Guto Silva, tratado como braço-direito de Ratinho Junior, reaparece em caso explosivo
A fraude em licitação na Segurança Pública do Paraná deixou de ser apenas um problema policial. Agora, o caso também impõe desgaste político a Ratinho Junior e Guto Silva. Segundo reportagem exibida pela RPC Globo Paraná nesta sexta-feira, a Justiça determinou a quebra de sigilo bancário de Adolfo Jachinski Neto e da EBTS. A empresa venceu o Pregão nº 1133/2019, ligado a um contrato de R$ 3,833 milhões para treinamento virtual de tiro da Polícia Civil.
O juiz Leandro Leite Carvalho Campos assinou a decisão. Ele conduz uma apuração que investiga, em tese, peculato, corrupção passiva e fraude em licitações. Portanto, o caso entrou em uma fase mais delicada. A Justiça agora quer seguir o caminho do dinheiro.
O caso deixou de ser apenas técnico
Durante algum tempo, o governo pôde tratar o episódio como uma disputa entre empresários. Esse argumento perdeu força. Os autos citados pela imprensa apontam áudios com indícios de tratativas prévias. Esses diálogos sugerem, em tese, direcionamento do certame, simulação de concorrência e ajuste antecipado de valores.
Além disso, as gravações mencionam possíveis repasses a terceiros. Esse ponto aumenta o peso político do caso. A investigação já não examina apenas falhas burocráticas. Ela tenta descobrir se alguém montou uma engrenagem para favorecer um vencedor e distribuir vantagens indevidas.
A Justiça quer rastrear a movimentação bancária
A quebra de sigilo alcança o período entre abril de 2020 e fevereiro de 2021. Esse intervalo coincide com a fase de pagamento das notas de empenho do contrato. Em outras palavras, a Justiça quer saber se o dinheiro seguiu um fluxo compatível com a execução regular do objeto.
Esse passo tem grande importância. Conversas suspeitas admitem contestação. Já a movimentação bancária costuma oferecer um retrato mais objetivo. Por isso, a decisão eleva a pressão sobre todos os nomes ligados ao caso.
O desgaste político chegou ao entorno de Ratinho
A imprensa citou Guto Silva e Rômulo Marinho Soares nas gravações sob investigação. Esse detalhe pesa. Ainda que eles não figurem, até aqui, como alvos formais do inquérito, o dano político já apareceu. Na política, o desgaste costuma nascer antes da denúncia.
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Ratinho Junior também sente esse impacto. O contrato investigado pertence ao período de seu governo. Além disso, o caso envolve a área da Segurança Pública, um setor sensível para qualquer gestão. Quando um episódio assim avança, o governador não consegue se apresentar como observador distante.
O TCE já havia feito ressalvas
O Tribunal de Contas do Estado do Paraná já tinha analisado o pregão. A área técnica apontou falhas na formação de preços. Também registrou fragilidades na comparação com outros contratos públicos. Além disso, o TCE mencionou dúvidas sobre o recebimento detalhado dos itens e atraso na entrega.
Depois, o julgamento resultou em procedência parcial e regularidade com ressalva. Esse histórico importa. Ele mostra que o procedimento já carregava sinais de alerta antes da nova etapa criminal. Portanto, a atual investigação não surgiu do nada.
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As respostas dos citados
Guto Silva afirmou que não conhece o empresário citado. Ele também disse que nunca foi sócio dele e que a Casa Civil não participou do pregão. Já o Governo do Paraná declarou que mantém regras rígidas de controle, compliance e transparência. A gestão também sustentou que os ex-secretários citados não são investigados.
Essas manifestações precisam constar. No entanto, elas não eliminam o desgaste político. O caso devolve o nome de Guto ao noticiário negativo. Ao mesmo tempo, impõe novo constrangimento ao grupo de Ratinho Junior.
A crise política já começou
É importante registrar um ponto essencial. A quebra de sigilo não prova culpa e não autoriza condenação antecipada. Mesmo assim, ninguém pode tratar essa decisão como um ato rotineiro. Quando a Justiça decide seguir a trilha bancária de um contrato milionário, ela deixa claro que enxergou elementos suficientes para aprofundar a apuração.
No plano criminal, a investigação ainda vai dizer o que de fato ocorreu. No plano político, porém, o estrago já começou. Ratinho Junior e Guto Silva agora convivem com uma pergunta incômoda. O caso revela apenas bravatas de bastidor ou expõe um esquema montado para manipular a licitação e distribuir vantagens indevidas?





