Entre a preservação ambiental e o engajamento digital, Hang escolheu os likes

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Luciano Hang fala em perseguição, mas suspensão da pesca da tainha seguiu regra ambiental e cota de 2026 foi maior que a de 2025

A suspensão da pesca da tainha na modalidade de arrasto de praia em Santa Catarina virou combustível político nas redes sociais. O empresário Luciano Hang, dono da Havan, criticou a decisão do Ministério da Pesca e Aquicultura e classificou a medida como “absurda, vergonhosa e revoltante”. No entanto, os dados oficiais mostram uma realidade bem diferente da narrativa de perseguição.

A pesca da tainha não foi proibida de forma definitiva. Além disso, a tradição catarinense não foi extinta por uma decisão repentina de gabinete. O que ocorreu foi o encerramento da captura na modalidade de arrasto de praia porque o país atingiu 90% da cota coletiva autorizada para a temporada de 2026. A própria comunicação oficial do Ministério da Pesca informou que a medida tem caráter preventivo e busca evitar que a captura ultrapasse o limite definido para a safra.

Portanto, antes de falar em perseguição, é preciso olhar para os números.

Em 2025, a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 26 estabeleceu limite total de 6.795 toneladas para a pesca da tainha. Já em 2026, a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51 fixou o limite total em 8.168 toneladas. Ou seja, a cota deste ano foi maior, não menor.

O próprio Ministério da Pesca informou que a cota de 2026 teve aumento de cerca de 20% em relação ao ano anterior. Além disso, o governo afirmou que o limite foi definido com base na avaliação de estoque mais recente da espécie, elaborada em 2025.

O discurso político ignora uma parte essencial do debate

Luciano Hang tem direito de defender os pescadores e criticar o governo. Isso faz parte do debate público. Entretanto, transformar uma regra ambiental em “caça às tradições” simplifica demais um tema que envolve economia, cultura, ciência e preservação.

A pesca da tainha faz parte da identidade de Santa Catarina. Ela movimenta comunidades, gera renda e preserva uma prática histórica do litoral. No entanto, tradição não elimina a necessidade de controle. Pelo contrário, se a tainha desaparecer ou diminuir drasticamente, quem mais sofrerá será justamente o pescador artesanal.

Por isso, a pergunta correta não é se a pesca da tainha deve acabar. A pergunta correta é: como garantir que a pesca continue existindo nos próximos anos?

Não houve redução da cota; houve controle após avanço da captura

O ponto central é simples. A safra de 2026 autorizou mais captura do que a safra anterior. Porém, quando a modalidade de arrasto de praia atingiu 90% do limite coletivo, o governo determinou a suspensão para evitar estouro da cota.

Em outras palavras, a decisão não nasceu de perseguição a Santa Catarina. Ela nasceu de uma regra previamente publicada, com limite numérico, monitoramento e gatilho de encerramento.

É legítimo questionar se a metodologia usada pelo governo é a melhor. Também é legítimo cobrar mais diálogo com pescadores artesanais. No entanto, dizer que a medida foi simplesmente uma perseguição contra a cultura catarinense não se sustenta nos dados oficiais.

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A tradição precisa do peixe vivo

Defender o pescador artesanal não pode significar ignorar o meio ambiente. Se a captura não tiver limite, o estoque da espécie fica ameaçado. Se o estoque cai, a pesca perde força. E, se a pesca perde força, a tradição vira apenas memória.

Portanto, preservar a tainha também é preservar a cultura da tainha.

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O discurso de Hang pode gerar engajamento nas redes sociais, mas o problema real exige mais responsabilidade. A pesca artesanal merece respeito, apoio e menos burocracia desnecessária. Contudo, o mar também precisa de limite, fiscalização e planejamento.

A crítica pode até render likes, mas os números contam outra história

Ao apresentar a suspensão como ataque à tradição catarinense, Luciano Hang tenta colar uma narrativa política em uma decisão técnica. Porém, a cota de 2026 foi maior que a de 2025. A suspensão ocorreu porque a captura avançou rapidamente e chegou perto do limite permitido.

Assim, o debate precisa sair do grito fácil e entrar no campo dos fatos.

Não se trata de acabar com a pesca da tainha. Trata-se de impedir que a pesca de hoje comprometa a pesca de amanhã.

Crédito de Imagem: Foto: Havan/Divulgação/ND Mais

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Redação O Diário de Maringá

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