Vídeos de mortos e feridos seriam vendidos por policiais militares, aponta denúncia
Deputados acionam Gaeco por venda de vídeos de tortura atribuída a PMs no Paraná
Denúncia aponta canal no Telegram com mais de 100 assinantes e cobrança mensal de R$ 20 para acesso a imagens de violência.
O deputado estadual Arilson Chiorato (PT), líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e presidente do PT-PR, acionou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Promotoria de Proteção aos Direitos Humanos do Estado do Paraná. A representação pede a apuração de um esquema que comercializaria vídeos e imagens com indícios de tortura, agressões e outras formas de violência. O deputado estadual Renato Freitas (PT) também assina o documento.
Segundo a denúncia, policiais militares seriam os autores e donos do perfil investigado. Um perfil no Instagram anunciaria o acesso, mediante pagamento, a um grupo privado no Telegram. A representação não informa a data de início das atividades relatadas.
Cobrança mensal de R$ 20 libera acesso ao grupo
A página cobraria R$ 20 por mês para liberar a entrada no grupo privado. Ali, o material divulgado incluiria imagens sem censura de pessoas feridas, mortas ou submetidas à violência física. A denúncia cita ainda registros de abordagens policiais, apreensões e outros conteúdos classificados como de extrema gravidade.
O grupo teria mais de 100 assinantes. Segundo os deputados, os administradores atualizariam o conteúdo semanalmente, com novos vídeos e imagens, o que indicaria divulgação contínua.
Parlamentares pedem sigilo e preservação de provas
Os deputados solicitam prioridade máxima na análise do caso. Também pedem preservação imediata das provas digitais e tramitação sob sigilo, diante da gravidade dos fatos narrados.
Para os parlamentares, a divulgação e a eventual comercialização do conteúdo podem configurar, em tese, divulgação de material de extrema violência, vilipêndio da dignidade humana e possível incitação à violência. Por isso, a representação pede a identificação da origem das imagens, a verificação de participação de terceiros e a responsabilização dos envolvidos.
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Assim, os parlamentares afirmam que os elementos apresentados justificam a apuração de possíveis ilícitos penais, civis e administrativos.
Deputado defende identificação de responsáveis
Para Arilson, identificar e afastar os responsáveis fortalece a instituição. “Quem comete crime usando a farda precisa responder por seus atos. A imensa maioria dos policiais militares do Paraná honra a instituição e protege a população todos os dias. Justamente por isso, é essencial identificar e afastar quem desrespeita a lei e envergonha toda uma corporação. Combater a corrupção fortalece a Polícia Militar, valoriza os bons profissionais e aumenta a confiança da sociedade nas forças de segurança”, afirmou o deputado.
Segundo Arilson, responsabilizar eventuais envolvidos é fundamental para preservar a credibilidade da corporação. Dessa forma, condutas criminosas não se confundem com o trabalho da maioria dos profissionais da Polícia Militar.
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Até a publicação desta reportagem, a Polícia Militar do Paraná não havia se manifestado sobre a denúncia.
Imagem da manchete feita por ia para ilustrar matéria
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