Domingo Espetacular: reportagem nacional de William Bittar expõe como o crime organizado está estruturado no Paraná
Trabalho do jornalista William Bittar, da RIC Maringá, exibido em rede nacional neste domingo (16), reconstruiu o assassinato de quatro homens, mostrou bunkers e rotas criminosas e revelou que os dois principais suspeitos continuam foragidos
Uma reportagem do jornalista William Bittar, da RIC Maringá, exibida pelo Domingo Espetacular, da Record, neste domingo, 16 de agosto de 2026, levou para todo o Brasil o caso do assassinato de quatro homens em Icaraíma, no Noroeste do Paraná.
O jornalista voltou aos locais das buscas e reconstruiu os principais momentos da investigação. Ao mesmo tempo, mostrou um cenário que ajuda a entender a presença do crime organizado na região.
Durante a reportagem, Bittar apresentou bunkers, esconderijos, estradas pouco movimentadas e áreas usadas por organizações criminosas para esconder e movimentar drogas, armas e cigarros contrabandeados. A proximidade com o Rio Paraná também ajuda a explicar a importância estratégica da região para essas atividades.
Um ano depois, porém, o caso ainda não chegou ao desfecho.
Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Affonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira foram assassinados. Enquanto isso, Antônio Buscariollo e o filho Paulo Ricardo Costa Buscariollo, apontados pela Polícia Civil como os dois principais suspeitos, continuam foragidos.
A Justiça decretou a prisão preventiva de pai e filho em 8 de agosto de 2025. Já em julho de 2026, os dois passaram a integrar a difusão internacional da Interpol.
Com isso, a procura ganhou alcance internacional. No entanto, a inclusão na Interpol não representa condenação nem comprova que Antônio e Paulo Ricardo tenham deixado o Brasil.
Dívida de R$ 255 mil antecedeu o crime
Segundo o Domingo Espetacular, uma negociação de terreno antecedeu o desaparecimento dos quatro homens.
Alencar havia pago R$ 255 mil de entrada por uma propriedade. Pouco depois, o negócio acabou desfeito.
Por isso, Alencar queria o dinheiro de volta. O acordo previa a devolução do valor em dez parcelas.
Conforme a reportagem, Carlos Eduardo Buscariollo assinou a nota promissória. Alencar, porém, havia negociado com Paulo Ricardo e com o pai dele, Antônio Buscariollo, conhecido como Tonhão.
Para fazer a cobrança, Alencar chamou três homens de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo: Diego, Rafael e Robishley.
No dia 4 de agosto de 2025, os quatro se encontraram em Icaraíma e iniciaram a cobrança. Depois, marcaram um novo encontro para o dia seguinte.
Câmeras registraram os quatro antes do desaparecimento
A reportagem de William Bittar recuperou algumas das últimas imagens conhecidas das vítimas.
As câmeras mostram os quatro conversando em uma padaria.
Além disso, antes de desaparecer, um dos cobradores enviou uma mensagem para a esposa. Na conversa, ele relatou que havia percebido uma arma com um dos homens envolvidos na situação.
O relato indicava que o encontro poderia representar perigo.
Depois disso, os quatro desapareceram.
A partir daquele momento, a polícia iniciou uma operação que duraria mais de um mês.
Buscas revelaram um cenário maior
Os policiais percorreram estradas rurais, rios, plantações e reservas ambientais.
Enquanto as buscas avançavam, a investigação encontrou elementos que chamaram a atenção para a estrutura criminosa existente naquela região.
A reportagem do Domingo Espetacular voltou à região de Vila Rica do Ivaí, onde as equipes concentraram parte dos trabalhos.
Nesse cenário apareceram os bunkers.
Algumas dessas estruturas ficam abaixo do nível do solo. Dessa maneira, quem passa pela região encontra dificuldade para identificá-las.
Segundo as informações apresentadas no programa, criminosos utilizavam esses esconderijos para guardar armas, drogas e cigarros contrabandeados.
Esse dado amplia a compreensão sobre o ambiente no qual a investigação ocorreu.
O caso começou com uma cobrança de dívida. Entretanto, as buscas aconteceram em uma região onde as forças de segurança já identificavam estruturas relacionadas ao crime organizado.
Polícia Federal já investigava crime organizado em Icaraíma
A atuação de organizações criminosas na região não surgiu com a chacina.
Em 12 de junho de 2025, menos de dois meses antes do desaparecimento das quatro vítimas, a Polícia Federal deflagrou a Operação Terras Frágeis.
A ação mirou uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico de drogas e no contrabando de cigarros.
A Polícia Federal cumpriu mandados em Icaraíma, Douradina, no Paraná, e também em municípios de Mato Grosso do Sul.
Além disso, a Justiça Federal determinou um bloqueio de bens que poderia ultrapassar R$ 30 milhões.
Durante a operação, os agentes apreenderam documentos, aparelhos eletrônicos, veículos, embarcações, armas de fogo, gado e outros bens.
No entanto, é preciso separar os fatos.
As informações disponíveis não permitem ligar diretamente a organização investigada na Operação Terras Frágeis à chacina de Icaraíma.
A operação comprova outro ponto: antes mesmo dos quatro assassinatos, autoridades já investigavam organizações ligadas ao tráfico e ao contrabando naquela região.
Outras operações mostram como essas organizações atuam
Icaraíma não aparece sozinha nesse cenário.
Também em junho de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Cromo II. A investigação apurou um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de armas, drogas e do contrabando de cigarros na região de fronteira paranaense.
Os investigadores identificaram movimentações superiores a R$ 26 milhões.
A Polícia Federal cumpriu mandados no Paraná e em outros estados. Durante a ação, apreendeu veículos, um helicóptero, empresas, dinheiro, cigarros contrabandeados e artigos de luxo avaliados em R$ 806,7 mil.
Esses dados ajudam a explicar o significado de crime organizado.
Não se trata apenas de alguém que transporta drogas ou cigarros ilegais.
As investigações apontam grupos com logística, transporte, esconderijos, veículos, movimentação financeira, propriedades e conexões entre diferentes estados.
Assim, essas organizações conseguem transportar produtos ilícitos em grande escala. Ao mesmo tempo, criam mecanismos para movimentar e tentar esconder o dinheiro obtido com os crimes.
Carta anônima levou polícia ao carro das vítimas
Enquanto surgiam informações sobre esse cenário, a polícia ainda precisava descobrir o destino dos quatro desaparecidos.
Então, uma carta anônima mudou o rumo das buscas.
Segundo o Domingo Espetacular, a mensagem indicou onde a polícia poderia encontrar o veículo utilizado pelas vítimas.
Os investigadores localizaram o carro em 12 de setembro de 2025.
O veículo apresentava marcas de tiros.
Depois, a perícia encontrou outro elemento importante.
Segundo declaração policial reproduzida pelo programa, os peritos identificaram pelo menos seis calibres diferentes de armas de fogo.
A polícia trabalha com a possibilidade de que cada calibre represente pelo menos um operador de arma.
Por isso, os investigadores consideram a hipótese de que um grupo organizado e estruturado tenha participado da execução. Segundo a avaliação apresentada na reportagem, os envolvidos também demonstraram preocupação em dificultar o trabalho policial.
Essa análise representa uma hipótese da investigação. A polícia ainda precisa individualizar a responsabilidade de cada pessoa envolvida, e o processo judicial deverá analisar as provas.
Polícia encontrou os quatro corpos uma semana depois
Uma semana depois de localizar o veículo, as equipes encontraram os corpos de Alencar, Diego, Rafael e Robishley.
A descoberta mudou definitivamente a investigação.
Até aquele momento, as autoridades procuravam quatro homens desaparecidos. A partir dali, a polícia passou a investigar quatro homicídios.
Os investigadores também começaram a apurar quem participou das mortes, quem ajudou a esconder os corpos e se outras pessoas tiveram participação no crime.
Advogada Josiane Monteiro relata avanços na investigação
A advogada Josiane Monteiro, que representa familiares das vítimas, acompanha o trabalho dos investigadores.
Em março de 2026, ela afirmou publicamente que percebeu avanços depois de mudanças na condução do inquérito.
“Depois de sete meses nós tivemos acesso a várias informações e estamos vendo que aquilo que tramitava em sigilo realmente está andando”, declarou.
Portanto, embora os dois principais suspeitos continuem foragidos, a investigação permaneceu em andamento.
Polícia ouviu Antônio e Paulo Ricardo antes da fuga
A reportagem do Domingo Espetacular também recuperou um episódio importante do início do caso.
A Polícia Civil ouviu Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo quando as buscas ainda estavam começando.
Segundo a reconstrução apresentada pelo programa, pai e filho negaram informações relacionadas à dívida. Naquele momento, eles deixaram a delegacia.
Posteriormente, os dois desapareceram.
Em 8 de agosto de 2025, a Justiça decretou a prisão preventiva de Antônio e Paulo Ricardo.
Desde então, a polícia tenta encontrá-los.
Interpol ampliou procura pelos dois suspeitos
Em julho de 2026, a busca ganhou alcance internacional.
A Polícia Civil conseguiu incluir Antônio e Paulo Ricardo na difusão internacional da Interpol.
Segundo o delegado Thiago Andrade Inácio, responsável pela investigação, a polícia apresentou uma representação e obteve autorização da Justiça para a medida.
A partir disso, forças policiais de outros países passaram a ter acesso ao alerta internacional.
Caso Antônio e Paulo Ricardo estejam fora do Brasil, a medida aumenta as possibilidades de localização.
Entretanto, a inclusão não significa condenação. Também não comprova que os dois estejam no exterior.
Até agora, ninguém informou oficialmente onde eles estão.
William Bittar voltou ao pesqueiro onde os suspeitos moravam
Durante a reportagem, William Bittar também foi ao pesqueiro onde Antônio e Paulo Ricardo moravam.
O imóvel fica em Vila Rica do Ivaí, a alguns quilômetros do centro de Icaraíma.
No local, a equipe encontrou sinais de abandono. Contudo, também percebeu marcas recentes de pneus.
A reportagem não relacionou essas marcas aos foragidos.
Não existem informações que permitam afirmar quem passou pelo imóvel nem quando isso aconteceu.
Ainda assim, a visita permitiu mostrar ao público a situação atual de um dos locais ligados aos principais investigados.
Investigação chegou ao interior de São Paulo
As diligências também ultrapassaram as divisas do Paraná.
Segundo o Domingo Espetacular, uma operação chegou a Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo.
Na ação, investigadores apreenderam celulares.
Agora, a investigação busca identificar todas as pessoas que eventualmente participaram do crime e esclarecer qual teria sido a função de cada uma delas.
Carlos Eduardo foi preso em outra investigação
A reportagem também abordou a situação de Carlos Eduardo Buscariollo, filho de Antônio e irmão de Paulo Ricardo.
O nome dele aparece no caso porque Carlos Eduardo assinou a nota promissória referente à dívida de R$ 255 mil.
Posteriormente, autoridades prenderam Carlos Eduardo em São Paulo por causa de outra investigação relacionada a uma organização envolvida com tráfico de drogas.
Novamente, os fatos precisam permanecer separados.
A prisão em outro procedimento não comprova a participação de Carlos Eduardo na chacina de Icaraíma.
Qualquer eventual responsabilidade pelos quatro assassinatos depende das provas específicas dessa investigação.
Icaraíma mostra uma estrutura criminosa que vai além de uma pequena cidade
A reportagem nacional de William Bittar reuniu vários elementos que ajudam a entender a dimensão do problema.
Há quatro homens assassinados. Além disso, os dois principais suspeitos continuam foragidos.
A investigação também encontrou indícios do uso de diferentes armas na execução.
Ao mesmo tempo, a região possui bunkers, esconderijos e rotas usadas para tráfico e contrabando.
Por fim, operações oficiais da Polícia Federal confirmam investigações contra organizações criminosas com atuação no Paraná. Uma dessas operações, inclusive, cumpriu mandados em Icaraíma.
Esses fatos não permitem afirmar que todas essas organizações pertencem ao mesmo grupo ou participaram da chacina.
Porém, as investigações oficiais mostram que o crime organizado possui estruturas de logística e atuação no Paraná, principalmente em regiões estratégicas para o tráfico e o contrabando.
A estrutura envolve propriedades, estradas, rios, veículos, esconderijos e movimentação de grandes quantias de dinheiro.
Assim, uma cidade pequena e aparentemente tranquila pode fazer parte de uma rota muito maior.
Foi esse cenário que a reportagem do Domingo Espetacular apresentou ao Brasil.
Um ano depois, caso ainda não chegou ao desfecho
Mais de um ano depois, a investigação avançou em vários pontos.
A polícia encontrou o veículo das vítimas e localizou os quatro corpos. Além disso, reuniu elementos sobre a execução e identificou os principais suspeitos.
A Justiça também decretou a prisão preventiva de Antônio e Paulo Ricardo. Posteriormente, a busca chegou à Interpol.
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Apesar disso, os dois continuam foragidos.
Por essa razão, o caso ainda não teve um desfecho completo.
A polícia afirma ter avançado na identificação da autoria. Contudo, os principais investigados permanecem fora do alcance da Justiça, enquanto a apuração tenta identificar todos os envolvidos.
As famílias de Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Affonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira continuam esperando pela responsabilização dos autores.
Reportagem de William Bittar leva caso para todo o Brasil
A exibição do trabalho de William Bittar, da RIC Maringá, no Domingo Espetacular colocou novamente o caso de Icaraíma diante do público nacional.
Bittar voltou aos locais das buscas, foi à propriedade onde os principais suspeitos moravam e mostrou como bunkers e rotas clandestinas aparecem naquele cenário.
Ao mesmo tempo, a reportagem colocou os quatro assassinatos dentro de um problema maior de segurança pública.
Investigações oficiais mostram organizações criminosas atuando no Paraná com tráfico, contrabando e movimentação de recursos ilícitos.
Em uma das investigações da Polícia Federal com atuação em Icaraíma, a Justiça determinou bloqueio que poderia ultrapassar R$ 30 milhões. Em outra operação na fronteira paranaense, os investigadores identificaram movimentações superiores a R$ 26 milhões.
No entanto, um dado permanece sem mudança um ano depois do crime: Alencar, Diego, Rafael e Robishley estão mortos, enquanto Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo continuam foragidos.
A investigação, portanto, ainda busca esclarecer a participação de todos os envolvidos e levar os responsáveis à Justiça.



