O maior inimigo da fila da saúde nem sempre é a falta de médicos, mas a falta de compromisso de quem não comparece
A falta sem aviso em consultas e exames agendados virou um problema grave na rede pública de saúde de Maringá. Entre janeiro e maio deste ano, milhares de pacientes deixaram de comparecer aos procedimentos marcados. Com isso, vagas ficaram vazias, profissionais aguardaram sem atender e outras pessoas continuaram na fila.
Os números mostram o tamanho do prejuízo. De janeiro a maio, a Prefeitura de Maringá agendou 28.116 consultas nas unidades de saúde. Desse total, 20.243 pacientes compareceram. Portanto, 7.873 pessoas faltaram. A taxa de ausência chegou a 28%.
Na prática, a cada dez consultas marcadas, quase três pacientes não apareceram.
Nos exames, o problema também chama atenção. A Secretaria de Saúde agendou 62.054 procedimentos no mesmo período. No entanto, 48.402 foram realizados. Assim, 13.652 exames deixaram de acontecer por falta dos pacientes. A taxa de não comparecimento ficou em 22%.
Faltas superam população de cidades vizinhas
A comparação com municípios próximos ajuda a entender a gravidade do problema. Somente nas consultas, 7.873 pacientes faltaram. Esse número supera a população inteira de Ângulo, estimada em 3.357 pessoas, e também de Munhoz de Melo, com 4.057 habitantes, segundo dados do IBGE.
Nos exames, a situação é ainda mais grave. As 13.652 faltas superam a população somada de Ângulo, Iguaraçu e Munhoz de Melo. Juntas, as três cidades têm cerca de 13.107 moradores.
Ou seja, Maringá perdeu mais vagas em exames do que toda a população desses três municípios vizinhos somada. Isso não é detalhe. É desperdício de tempo, estrutura, dinheiro público e oportunidade de atendimento.
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Quem falta sem avisar prejudica outra pessoa
Faltar sem comunicar a unidade de saúde não afeta apenas quem perdeu o horário. Também prejudica diretamente outro paciente que poderia ser chamado para ocupar aquela vaga.
Muitas pessoas aguardam semanas ou meses por uma consulta ou exame. Enquanto isso, uma vaga confirmada fica vazia porque alguém simplesmente não compareceu e não avisou.
Essa atitude trava a fila e aumenta a demora para todos. Por isso, o problema exige mais responsabilidade de quem agenda e confirma o procedimento.
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Secretário cobra consciência dos pacientes
O secretário de Saúde, Antônio Carlos Nardi, afirmou que mais de 7,8 mil pacientes faltaram apenas às consultas. Segundo ele, os profissionais estavam nos consultórios aguardando, mas os pacientes não foram e também não avisaram.
Nardi destacou que, se a ausência fosse comunicada antes, a Prefeitura poderia chamar outra pessoa que segue na fila. Dessa forma, o atendimento avançaria com mais rapidez.
Conselho Municipal de Saúde também critica faltas
O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Aparecido da Silva Castro, também cobrou responsabilidade dos pacientes. Ele afirmou que o assunto está em discussão nas reuniões dos conselhos.
Segundo Castro, o paciente precisa cumprir o compromisso assumido na confirmação do procedimento. Afinal, uma única falta pode prejudicar quem espera a chance de ser atendido.
Avisar é o mínimo
A Prefeitura informa que confirma a presença em procedimentos especializados com antecedência de um a três dias. O contato ocorre por mensagem de WhatsApp ou ligação telefônica.
Imprevistos acontecem. Porém, quando o paciente sabe que não poderá comparecer, precisa avisar. Essa atitude simples permite que outra pessoa seja chamada.
Faltar sem aviso é falta de respeito com quem trabalha na saúde, com quem espera na fila e com o dinheiro público. A saúde pública precisa de gestão, estrutura e profissionais. Mas também precisa de responsabilidade do cidadão.
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