Santo Inácio: festa de um dia ou atendimento para mais de 3 mil pessoas em consultas especializadas ?

Santo Inácio: festa de um dia ou atendimento para mais de 3 mil pessoas em consultas especializadas ?


O show de Hugo e Tiago em Santo Inácio, ao custo de R$ 140 mil, precisa sair do campo da festa e entrar no campo da prioridade pública. Afinal, com esse mesmo valor, a Prefeitura poderia comprar até 3.326 consultas médicas especializadas, conforme valores da Tabela CISAMUSEP 2026.

Undokai na Acema

No Portal da Transparência, O Diário de Maringá não localizou informação clara indicando que esse dinheiro era obrigatoriamente vinculado à Cultura. Portanto, a Prefeitura precisa explicar a origem do recurso. Se era verba livre, a escolha pelo show representou uma gafe administrativa com quem espera atendimento médico.

O que R$ 140 mil poderiam comprar

EspecialidadeValor unitárioQuantidade possível
Consulta especializada geralR$ 42,093.326
OrtopediaR$ 45,003.111
Oftalmologia com exameR$ 54,412.573
NeurologiaR$ 55,252.533
DermatologiaR$ 60,002.333
EndocrinologiaR$ 60,002.333
PediatriaR$ 60,002.333
PsiquiatriaR$ 60,002.333
Cardiologia com ECGR$ 60,702.306
ReumatologiaR$ 65,002.153
GeriatriaR$ 80,001.750
Ginecologia/obstetrícia QualicisR$ 88,001.590
Neurologia infantilR$ 200,00700

Dinheiro público exige escolha pública

É importante explicar de forma simples. Se o dinheiro era “carimbado” para Cultura, a Prefeitura não poderia pegar diretamente esse valor e mandar para a saúde. Porém, isso não encerra o debate.

A gestão poderia ter planejado melhor o orçamento. Poderia ter reservado menos dinheiro para shows e mais dinheiro para consultas, exames e atendimento básico. Isso acontece na elaboração da Lei Orçamentária, antes da aprovação pela Câmara.

Além disso, se o dinheiro era livre, a administração poderia propor remanejamento legal, com autorização necessária, para reforçar a saúde. Portanto, a pergunta continua de pé: faltou dinheiro ou faltou prioridade?

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A pergunta que Santo Inácio precisa responder

Santo Inácio não tem fila para consulta especializada? Não falta vaga nas escolas? O asfalto está todo em dia? Os postos funcionam sem reclamação? Se tudo isso estiver resolvido, a Prefeitura deve mostrar os números.

No entanto, se ainda há morador esperando atendimento, criança sem vaga, rua esburacada ou serviço público insuficiente, o show de R$ 140 mil exige explicação.

Não se trata de atacar cultura. Trata-se de cobrar coerência. Festa dura algumas horas. Consulta pode mudar a vida de uma pessoa.

No entanto, há suspeitas de que o sogro do secretário de Planejamento e Finanças de Santo Inácio seja o responsável pela intermediação de shows para a Prefeitura de Santo Inácio, como teria ocorrido no rodeio.

Antes do palco, vem o básico.

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Redação O Diário de Maringá

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