Por que Altamir da Lotérica e Belino Bravin conseguem transferir votos e Ratinho Junior não?
A pesquisa Quaest expôs uma fragilidade incômoda para Ratinho Junior: marketing, dinheiro, estrutura política e apoio de emissoras não garantem transferência automática de votos para Sandro Alex.
Em uma roda de amigos, surgiu uma comparação inevitável. Em Maringá, Altamir da Lotérica conseguiu eleger o filho Diogo Altamir em poucos dias de campanha. Belino Bravin, por sua vez, praticamente elegeu dois filhos. Nenhum deles contou com a máquina do Palácio Iguaçu. Mesmo assim, ambos demonstraram algo que o governo parece não conseguir repetir: confiança direta com o eleitor.
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Voto não obedece a decreto
Transferir voto não é mandar recado para prefeito, pressionar base aliada ou ameaçar quem pensa diferente. Esse tipo de gesto pode até produzir silêncio político, mas não gera convencimento popular.
Altamir e Bravin conseguiram transferir capital político porque caminham nas ruas, conhecem as comunidades e falam com pessoas reais. Eles não dependem apenas de marqueteiro. A força nasce do olho no olho.
Ratinho Junior, ao contrário, parece acreditar que aprovação administrativa, propaganda oficial e estrutura de poder bastam. No entanto, Sandro Alex segue longe do Palácio Iguaçu, pelo menos no retrato atual da pesquisa.
Marketing não substitui compromisso
O governo vende um Paraná eficiente, livre e em paz. Porém, muita gente encontra outro Paraná no dia a dia. Há obras prometidas que não chegam, pedágio caro, municípios esperando recursos e serviços públicos que continuam exigindo resposta.
Além disso, Ratinho Junior já demonstrou desconhecimento simbólico do próprio estado ao confundir, em entrevista, o rio que divide o Paraná de São Paulo. Esse tipo de episódio pesa. Afinal, quem não conhece bem o território dificilmente convence o eleitor de que entende suas necessidades.
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A lição de Altamir e Bravin
Altamir da Lotérica e Belino Bravin têm algo que a estrutura do Palácio Iguaçu não compra: autenticidade política. Os dois construíram presença antes de pedir voto. Por isso, não precisam parecer próximos; eles são próximos.
Essa é a diferença central.
A propaganda tenta vender uma imagem. A convivência diária constrói confiança. Enquanto o governo investe pesado em narrativa, lideranças locais como Altamir e Bravin investiram anos em presença. Já Ratinho tenta transferir força de cima para baixo, enquanto eles transferiram credibilidade de dentro para fora.
O básico ainda vence eleição
Talvez Ratinho Junior devesse ter procurado Altamir e Bravin antes de trocar candidato, pressionar aliados ou imaginar que bastaria apontar um nome para a base obedecer.
No fim, a política continua simples. O eleitor pode até assistir à propaganda, mas decide com base naquilo que sente, vive e escuta na própria cidade.
Ratinho Junior pode ter dinheiro, equipe, mídia e estrutura. Contudo, se não entregar o que promete, se não conhecer de verdade as necessidades dos municípios e se não falar com o eleitor sem filtro publicitário, continuará enfrentando dificuldade para transferir votos.
Altamir da Lotérica e Belino Bravin talvez não tenham o tamanho da máquina do governo. Mas têm algo que Sandro Alex ainda não recebeu de Ratinho: confiança transferível.
E, em eleição, confiança vale mais que qualquer peça de marketing.




