Gestão Geny Violatto pagou R$ 45 mil a mais pela mesma dupla contratada por Nova Fátima

Gestão Geny Violatto pagou R$ 45 mil a mais pela mesma dupla contratada por Nova Fátima


A gestão da prefeita Geny Violatto, em Santo Inácio, desembolsou R$ 120 mil para a apresentação da dupla Jeann & Julio durante o réveillon de 2025. O valor chamou a atenção porque, entre todos os contratos públicos localizados da dupla nos anos de 2025 e 2026, esse foi o maior cachê encontrado até o momento.

A Prefeitura de Santo Inácio realizou o pagamento em 30 de dezembro de 2025, um dia antes das festividades da virada do ano. A contratação ocorreu por meio da Inexigibilidade nº 15/2025 e do Contrato nº 83/2025.

Além disso, o documento oficial mostra que o pagamento saiu de recursos ordinários livres do município e foi registrado na Divisão de Cultura, dentro da ação destinada à realização de eventos oficiais, culturais e turísticos.

Enquanto isso, moradores continuam demonstrando insatisfação com a situação das ruas e avenidas da cidade, que apresentam buracos em diversos pontos. Dessa forma, além do valor do show, o caso passou a alimentar uma discussão sobre as prioridades adotadas pela administração municipal.



Nova Fátima contratou a mesma dupla por R$ 75 mil apenas 19 dias antes

A comparação mais próxima encontrada envolve o município de Nova Fátima, também localizado no Norte do Paraná.

No dia 12 de dezembro de 2025, apenas 19 dias antes da apresentação em Santo Inácio, Jeann & Julio se apresentaram na 1ª Festa do Rodeio daquele município pelo valor de R$ 75 mil.

Além disso, a contratação ocorreu por meio da mesma empresa responsável pela agenda da dupla, a RCR Produções Musicais Ltda.

Assim, a gestão Geny Violatto pagou:

  • R$ 45 mil a mais;
  • 60% acima do valor pago por Nova Fátima;
  • o equivalente a 1,6 vez o valor desembolsado pelo outro município.

Portanto, a diferença de preços passou a ser um dos principais pontos de questionamento envolvendo a contratação.

Distância entre as cidades dificilmente explica a diferença

A empresa responsável pela comercialização dos shows possui sede em Londrina.

A distância entre Londrina e Nova Fátima é de aproximadamente 85 quilômetros. Já o trajeto entre Londrina e Santo Inácio é de cerca de 118 quilômetros.

Consequentemente, a diferença logística entre os dois destinos é de aproximadamente 33 quilômetros.

É verdade que custos com deslocamento, hospedagem, alimentação e equipe técnica podem influenciar o valor final de uma apresentação. Ainda assim, a pequena diferença de percurso dificilmente explicaria, sozinha, um aumento contratual de R$ 45 mil.

Santo Inácio liderou o ranking dos contratos encontrados em 2025

Os contratos públicos localizados em 2025 mostram que os cachês da dupla variaram entre R$ 38 mil e R$ 120 mil.

MunicípioValor
Céu Azul (PR)R$ 38 mil
Ariranha do Ivaí (PR)R$ 60 mil
Rio Negrinho (SC)R$ 72 mil
Cruzália (SP)R$ 75 mil
Nova Fátima (PR)R$ 75 mil
Palmeira (PR)R$ 79 mil
Primeiro de Maio (PR)R$ 85 mil
Alto Paraíso (PR)R$ 90 mil
Tejupá (SP)R$ 103 mil
Santo Inácio (PR)R$ 120 mil

A média dos contratos localizados em 2025 ficou próxima de R$ 79,7 mil.

Dessa forma, Santo Inácio pagou aproximadamente R$ 40,3 mil acima da média encontrada naquele ano.

Além disso, o município desembolsou R$ 17 mil a mais que Tejupá, responsável pelo segundo maior contrato localizado em 2025.

Nem os contratos de 2026 superaram o valor pago pela gestão Geny Violatto

Os contratos localizados em 2026 também ficaram abaixo dos R$ 120 mil pagos por Santo Inácio.

MunicípioValor
Guaramirim (SC)R$ 60 mil
Grandes Rios (PR)R$ 65 mil
Nossa Senhora das Graças (PR)R$ 75 mil
Ponta Grossa (PR)R$ 90 mil
Emilianópolis (SP)R$ 96 mil

Assim, mesmo com a inclusão dos contratos mais recentes, Santo Inácio continuou liderando o levantamento.

Além disso, a gestão Geny Violatto pagou R$ 24 mil a mais que Emilianópolis, R$ 30 mil a mais que Ponta Grossa e R$ 45 mil a mais que Nova Fátima.

O réveillon pode explicar parte do valor, mas não elimina os questionamentos

É natural que apresentações realizadas durante a virada do ano tenham preços superiores aos praticados em outras épocas do ano. Afinal, a procura por artistas costuma aumentar significativamente nesse período.

Ainda assim, a justificativa do réveillon não encerra a discussão.

Isso porque a legislação aplicada às contratações por inexigibilidade exige a demonstração da compatibilidade entre o valor contratado e os preços praticados pelo mercado.

Portanto, cabe ao processo administrativo demonstrar quais fatores específicos justificaram o pagamento de R$ 120 mil pela apresentação em Santo Inácio.

Recursos livres poderiam ter sido destinados a outras prioridades

Outro ponto que passou a ser discutido pela população envolve justamente a origem dos recursos utilizados na contratação.

Contratos, parentesco e elogios públicos: em Santo Inácio, fica tudo em família?

O documento de pagamento mostra que a Prefeitura utilizou recursos ordinários livres do município. Em outras palavras, tratava-se de recursos próprios cuja destinação é definida pela administração municipal dentro do planejamento orçamentário e das regras legais vigentes.

Isso significa que, antes da definição das prioridades do orçamento, a gestão poderia optar por direcionar esses recursos para outras áreas consideradas mais urgentes pela população.

Entre essas possibilidades estavam operações de tapa-buracos, recuperação de ruas e avenidas, manutenção da malha viária urbana ou reforço em outras demandas da infraestrutura municipal.

Naturalmente, os R$ 120 mil não resolveriam todos os problemas do asfalto de Santo Inácio. Entretanto, o valor poderia contribuir para recuperar pontos críticos, adquirir massa asfáltica ou complementar serviços de manutenção em vias que apresentam maior deterioração.

Enquanto a gestão investiu no espetáculo, moradores continuaram cobrando asfalto

Eventos culturais e festas populares movimentam o comércio, atraem visitantes e geram renda para diversos setores da economia local.

Por outro lado, a administração pública precisa equilibrar investimentos em lazer com as necessidades mais básicas da população.

Quando moradores convivem diariamente com ruas esburacadas, surge inevitavelmente a comparação entre o investimento realizado em eventos e os recursos destinados à infraestrutura urbana.

Assim, a discussão deixa de ser apenas sobre o preço do show e passa a envolver as escolhas feitas pela administração municipal.

Em Santo Inácio, o show não pode parar e os buracos também não

Os números mostram que a gestão Geny Violatto pagou o maior cachê encontrado para Jeann & Julio entre os contratos públicos localizados em 2025 e 2026.

Além disso, Santo Inácio desembolsou 60% a mais que Nova Fátima pela mesma dupla, contratada pela mesma empresa apenas 19 dias antes.

Por isso, para muitos moradores, a resposta para a polêmica não está apenas no mercado de eventos, mas principalmente na definição das prioridades do município.

Enquanto os recursos livres financiaram uma única noite de espetáculo, a população continua aguardando soluções para um problema que permanece diariamente diante dos olhos de todos.

Em Santo Inácio, para a gestão da prefeita Geny Violatto, o show não pode parar. Entretanto, os buracos nas ruas e avenidas da cidade também não param de brotar.

Do jeito que a gestão Geny Violatto gosta de gastar dinheiro com shows, temos uma sugestão: poderia até organizar a Festa do Carneiro no Buraco. Recursos a prefeita parece ter; o que talvez faltassem seriam carneiros suficientes para tantos buracos espalhados pela cidade.

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Redação O Diário de Maringá

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