Itaipu fornece energia, renda e infraestrutura; Copel privatizada entrega apagão e prejuízo no campo
Há uma ideia que se repete há décadas no Brasil. A de que o Estado não funciona, que é pesado, ineficiente e incapaz de entregar resultados concretos à população. Esse discurso, repetido à exaustão, acabou servindo como justificativa para decisões profundas, como a venda de empresas públicas sob a promessa de modernização e eficiência.
Mas quando a teoria encontra a prática, a realidade nem sempre confirma o que foi prometido.

A gestão de Enio Verri à frente da Itaipu Binacional vem mostrando, com números e obras, que o problema nunca foi exatamente o Estado, mas sim a forma como ele é conduzido. Em 2025, a Itaipu direcionou bilhões em investimentos para municípios do Paraná e do Mato Grosso do Sul por meio de programas estruturantes como o “Mais que Energia”.
Não se trata de repasse simbólico. Esse volume de recursos foi aplicado diretamente em obras e projetos que chegam à vida real da população.
Na prática, isso significou ampliação de sistemas de abastecimento de água, implantação de redes de esgoto, recuperação de nascentes e proteção de bacias hidrográficas. Em diversas cidades, obras que estavam paradas há anos saíram do papel. O impacto é direto: menos doenças, mais dignidade e melhoria concreta na qualidade de vida.
No campo, os investimentos também ganham escala. Recursos foram direcionados para conservação de solo, segurança hídrica e apoio à agricultura familiar. Pequenos produtores passaram a ter acesso a estrutura e suporte que aumentam a produtividade e reduzem perdas. Isso significa mais renda no interior e mais estabilidade para quem depende da terra.
Além disso, a Itaipu avançou em pavimentação rural, iluminação pública eficiente e projetos de energia renovável. São ações que fortalecem municípios, reduzem custos das prefeituras e aceleram o desenvolvimento regional.
E há um ponto central que diferencia esse modelo. O dinheiro gerado não é distribuído a acionistas privados. Ele retorna para a população em forma de investimento. É um ciclo que mantém a riqueza dentro da própria economia local.
Enquanto isso, o Paraná fez uma escolha diferente.
Sob a gestão de Ratinho Junior, a Copel foi privatizada com o argumento de que isso traria mais eficiência e qualidade no serviço.
Mas a realidade que começa a aparecer levanta questionamentos.
Produtores rurais relatam prejuízos crescentes causados por falhas no fornecimento de energia. Há casos de leite descartado por falta de refrigeração, aviários comprometidos por interrupções no fornecimento, sistemas de irrigação paralisados e equipamentos queimados por oscilações na rede elétrica. São perdas que atingem diretamente a renda de quem produz e que, muitas vezes, não têm qualquer tipo de compensação.
No agronegócio, energia não é luxo. É infraestrutura básica. Quando ela falha, o prejuízo é imediato.
Nas cidades, o consumidor também sente os efeitos. Quedas de energia e instabilidade no serviço passam a fazer parte da rotina. O que antes era um problema interno da empresa agora chega diretamente ao cidadão.
A lógica mudou.
Antes, o risco estava concentrado na estrutura pública. Agora, ele é transferido para milhares de consumidores que dependem da energia para trabalhar, produzir e viver.
A comparação entre os dois modelos não precisa de discurso ideológico. Ela se sustenta na realidade.
De um lado, uma estatal que investiu mais de R$ 2 bilhões em municípios, ampliando infraestrutura, fortalecendo o campo e melhorando a vida da população. De outro, um modelo que prometeu eficiência, mas que começa a gerar custos, instabilidade e prejuízos diretos para quem está na ponta.
A pergunta que fica é inevitável.
Se uma empresa pública consegue gerar desenvolvimento, melhorar a infraestrutura e devolver à sociedade aquilo que arrecada, por que abrir mão desse instrumento?
No fim, o debate sobre o tamanho do Estado perde sentido diante de algo mais concreto. O que realmente importa não é se é público ou privado, mas quem está sendo beneficiado.
E, cada vez mais, essa resposta aparece fora dos discursos e dentro da realidade de quem sente, todos os dias, o impacto dessas decisões.


