Rosângela Moro e Tião Medeiros: se estivessem em 1888, com o Brasil República, votariam pela liberdade ou pela economia dos senhores de engenho?

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A Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, a PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. O placar foi de 472 votos a favor, 22 contra, 1 obstrução e 18 sem voto registrado.

A proposta estabelece jornada de 40 horas semanais, em cinco dias de trabalho e dois de descanso. Além disso, o texto prevê transição e ainda precisa cumprir as próximas etapas legislativas. Após a aprovação na Câmara, a PEC segue para análise do Senado.

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Quem votou contra o fim da escala 6×1

No PL, votaram contra Paulo Marinho Jr., Nicoletti, Bibo Nunes, Mauricio Marcon, Caroline de Toni, Daniel Freitas, Daniela Reinehr, Julia Zanatta, Ricardo Guidi, Zé Trovão e Rosangela Moro.

Já no Novo, ficaram contra Marcel van Hattem, Gilson Marques, Adriana Ventura e Ricardo Salles. Além disso, Luiz Lima, também do Novo, registrou obstrução.

Pelo MDB, votaram contra Carlos Chiodini e Pezenti. Enquanto isso, no União Brasil, Fabio Schiochet e Fausto Pinato também rejeitaram a proposta.

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No PSD, Lucas Redecker votou contra. Por sua vez, o PP teve Sérgio Turra entre os contrários. Além disso, Kim Kataguiri, do Missão, também votou contra o fim da escala 6×1.

Quem não registrou voto

A lista de parlamentares sem voto registrado inclui Adolfo Viana e Arnaldo Jardim, do PSDB. Também aparecem João Carlos Bacelar, Luiz P.O Bragança e Roberto Monteiro, do PL.

No PSD, Newton Cardoso Jr. não registrou voto. Além disso, no PP, ficaram sem voto Dilceu Sperafico, Padovani, Tião Medeiros e Guilherme Derrite.

Entre os parlamentares do Republicanos, Pedro Lupion e Geovania de Sá aparecem sem voto registrado. Da mesma forma, Sergio Souza e Cobalchini, do MDB, também não registraram voto.

A lista ainda inclui Afonso Motta, do PDT, Alexandre Leite, do União Brasil, e José Priante.

Voto nominal expõe posição de cada deputado

A votação teve apoio amplo. No entanto, a lista nominal mostra quem resistiu à redução da jornada e quem não registrou posição no painel.

Embora alguns partidos tenham orientado apoio à proposta, parlamentares dessas mesmas siglas votaram contra ou ficaram sem voto registrado. Por isso, o voto nominal ganha relevância política.

Na prática, o painel revela mais do que o discurso partidário. Ele mostra quem defendeu a redução da jornada e quem preferiu manter o atual modelo da escala 6×1.

Debate econômico divide argumentos

Os críticos do fim da escala 6×1 afirmam que a redução da jornada pode aumentar custos, afetar empresas e prejudicar setores que dependem de funcionamento contínuo.

Por outro lado, defensores da mudança sustentam que trabalhador exausto não produz melhor. Segundo essa visão, mais tempo no serviço nem sempre significa mais produtividade.

Esse ponto é central no debate. Afinal, presença física não representa, necessariamente, eficiência. Muitas vezes, jornadas longas ampliam o cansaço, reduzem a qualidade do trabalho e pressionam a saúde dos trabalhadores.

Mais horas não significam mais produtividade

Países desenvolvidos já trabalham com jornadas menores ou modelos mais flexíveis. A França, por exemplo, tem jornada legal de 35 horas semanais. Além disso, países europeus como Alemanha, Holanda, Dinamarca, França e Bélgica aparecem entre economias de alta produtividade por hora trabalhada.

A produtividade, portanto, depende de fatores como tecnologia, gestão, qualificação, organização e eficiência. Não depende apenas de manter o trabalhador mais tempo dentro da empresa.

No Brasil, o problema não está no excesso de descanso. Está, sobretudo, em modelos ruins de gestão, baixos salários, transporte precário, informalidade, pouca inovação e empresas que tentam compensar desorganização com mais horas de trabalho.

O falso medo do prejuízo

Outro argumento contra o fim da escala 6×1 envolve o suposto impacto insuportável para empresas. Porém, a proposta prevê transição. Além disso, permite negociação para organizar setores específicos.

Ou seja, o debate real deveria tratar de organização de escalas, contratação adequada, redução da rotatividade e aumento da eficiência.

Empresas que dependem da exaustão permanente do trabalhador talvez precisem rever o próprio modelo. Afinal, a conta da escala 6×1 não recai apenas sobre o funcionário.

A família paga. A saúde pública paga. A produtividade paga. O comércio local também paga, porque o trabalhador sem tempo consome menos lazer, cultura, descanso e convivência.

Uma mudança de mentalidade

A escala 6×1 virou símbolo de uma desigualdade antiga no Brasil. De um lado, milhões de trabalhadores pedem tempo para viver, cuidar dos filhos, estudar e descansar. De outro, parte do setor político e econômico ainda trata direito social como ameaça.

A comparação histórica exige cuidado. A escala 6×1 não equivale juridicamente à escravidão. No entanto, parte dos argumentos usados contra a mudança lembra discursos antigos contra avanços sociais: “a economia não aguenta”, “o patrão vai quebrar” e “o país não está preparado”.

Toda conquista trabalhista enfrentou resistência antes de virar normalidade. Foi assim com férias, 13º salário, descanso semanal, carteira assinada e limite de jornada.

Portanto, votar contra o fim da escala 6×1 não representa apenas uma posição sobre jornada. Também revela uma visão sobre trabalho, produtividade e dignidade.

Um país que só cresce quando seu povo não descansa precisa discutir, com seriedade, que tipo de desenvolvimento deseja construir.

A deputada federal por São Paulo Rosangela Moro, esposa do senador Sergio Moro, pré-candidato ao Governo do Paraná, votou contra o fim da escala 6×1. Já o deputado federal Tião Medeiros, de Paranavaí, não registrou voto na proposta.

Na prática, a ausência do voto de Tião Medeiros acabou gerando questionamentos políticos. Afinal, quando um tema divide empresários e trabalhadores, não votar também transmite uma mensagem. Para críticos da postura, deixar de se posicionar em uma pauta que afeta milhões de trabalhadores pode ser interpretado como tentativa de evitar desgaste político tanto com patrões quanto com empregados.

Mesmo assim, o painel da Câmara acabou expondo quem assumiu posição clara e quem preferiu não aparecer diretamente no placar de uma das votações trabalhistas mais relevantes dos últimos anos.

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Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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