um secretário promete resolver,
e ninguém explica o passado.
Promessas feitas no microfone podem até render manchetes.
Mas obra pública não se constrói com discurso.
Ela começa com projeto, passa por licitação séria e termina com entrega à população.
Quando isso não acontece, a pergunta continua no ar.
Se as obras não terminam, quem está realmente ganhando com esse sistema?
Veja mais uma das obras que foi abandonada pela empresa da família dos deputados Vermelho aqui


