Botão do pânico ou gestão do diálogo? O debate sobre segurança nas unidades públicas de Maringá
A preocupação com a segurança de servidores públicos é legítima e necessária. Nenhum trabalhador deve estar exposto a agressões, ameaças ou situações de violência durante o exercício de suas funções. Nesse ponto, o alerta feito pelo sindicato dos servidores municipais de Maringá merece atenção.
No entanto, é preciso fazer uma reflexão mais profunda sobre o caminho que está sendo proposto.
A ideia de instalar botões do pânico nas unidades de saúde, assistência social e outros serviços públicos, acionando diretamente a Guarda Civil Municipal, pode até parecer uma solução rápida. Mas ela corre o risco de tratar o efeito e não a causa do problema.
A maior parte dos conflitos que acontecem em UBSs, UPAs e demais unidades de atendimento público não nasce de violência gratuita. Na maioria das vezes, nasce de falta de informação, falhas de comunicação, demora no atendimento, ausência de explicações claras e frustração acumulada do cidadão que já chega fragilizado ao serviço público.
Transformar esse ambiente em um espaço onde o primeiro recurso é chamar a força pública pode criar uma sensação de intimidação do usuário, o que tende a aumentar a tensão, e não reduzi-la.
Resolver problemas de comunicação com instrumentos de repressão é um caminho arriscado.
Com todo respeito ao SISMMAR, talvez o debate devesse começar por outra pergunta: por que tantos conflitos acontecem nas unidades de atendimento?
Antes de pensar apenas em alarmes de emergência, seria mais inteligente investir em algo que muitos sistemas de saúde modernos já utilizam: equipes de gerenciamento de conflitos e mediação com o público.
Profissionais treinados para:
explicar procedimentos
orientar pacientes e familiares
administrar filas e prioridades
intermediar situações de tensão
informar com clareza o que está acontecendo no atendimento
Esse tipo de função reduz drasticamente o nível de conflito porque as pessoas deixam de se sentir ignoradas ou perdidas dentro do sistema.
Em muitas unidades, o paciente simplesmente não sabe por que está esperando, qual é sua posição na fila, se o médico atrasou, se faltou profissional ou se seu caso será atendido naquele dia. Essa falta de informação cria o terreno perfeito para irritação e explosões emocionais.
Um mediador treinado muitas vezes resolve em cinco minutos uma situação que poderia virar uma crise.
Segurança é importante. Proteger servidores é fundamental. Mas segurança não se constrói apenas com alarmes e presença policial.
Ela também se constrói com organização, comunicação clara, transparência no atendimento e profissionais preparados para lidar com o público em momentos de tensão.
Se o objetivo é realmente reduzir conflitos nas unidades de saúde e assistência social de Maringá, talvez o caminho mais eficaz não seja apertar um botão para chamar a guarda.
Talvez seja investir em diálogo antes que o conflito comece.


