Dificuldade para falar, entender ou escrever pode indicar afasia, alteração neurológica da linguagem

Dificuldade para falar, entender ou escrever pode indicar afasia, alteração neurológica da linguagem


No mês de conscientização, CREFONO3 reforça a importância da atuação do fonoaudiólogo no diagnóstico e da reabilitação para preservar autonomia

Responder uma pergunta, escrever uma mensagem ou participar de uma conversa em família muitas vezes são ações tão automáticas que nem percebemos a complexidade delas. Para que a comunicação aconteça, o cérebro precisa compreender sons, palavras e significados, além de organizar pensamentos, para assim escolher os termos adequados e enviar os comandos à fala. 
Quando esse sistema é afetado por uma lesão ou condição neurológica, a linguagem pode ser comprometida em diferentes níveis. A pessoa pode ter dificuldade para encontrar palavras, compreender o que é dito e formular frases, mesmo com outras capacidades cognitivas sendo preservadas. 
Junho é o  Mês de Conscientização da Afasia, e o Conselho Regional de Fonoaudiologia do Paraná e Santa Catarina (CREFONO3) chama atenção para o tema para que a condição, frequentemente confundida com desatenção, confusão mental ou perda da capacidade intelectual, seja devidamente diagnosticada e, desta forma, favoreça o tratamento para que a linguagem seja processada. 
A afasia é definida como um distúrbio de linguagem de origem neurológica, que pode comprometer tanto a linguagem falada quanto a escrita, e pode ser desencadeada após diferentes condições.
De acordo com Roxele Ribeiro Lima, fonoaudióloga, CRFa 8571, do CREFONO3 e especialista em Distúrbios da Comunicação Neurológica em Joinville (SC), um dos pontos centrais é compreender que a afasia não está relacionada à perda de inteligência. “A pessoa com afasia expressa suas ideias da mesma forma que conseguia antes. O problema está na linguagem, não na capacidade de pensar ou sentir. Embora as dificuldades de comunicação possam influenciar a forma como a pessoa participa das decisões, ela continua tendo opiniões, desejos e sentimentos”, explica. 
Embora seja frequentemente associada ao AVC, a afasia não deve ser reduzida a uma única causa. O AVC aparece como uma das condições mais conhecidas porque pode afetar regiões cerebrais ligadas à linguagem. Estudos publicados na área fonoaudiológica apontam que a prevalência de afasia após AVC pode variar entre 15,2% e 42%, com referência de 22,6% no Brasil. 
Na rotina, os impactos podem ser profundos. O tratamento não se resume à fala. A reabilitação precisa considerar como a pessoa se expressa, quais habilidades permanecem preservadas e as situações do cotidiano que se tornaram mais difíceis. Nesse processo, a Fonoaudiologia tem papel fundamental na avaliação da linguagem e definição de estratégias terapêuticas. 
“A reabilitação não busca apenas recuperar palavras. Ela trabalha possibilidades reais de comunicação. Em alguns casos, isso envolve falar; em outros, leitura, escrita, gestos, imagens, recursos alternativos e estratégias para que a pessoa volte a se expressar com mais segurança no cotidiano”, destaca a especialista. 
A afasia evidencia que comunicação é um direito essencial para autonomia, reconhecer os sinais, buscar avaliação especializada e adaptar a forma de se comunicar são medidas que reduzem barreiras e ajudam a preservar a participação social de quem convive com a condição. O mês de conscientização reforça a necessidade de transformar informação em acolhimento e reabilitação. 

SOBRE O CREFONO3
O Conselho Regional de Fonoaudiologia – 3ª Região (CREFONO 3), atuante no Paraná e em Santa Catarina, constitui, em conjunto com o Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa), uma autarquia federal. É responsável por zelar pelo cumprimento das leis, normas e atos que norteiam o exercício da fonoaudiologia, a fim de proteger a integridade moral da profissão, dos profissionais e dos usuários diretos.
Ao zelar pelo exercício regular da profissão, o CREFONO3 protege o fonoaudiólogo daqueles que exercem inadequadamente ou ilegalmente a profissão, além de proporcionar melhores condições para que a população tenha um atendimento adequado ao consultar o profissional.

Roxele Ribeiro Lima, fonoaudióloga, CRFa 8571, do CREFONO3 e especialista em Distúrbios da Comunicação Neurológica em Joinville está disponível para entrevistas

TV Diário

Francielli

Jornalista com quase 20 anos de experiência. Sua carreira está dividida em mais de 10 anos como produtora, pauteira e editora chefe de TV e alguns bons anos como assessora de imprensa. Apaixonada por novidades, tendências e viagens.

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