Nikolas teve 1,49 milhão de votos, Fahur 161 mil e Hauly 11 mil: mas quem tem trabalho para mostrar?

Nikolas teve 1,49 milhão de votos, Fahur 161 mil e Hauly 11 mil: mas quem tem trabalho para mostrar?


Nikolas Ferreira recebeu 1,49 milhão de votos em 2022, Sargento Fahur teve 161,5 mil e Luiz Carlos Hauly apenas 11,9 mil. Mas quantidade de votos não conta toda a história. Os registros da Câmara mostram trajetórias muito diferentes e ajudam o eleitor a comparar popularidade com trabalho parlamentar.

Em época de eleição, é comum ouvir que determinado candidato é “de direita” ou “de esquerda”. Também é comum medir a força de um político pelo número de seguidores, visualizações nas redes sociais ou votos recebidos.

Mas existe outra pergunta que o eleitor pode fazer: o que esse político efetivamente fez quando recebeu um mandato?

O Diário de Maringá analisou dados oficiais da Câmara dos Deputados sobre três parlamentares conhecidos: Nikolas Ferreira (PL-MG), Sargento Fahur (PL-PR) e Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR).



A comparação exige cuidado. Os três não têm o mesmo tempo de Câmara. Nikolas está em seu primeiro mandato como deputado federal. Fahur exerce o segundo. Hauly chegou pela primeira vez à Câmara em 1991 e está em seu oitavo mandato federal.

Por isso, comparar apenas o número total de projetos seria injusto. O objetivo é mostrar ao eleitor a votação de cada um, o tempo de mandato e exemplos concretos de atuação.

Nas urnas, Nikolas está muito à frente

A diferença na votação de 2022 é enorme.

Nikolas Ferreira recebeu 1.492.047 votos em Minas Gerais. A Câmara registra que ele obteve 13,34% dos votos válidos para deputado federal no estado.

No Paraná, Sargento Fahur recebeu 161.500 votos e conquistou a reeleição.

Luiz Carlos Hauly recebeu 11.925 votos. Na totalização original da Justiça Eleitoral, ficou como primeiro suplente do Podemos. Depois da cassação de Deltan Dallagnol e de uma disputa sobre a vaga, Hauly tomou posse em 13 de junho de 2023.

Os números de 2022 ficam assim:

Nikolas Ferreira: 1.492.047 votos

Sargento Fahur: 161.500 votos

Luiz Carlos Hauly: 11.925 votos

Ou seja, Nikolas recebeu cerca de 9 vezes os votos de Fahur e aproximadamente 125 vezes os votos de Hauly.

Se a análise terminasse nas urnas, Nikolas venceria a comparação com enorme vantagem.

Mas mandato parlamentar não é medido somente pela eleição.

Nikolas: 1,49 milhão de votos e primeiro mandato na Câmara

Nikolas Ferreira tomou posse como deputado federal em 1º de fevereiro de 2023. Portanto, está em seu primeiro mandato na Câmara.

Mesmo com pouco tempo de Congresso quando comparado aos outros dois parlamentares, ele apresenta atividade legislativa significativa.

Um cuidado é necessário para entender os números divulgados pela própria Câmara.

Em 2025, por exemplo, o sistema da Casa registra 802 propostas legislativas de autoria de Nikolas e 46 matérias relatadas. Isso não significa que ele tenha apresentado 802 projetos de lei.

A expressão “propostas legislativas” usada pela Câmara engloba diferentes tipos de proposição, inclusive requerimentos, emendas e outros instrumentos parlamentares.

Em 2023, primeiro ano do mandato, a Câmara registrou 438 propostas legislativas de sua autoria, além de 292 votações nominais em Plenário e 57 discursos.

Portanto, existe atuação parlamentar documentada. Ao mesmo tempo, Nikolas ainda possui uma trajetória federal curta para ser comparada diretamente com alguém que passou décadas no Congresso.

Fahur chegou à Câmara em 2019

Sargento Fahur, nome político de Gilson Cardoso Fahur, iniciou seu primeiro mandato de deputado federal em fevereiro de 2019.

Foi reeleito e iniciou o segundo mandato em 2023. Atualmente está filiado ao PL.

Sua atuação possui uma característica fácil de identificar: segurança pública e combate à criminalidade ocupam espaço importante em seu trabalho parlamentar.

Os dados mais recentes também mostram atividade legislativa. Em 2025, a Câmara contabilizou 221 propostas legislativas de sua autoria e 12 matérias relatadas.

Em 2026, até a atualização consultada pela reportagem, eram 83 propostas legislativas de autoria e cinco relatadas.

Novamente, “propostas legislativas” não significa somente projetos de lei.

Fahur também direciona recursos para segurança

As emendas parlamentares ajudam a mostrar quais áreas recebem atenção de um deputado.

Em 2024, por exemplo, registros da Câmara mostram emendas de Fahur para políticas de segurança pública e enfrentamento à criminalidade no Paraná, Polícia Rodoviária Federal, educação, saúde e outras áreas.

Em 2026, aparecem recursos autorizados para segurança pública, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, sistema penitenciário, saúde e assistência social, entre outros setores.

Isso permite ao eleitor identificar uma linha de atuação do parlamentar, especialmente ligada à segurança.

O caso de Hauly precisa ser analisado de outra maneira

É quando Luiz Carlos Hauly entra na comparação que apenas olhar a eleição de 2022 pode produzir uma conclusão incompleta.

Ele recebeu somente 11.925 votos naquela eleição.

Porém, Hauly não começou sua carreira parlamentar em 2023.

A biografia oficial da Câmara registra mandatos federais de:

1991 a 1995

1995 a 1999

1999 a 2003

2003 a 2007

2007 a 2011

2011 a 2015

2015 a 2019

2023 a 2027

São oito mandatos na Câmara dos Deputados.

Hauly também foi vereador, prefeito de Cambé e secretário da Fazenda do Paraná. É economista e professor.

Portanto, a pergunta sobre Hauly precisa ir além dos 11.925 votos recebidos em 2022:

o que ele fez durante tantos anos no Congresso?

Hauly participou das votações que viabilizaram o Plano Real

Um dos episódios mais importantes ocorreu em 1994.

Naquele período, o Brasil sofria com inflação muito alta. O governo de Itamar Franco implantou o Plano Real, desenvolvido pela equipe econômica comandada pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso.

Hauly era deputado federal e vice-líder do governo Itamar Franco na Câmara.

Segundo registro oficial da própria Câmara dos Deputados, ele atuou ativamente nas votações que viabilizaram a adoção da nova moeda brasileira.

É importante fazer uma distinção.

Hauly não foi o criador do Plano Real.

A Câmara registra que o plano foi criado durante o governo Itamar Franco pela equipe do então ministro Fernando Henrique Cardoso. Hauly participou, como parlamentar e vice-líder do governo, das votações necessárias para sua implantação.

Essa diferença evita transformar participação política em autoria de uma política econômica que envolveu governo, economistas e Congresso Nacional.

Hauly foi relator da legislação que criou o Simples Nacional

Talvez este seja um dos exemplos mais fáceis para qualquer pequeno empresário entender.

Em 2006, Hauly foi relator do projeto da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa.

O texto criou o Simples Nacional, conhecido inicialmente como Supersimples.

Na prática, o sistema simplificou a forma de cobrança de impostos das micro e pequenas empresas.

A Câmara aprovou o projeto em setembro de 2006 por 308 votos favoráveis, seis contrários e três abstenções. Hauly era o relator.

Depois, o Senado modificou o texto.

O projeto voltou à Câmara.

Hauly novamente analisou as alterações. Em novembro daquele ano, os deputados aprovaram o parecer do relator por 323 votos e nenhum voto contrário, enviando o projeto para sanção presidencial.

Portanto, neste caso existe participação direta, documentada e relevante de Hauly.

Ele não foi o autor original do PLP 123/2004. O projeto era do deputado Jutahy Júnior.

Hauly foi o relator responsável por conduzir e formular o texto aprovado na Câmara.

Essa diferença também precisa ficar clara.

O que o Simples significou

Antes do novo sistema, pequenos empresários conviviam com diferentes tributos e regras.

O projeto relatado por Hauly criou um regime nacional simplificado para micro e pequenas empresas.

A proposta buscava unificar tributos federais, estaduais e municipais e também previa redução de burocracia, facilidades para acesso ao crédito e tratamento diferenciado em licitações públicas.

Hoje, quando alguém fala em Simples Nacional, está falando de um sistema cuja criação passou diretamente pelo trabalho de relatoria de Hauly na Câmara.

Isso é trabalho parlamentar concreto e verificável.

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Reforma tributária virou outra marca da carreira de Hauly

Hauly também dedicou parte importante de sua atuação à reforma do sistema tributário brasileiro.

Em 2018, foi relator da PEC 293/2004, uma proposta ampla de reforma tributária.

A comissão especial da Câmara aprovou o relatório de Hauly em dezembro daquele ano. O texto buscava simplificar o sistema e extinguir vários tributos para reorganizá-los em uma nova estrutura.

A proposta não concluiu toda a tramitação necessária para virar Emenda Constitucional.

Portanto, seria errado afirmar que Hauly “aprovou a reforma tributária” em 2018.

O fato correto é outro:

ele elaborou e relatou uma proposta de reforma tributária que foi aprovada pela comissão especial da Câmara e seguiu para o Plenário.

O trabalho tributário continuou no atual mandato

Depois de retornar à Câmara em 2023, Hauly continuou atuando na área tributária.

Em fevereiro de 2024, apresentou o PLP 7/2024.

O projeto trata da adaptação das regras das micro e pequenas empresas e do Simples Nacional ao novo sistema tributário criado pela Emenda Constitucional 132/2023.

Além disso, a biografia oficial registra sua participação no grupo de trabalho sobre o Comitê Gestor e a distribuição das receitas do IBS. Hauly também integra a Comissão de Finanças e Tributação.

Ou seja, existe continuidade entre parte de sua atuação histórica e o trabalho desenvolvido atualmente.

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Então quem trabalhou mais?

Não existe uma resposta séria para essa pergunta apenas contando projetos.

Os parlamentares possuem tempos de mandato muito diferentes.

Nikolas tem enorme força eleitoral e projeção nacional, mas chegou à Câmara Federal em 2023.

Fahur está no segundo mandato e construiu uma atuação bastante identificada com segurança pública.

Hauly recebeu uma votação muito menor em 2022, mas possui oito mandatos federais e participação documentada em temas econômicos importantes.

Por isso, comparar somente seguidores, vídeos ou quantidade de votos pode esconder parte da história.

1,49 milhão de votos contra 11,9 mil contam apenas uma parte da história

A diferença entre Nikolas e Hauly é impressionante.

Nikolas Ferreira: 1.492.047 votos.

Luiz Carlos Hauly: 11.925 votos.

Nikolas recebeu aproximadamente 125 vezes mais votos.

Isso mostra claramente quem tinha muito mais força eleitoral em 2022.

Mas não responde quem acumulou maior experiência legislativa ou participou de mais mudanças estruturais ao longo da história.

Para responder isso, é necessário abrir o histórico parlamentar.

E, quando se abre esse histórico, aparecem fatos que parte do eleitorado talvez desconheça sobre Hauly: oito mandatos, participação parlamentar nas votações do Plano Real, relatoria do projeto que criou o Simples Nacional e relatoria de uma ampla proposta de reforma tributária aprovada em comissão especial.

Direita ou esquerda não deveria encerrar a discussão

O eleitor tem todo o direito de escolher um candidato por suas ideias.

Pode votar na direita, na esquerda, no centro ou em quem considerar melhor.

Mas existe uma informação que deveria entrar nessa escolha: o trabalho comprovado.

Quantos anos o candidato exerceu mandato?

O que apresentou?

O que conseguiu aprovar?

Quais projetos relatou?

Alguma proposta teve efeito concreto na vida das pessoas?

Qual foi sua presença nas votações importantes?

Essas perguntas não substituem a ideologia. Elas acrescentam um critério objetivo à escolha.

No caso de Nikolas Ferreira, Sargento Fahur e Luiz Carlos Hauly, os documentos mostram três histórias completamente diferentes.

Um recebeu quase 1,5 milhão de votos e está construindo seu primeiro mandato federal.

Outro está no segundo mandato e concentra boa parte da atuação em segurança pública.

O terceiro recebeu apenas 11.925 votos em 2022, mas carrega mais de três décadas de história parlamentar, com participação documentada em decisões econômicas que ultrapassaram governos e continuam produzindo efeitos no país.

Antes de decidir apenas entre direita e esquerda, talvez valha ao eleitor acrescentar uma pergunta simples:

o que esse candidato já fez com o mandato que recebeu?

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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