Prefeito de Santa Fé devolveu o que nem deveria ter recebido?
Noticiamos que Edson Palotta recebeu diária referente ao sábado da convenção do PSD e devolveu depois um valor que não deveria ter solicitado
O prefeito de Santa Fé, Edson Palotta, afirmou em suas redes sociais que “os fatos precisam vir antes das acusações”.
A palavra acusação, porém, foi usada pelo próprio prefeito.
O Diário de Maringá não acusou Edson Palotta . A reportagem apenas divulgou informações que estavam disponíveis no Portal da Transparência da Prefeitura de Santa Fé e questionou o uso de dinheiro público.
Os documentos mostravam que o prefeito recebeu duas diárias para uma viagem a Curitiba. Uma correspondia à sexta-feira, quando ocorreu um compromisso oficial de interesse do Município. Nesse caso, o pagamento da diária era justificável.
A segunda diária abrangia o sábado, dia em que Edson Palotta participou da convenção estadual do Partido Social Democrático, o PSD. A programação tinha caráter partidário e não correspondia a uma agenda oficial da Prefeitura de Santa Fé.
Contribuição crítica ao Ipplam
Essa é a questão central.
O prefeito tinha direito à diária referente à sexta-feira. Não havia a mesma justificativa para o pagamento do sábado.
Outros prefeitos receberam apenas pela agenda oficial
A diferença fica mais clara quando o caso de Santa Fé é comparado ao comportamento de outros prefeitos que participaram da mesma programação em Curitiba.
O prefeito de Presidente Castelo Branco esteve no compromisso oficial de sexta-feira e recebeu apenas a diária correspondente à agenda institucional.
O prefeito de Manoel Ribas, José Carlos da Silva Corona, também participou do compromisso oficial e recebeu somente a diária de sexta-feira. No sábado, esteve na convenção do PSD sem utilizar verba pública referente ao evento partidário.
Edson Palotta fez diferente.
Mesmo sem uma agenda oficial do Município no sábado, ele solicitou e recebeu a diária referente àquela data. Depois, devolveu o valor.
A devolução foi registrada. O dinheiro retornou aos cofres públicos.
Isso não muda o fato anterior.
O prefeito devolveu um valor que não deveria ter solicitado, autorizado ou recebido. Não se trata de discutir se o dinheiro foi devolvido. Trata-se de explicar por que ele foi pedido e pago.
Depois de Alto Piquiri, Santa Fé também entra na rota das diárias para a convenção do PSD?
O prefeito não é vítima
Na manifestação publicada nas redes sociais, Edson Palotta afirmou que duas publicações teriam sido direcionadas à sua imagem em menos de duas semanas.
O Diário de Maringá não publicou ataques pessoais contra o prefeito.
A primeira matéria mencionada por ele tratava de uma decisão judicial pública envolvendo a administração municipal. A segunda mostrou dados disponíveis no Portal da Transparência sobre o pagamento das diárias.
Noticiar uma decisão judicial e fiscalizar gastos públicos não representa perseguição. Também não transforma o prefeito em vítima.
Neste caso, os fatos decorreram dos próprios atos administrativos relacionados à viagem.
Foi Edson Palotta quem solicitou a diária referente ao sábado. Foi a administração municipal que autorizou e realizou o pagamento. Depois, o prefeito devolveu o valor.
Se houve desgaste político ou questionamento público, ele não surgiu de uma invenção do jornal. Surgiu da existência de uma diária paga para uma data em que o compromisso conhecido era partidário.
Prefeitura não respondeu antes da publicação
Antes de publicar a reportagem, O Diário de Maringá procurou a administração municipal.
Os questionamentos foram enviados à Prefeitura de Santa Fé. O secretário municipal de Comunicação não apresentou a versão da gestão nem respondeu às perguntas.
Em vez disso, preferiu criticar o jornal nos comentários da própria publicação.


O prefeito também não encaminhou inicialmente uma resposta direta à redação e apenas na quarta a tarde nos enviou esse àudio:
Na sequência, Edson Palotta optou por se manifestar em suas redes sociais.

A reportagem não publicou acusações. Publicou o que aparecia nos documentos oficiais e abriu espaço para explicações.
A pergunta que continua sem resposta
A diária de sexta-feira estava relacionada a um compromisso público e institucional. Outros prefeitos que participaram da mesma agenda limitaram o pedido àquela data.
Em Santa Fé, o prefeito também recebeu pelo sábado, quando participou de um evento partidário.
A explicação que continua faltando é simples: por que Edson Palotta solicitou e recebeu uma diária para o sábado se não havia agenda oficial do Município que justificasse o pagamento?
O valor foi devolvido depois.




