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Segundo a coluna de Lauro Jardim, de O Globo, a investigação apura suspeitas de fraude em licitação, pagamentos indevidos e possível influência de agentes públicos; ex-secretário nega qualquer ligação
A quebra de sigilo de empresário no Paraná colocou novamente sob tensão um caso que mistura licitação, suspeita de propina e menções a nomes de peso do governo estadual. Segundo a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, a Justiça do Paraná determinou a quebra do sigilo bancário do empresário Adolfo Jachinski Neto e da EBTS Empresa Brasileira de Tecnologias e Sistemas, no âmbito de um inquérito que apura supostos crimes de peculato, corrupção passiva e fraude em licitações.
De acordo com a publicação, a decisão judicial considerou a medida imprescindível para rastrear o fluxo do dinheiro, identificar eventuais repasses a terceiros e verificar movimentações incompatíveis com os fatos investigados. Além disso, a quebra de sigilo alcança o período entre abril de 2020 e fevereiro de 2021, fase ligada ao pagamento de notas de empenho relacionadas ao caso.
O que a investigação aponta
Ainda segundo a coluna de Lauro Jardim, os investigadores reuniram diálogos que indicariam tratativas prévias para direcionamento de um pregão. O material, conforme a reportagem, faz referência a ajustes entre participantes, elevação artificial de valores e suposto pagamento de propina. A decisão também menciona referências a agentes da administração estadual da época e cita menções genéricas a pagamentos destinados a terceiros, inclusive com suposta finalidade de financiamento de campanha política.
O caso investigado envolve um pregão promovido pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná em 2019, voltado à compra de unidades fixa e móvel de treinamento virtual de tiro policial. O inquérito, ainda conforme a reportagem de O Globo, foi instaurado em 2022 depois da circulação, em redes sociais, de um vídeo apócrifo sobre possível fraude no certame.
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Como Guto Silva aparece no caso
O nome de Guto Silva surge no material citado pela investigação. Conforme a coluna, ele foi mencionado em gravações atribuídas ao empresário investigado. Em um dos áudios obtidos pela publicação, Adolfo se refere a Guto como alguém com forte influência política dentro do governo Ratinho Junior. A decisão judicial também menciona nominalmente Luiz Augusto Silva, o Guto Silva, e Rômulo Marinho Soares, então secretário de Segurança Pública.
Esse ponto torna o caso politicamente explosivo. Isso ocorre porque a investigação deixa de girar apenas em torno do empresário e passa a tocar o núcleo de poder do Paraná. No entanto, até aqui, a existência de menções em diálogos não significa prova definitiva de envolvimento criminal de agentes públicos. O que existe, segundo a própria reportagem, é uma apuração em andamento, agora reforçada pela quebra do sigilo bancário.
A origem do conflito
A reportagem informa que o caso veio à tona após um desacerto societário. De um lado, Jonny Braga cobrava uma dívida de R$ 4 milhões, ao afirmar que foi afastado da sociedade da EBTS, da qual se considera fundador. Do outro, Adolfo o acusava de chantagem e tentativa de extorsão. Em meio a essa disputa, Jonny passou a gravar conversas com o empresário e entregou o material às autoridades.
Segundo a coluna, foram reunidos ao menos cinco áudios com discussões sobre estratégias para vencer a licitação e sobre pagamento de vantagens a terceiros. Em depoimento à polícia, Jonny confirmou ter feito as gravações. Já Adolfo, em notícia-crime, sustentou que as afirmações eram inverídicas e alegou que mentiu sobre influência no governo para se livrar das investidas do ex-sócio.
O TCE já havia apontado problema
Outro dado relevante é que, de acordo com O Globo, um relatório técnico do Tribunal de Contas do Estado do Paraná apontou supostas irregularidades no pregão. Entre elas estaria a diferença de preço em comparação com contrato semelhante em Goiás. Segundo a publicação, enquanto o contrato goiano teria custado R$ 1,6 milhão, o do Paraná teria chegado a R$ 3,8 milhões. Alguns servidores públicos, ainda conforme a coluna, chegaram a ser multados pelo tribunal.
Esse detalhe pesa. Afinal, quando um órgão técnico já identifica distorções relevantes em valores, a narrativa de normalidade perde força. Por isso, a quebra de sigilo bancário pode se tornar um divisor de águas na apuração. Se o fluxo financeiro confirmar o que os investigadores suspeitam, o caso deixará de ser apenas rumor político e passará a ganhar densidade probatória. Essa conclusão, porém, depende do andamento formal da investigação.
A resposta de Guto Silva
Em nota reproduzida pela coluna de Lauro Jardim, Guto Silva negou qualquer vínculo com o empresário e com a empresa investigada. Ele afirmou que não conhece Adolfo Jachinski Neto, que jamais foi sócio e que nunca manteve relação com ele ou com a EBTS. Também declarou que o pregão citado foi conduzido pela Secretaria de Segurança Pública, sem qualquer participação da Casa Civil ou dele próprio. Além disso, classificou a acusação como antiga, já esclarecida em 2022 e sem respaldo nos fatos ou nos órgãos de controle.
Até o momento relatado pela reportagem, Adolfo Jachinski Neto e a EBTS não haviam retornado aos contatos feitos pela coluna. O espaço segue aberto para manifestação.
Imagem da Manchete: Foto: Rodrigo Félix Leal/Governo do Paraná




