Ameaça contra Gabriel Bertolucci e Marcos Formighieri expõe o submundo político que tenta calar denúncias no Paraná
A ameaça contra Gabriel Bertolucci não pode ser tratada como excesso de linguagem, desabafo de rede social ou briga menor de internet. Trata-se de um fato grave. E, por isso, exige reação pública, institucional e imediata. Quando um comunicador denuncia problemas de uma cidade e, logo depois, passa a receber mensagens intimidatórias, o debate deixa de ser apenas político. Ele entra no terreno da segurança, da liberdade de expressão e da responsabilidade do poder público.
Os prints enviados ao O Diário de Maringá mostram mensagens atribuídas ao perfil durap.suburbano com conteúdo claramente intimidatório. Em uma delas, aparece a frase “eu vou te pegar”. Em outra, surge uma ameaça ainda mais séria, com referência direta a violência letal. Isso não é crítica. Isso não é contraponto. Isso é intimidação.

Além disso, o caso ganha peso maior porque, segundo o relato encaminhado ao jornal, o perfil foi associado a Anderson Santos Fermino, apontado como pessoa ligada à estrutura municipal de Paranaguá. Neste momento, a autoria definitiva das mensagens e a vinculação formal do perfil dependem de apuração oficial. Ainda assim, a gravidade do material já impõe uma providência mínima: investigação imediata. Se houver confirmação de autoria e vínculo com função pública, a exoneração deixará de ser opção política e passará a ser dever administrativo.
O problema não é só a ameaça, mas o método
Paranaguá já convive com críticas antigas sobre infraestrutura urbana, saneamento e qualidade de serviços. Um levantamento repercutido pela imprensa paranaense apontou, índice alarmante de infestação de roedores, com a marca de 17 ratos por morador. O dado precisa de atualização oficial, mas revela que o problema sanitário já era conhecido .

Portanto, a questão central é simples. Em vez de responder com transparência a denúncias sobre a cidade, alguém resolveu responder com intimidação. Esse é o retrato mais preocupante. Quando o poder, ou quem orbita ao redor dele, tenta calar o mensageiro, mostra que perdeu a capacidade de enfrentar o conteúdo da denúncia.
O prefeito Adriano Ramos precisa falar
Adriano Ramos tomou posse como prefeito de Paranaguá em janeiro de 2025. Logo, não cabe omissão diante de um episódio que mistura pressão política, ameaça e possível relação com agente da administração. O prefeito precisa dizer, com clareza, se o nome citado integra ou não a estrutura municipal. E, além disso, precisa informar quais medidas adotará para preservar a credibilidade da gestão.
Silêncio, nesse caso, não protege a prefeitura. Ao contrário. Silêncio amplia a suspeita de tolerância.
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O Paraná já viu esse roteiro antes
O caso também lembra outro episódio recente de intimidação contra profissional de comunicação no Paraná. A Gazeta do Paraná noticiou investigação policial após ameaça dirigida ao jornalista Marcos Formighieri. Por isso, o novo episódio não pode ser relativizado como fato isolado. Há sinais de um ambiente cada vez mais hostil a quem incomoda estruturas de poder no Estado.
O que precisa acontecer agora
A Polícia Civil deve apurar a autoria das mensagens. O Ministério Público precisa acompanhar o caso. A Secretaria de Segurança do Paraná deve tratar o episódio com seriedade. E a Prefeitura de Paranaguá tem obrigação de esclarecer, sem rodeios, se há servidor, comissionado ou pessoa vinculada à administração envolvida no episódio.
Quem denuncia abandono urbano, falhas de gestão e crise nos serviços públicos não pode receber ameaça como resposta. O Paraná não pode aceitar que a crítica seja enfrentada com medo. E Paranaguá não pode permitir que a política desça ao nível da intimidação.
Esse vídeo que causou a ameaça de morte:





