Lavou o bigode com detergente Ypê. Agora Fahur vai passar óleo de peroba na cara para ignorar denúncias envolvendo aliados?
Fahur usa o mandato como picadeiro
O deputado federal Sargento Fahur gosta de aparecer nas redes sociais como símbolo da indignação política. Ele grita, ironiza, faz vídeos e tenta vender a imagem de fiscal implacável da moralidade pública.
Foi assim quando apareceu lavando o bigode com detergente para atacar uma decisão técnica da Anvisa. O vídeo viralizou. No entanto, a pergunta agora ficou maior: Fahur também vai passar óleo de peroba na cara para fingir que não vê denúncias quando elas atingem seus aliados?
Flávio, Vorcaro e o filme de Bolsonaro
Reportagens nacionais afirmam que Flávio Bolsonaro buscou apoio financeiro milionário com Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master, para viabilizar um filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidade e diz que se tratava de negociação privada.
Mesmo com a negativa, o caso exige explicação pública. Afinal, por que um senador procuraria um banqueiro cercado de polêmicas para financiar uma produção política sobre o próprio pai?
Se o personagem fosse de esquerda, Fahur estaria calado?
E os escândalos do Paraná?
No Paraná, o silêncio de Fahur também chama atenção. O deputado não aparece cobrando explicações sobre denúncias e suspeitas envolvendo o entorno político do governador Ratinho Junior.
Entre os temas que merecem resposta estão Banco Master, Tayaya, possíveis propinas, suposto caixa dois envolvendo a Sanepar e questionamentos sobre o programa Olho Vivo.
Todos esses assuntos são graves. Ainda assim, Fahur parece fazer de conta que não vê.
E Adriano José?
A cobrança também alcança o deputado estadual Adriano José, apontado como aliado próximo e fiel escudeiro político de Fahur.
Adriano José já foi alvo de denúncia envolvendo suposta “rachadinha”, expressão usada para descrever suspeita de retenção ou devolução irregular de parte dos salários de assessores. A denúncia ainda precisa passar pelo crivo das autoridades competentes, e o deputado tem direito à defesa.
Apesar disso, o caso levanta uma pergunta legítima: por que Fahur, tão barulhento em outros temas, não cobra explicações públicas do próprio aliado?
A indignação do deputado só vale contra adversários?
Coragem seletiva
Fahur construiu sua imagem em cima de vídeos duros contra corrupção. Contudo, quando o assunto envolve figuras do seu campo político, o tom muda. O grito some. A cobrança desaparece. O fiscal vira espectador.
Por isso, críticos falam em coragem seletiva.
O eleitor paga salário, gabinete, assessores e estrutura pública para que um deputado fiscalize todos os lados. Não apenas os adversários.
Luiz Neto cobra estudo para instalar TVs no Hospital Municipa
Muito teatro e pouca entrega
Fahur sabe produzir conteúdo. Também sabe viralizar. Além disso, domina como poucos a arte de transformar política em espetáculo. Entretanto, o Paraná precisa de mais do que vídeos, piadas e encenações.
O Estado precisa de deputado que cobre explicações sobre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. Também precisa de parlamentar que questione o Banco Master. Mais ainda: precisa de voz pública para cobrar respostas sobre Sanepar, Olho Vivo e denúncias envolvendo aliados estaduais.
Acima de tudo, precisa de coerência.
Depois do detergente no bigode, a pergunta continua no ar: Fahur vai fiscalizar os amigos ou vai passar óleo de peroba na cara e fingir que não está vendo nada?
Imagem da manchete feita por IA




