Flávio Mantovani sai em defesa das mulheres: “Se a mulher faz pouco voto, enfrenta processo; o homem, muitas vezes, não”
Vereador afirmou que a acusação contra a chapa do PSD foi rejeitada em diferentes instâncias, apresentou seu histórico de votações e disse que não precisava de candidaturas fictícias para conquistar a cadeira na Câmara de Maringá
O vereador Flávio Mantovani usou a tribuna da Câmara Municipal de Maringá nesta quinta-feira, 6 de agosto, para comemorar as decisões que, segundo ele, afastaram a acusação de fraude à cota de gênero contra a chapa do Partido Social Democrático (PSD) nas eleições municipais.
Mantovani afirmou que a ação questionava a candidatura de uma mulher que recebeu poucos votos. Segundo o vereador, a Justiça não reconheceu a existência de candidatura fictícia.
“Essa ação foi julgada improcedente aqui em primeira instância, ou seja, já se comprovou que não houve fraude à cota de gênero nenhuma em primeira instância, em segunda e agora em terceira instância”, declarou.
O parlamentar disse que ainda não sabe se haverá novo recurso, mas ressaltou que as decisões já proferidas afastaram a acusação apresentada contra o partido.
“Esse processo caiu. Sei lá eu se vai ter recurso ainda, se não vai, mas o interessante é dizer que não existiu fraude alguma”, afirmou.
Mantovani apresenta votação própria e rejeita uso de artimanhas
Durante o pronunciamento, Flávio Mantovani também apresentou o histórico das votações que recebeu nas três eleições municipais que disputou.
O vereador afirmou que conquistou 5.971 votos na primeira eleição, 6.434 votos na segunda e 5.063 votos na disputa mais recente. Segundo o cálculo apresentado por ele, a média chegou a 5.822 votos por eleição.
Mantovani usou os números para sustentar que não precisava de candidaturas com baixa votação para garantir sua eleição.
“Quem me conhece sabe. Eu consigo fazer meus votos sem ter que utilizar artimanha nenhuma”, disse.
O parlamentar também questionou qual vantagem teria ao contar com candidatos que receberam 11, 20 ou 50 votos dentro da chapa.
“Que vantagem tenho eu em colocar candidatos do meu partido que fazem pouco voto? Para somar o quê? Para que eu vou querer isso?”, afirmou.
Mantovani declarou que a ação foi apresentada por uma pessoa que também disputou a eleição, mas não conquistou uma cadeira na Câmara.
“Quem entrou com o processo contra a minha pessoa acabou perdendo a eleição e, enfim, entrou com o processo alegando isso”, disse.
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Vereador diz que processo também atingiu outros eleitos
Flávio Mantovani afirmou que o processo alcançou outros vereadores eleitos pela chapa, mesmo sem participação direta na candidatura questionada.
Na tribuna, ele citou a vereadora Akemi Nishimori, o vereador Lemuel Rodrigues e a presidente da Câmara entre os parlamentares afetados de forma indireta pelo caso.
“Colateralmente entram no rolo, sem ter nada a ver com isso. É bom dizer, claro, que não existiu fraude alguma”, afirmou.
Mantovani também falou sobre o ambiente político e a quantidade de processos enfrentados por candidatos e vereadores depois das eleições.
“A eleição é muito judicializada. Quem quer entrar no mundo político já vai entender que, assim que ele assume o mandato, já leva um processo nas costas”, declarou.
Segundo ele, integrantes da Câmara enfrentam ações sucessivas durante o exercício do mandato.
“Vários de nós aqui, vereadores, enfrentamos processos um atrás do outro, e, quando não tem nada para falar, as pessoas inventam. Esse é o mundo político”, disse.
Crítica à aplicação da cota de gênero
O vereador afirmou que defende uma participação ainda maior das mulheres na política, mas considera que a legislação atual precisa de ajustes.
Mantovani disse que candidaturas femininas com poucos votos acabam sob suspeita, enquanto homens que abandonam uma campanha ou recebem votação baixa não enfrentam o mesmo tipo de questionamento.
“Quando a gente fala que nós temos que ter 30% de mulheres, na minha opinião tinha que ter até mais”, afirmou.
Para o parlamentar, a aplicação da norma pode produzir o efeito contrário ao objetivo de incentivar a presença feminina nas eleições.
“Eu não sei aonde que essa legislação chama mulheres para a vida pública, não sei. Eu acho que, em nível federal, isso deve ser modificado”, declarou.
Mantovani afirmou que uma mulher pode enfrentar processo, contratar advogado e colocar direitos políticos em risco apenas porque recebeu poucos votos.
“Se você fizer pouco voto, você vai enfrentar um processo, vai ter que gastar do seu bolso com advogado e vai custar caro”, disse.
O vereador também cumprimentou as mulheres que participaram das eleições, inclusive aquelas que tiveram votação baixa e precisaram enfrentar questionamentos judiciais.
Pedido ao Congresso Nacional
No encerramento da fala, Flávio Mantovani pediu que os deputados federais promovam mudanças na legislação eleitoral.
“Atenção às mulheres, prestem muita atenção. Aos nossos deputados federais, vamos modificar a eleição”, afirmou.
O parlamentar também respondeu aos adversários que tentaram questionar sua permanência na Câmara de Maringá.
“Para quem achou ruim com a nossa eleição, e perdeu, e tentou, e esperneou, vamos trabalhar, fazer voto na próxima, porque cadeira aqui tem bastante. São 23”, declarou.
Mantovani encerrou o pronunciamento dizendo que estava satisfeito com o resultado obtido no processo e agradeceu às pessoas dispostas a participar da vida pública.



