Governo Ratinho Junior usará dinheiro público para produzir dados que poderão favorecer seus candidatos?

Governo Ratinho Junior usará dinheiro público para produzir dados que poderão favorecer seus candidatos?


Contratos abrangem o período eleitoral e levam a DC-Paraná a cobrar transparência sobre o acesso e a finalidade dos dados produzidos

A Secretaria de Estado da Comunicação do Paraná firmou três contratos para monitorar publicidade, investimentos publicitários e audiência de rádio e televisão. Juntos, os documentos somam R$ 1.043.641,56.

Os contratos terão vigência de 1º de setembro de 2026 a 31 de agosto de 2027. Portanto, abrangem o período das eleições estaduais de 2026.

Diante disso, a Executiva Estadual da Democracia Cristã no Paraná divulgou uma nota na qual cobra transparência do Governo Ratinho Junior. O partido questiona quem terá acesso aos relatórios e quais mecanismos impedirão eventual uso político-eleitoral das informações.



Formalmente, os contratos não envolvem pesquisas eleitorais. Ainda assim, a DC-Paraná considera necessário esclarecer como o Governo utilizará os dados produzidos com dinheiro público.

Contratos somam R$ 1.043.641,56

O primeiro contrato, de número 7.136/2026, foi firmado com a Ibope Monitor de Meios Publicitários Ltda. O documento prevê serviços de pesquisa e monitoramento de publicidade multimídia. Nesse caso, o valor chega a R$ 154.485,36.

Por sua vez, o contrato número 7.130/2026 envolve a Ibope Audiências Ltda. A empresa prestará serviços de pesquisa sobre o consumo de audiência de rádio e televisão. O Governo do Paraná pagará R$ 584.040,00.

Já o contrato número 7.133/2026 foi celebrado com a Ibope Monitor de Verificação Publicitária Ltda. O serviço inclui pesquisa e monitoramento de investimentos em publicidade. O valor total corresponde a R$ 305.116,20.

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Conforme os extratos, a Secretaria de Estado da Comunicação realizou as três contratações por inexigibilidade. O secretário de Estado da Comunicação, Eduardo Pugnali Marcos, autorizou os procedimentos em 27 de julho de 2026. Posteriormente, assinou os contratos em 25 de agosto de 2026.

DC questiona finalidade dos dados

Na nota, a Democracia Cristã pergunta que tipo de informação as empresas produzirão. Além disso, o partido quer saber quem receberá os relatórios e quais pessoas poderão consultar os dados.

A DC-Paraná também questiona se existem controles suficientes para impedir que essas informações beneficiem candidaturas. Ao mesmo tempo, o partido ressalta que não acusa empresas ou agentes públicos de ilegalidade.

“Não estamos dizendo que há crime. Estamos perguntando se existem mecanismos suficientes para garantir que não haja”, afirma a nota.

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Segundo o partido, o período de vigência dos contratos aumenta a necessidade de fiscalização. Afinal, os serviços começam em setembro de 2026 e atravessam a eleição estadual.

Nota menciona controvérsia envolvendo o IRG

A Democracia Cristã também relaciona os novos contratos à recente controvérsia envolvendo o Instituto IRG.

Certidão para fins eleitorais

De acordo com a nota, uma pesquisa divulgada em junho apresentou pré-candidatos ao Governo do Paraná vinculados aos seus chamados “padrinhos políticos”. Nesse formato, Sandro Alex, associado ao governador Carlos Massa Ratinho Junior, apareceu com 27,5%.

Entretanto, em um cenário sem essa vinculação, Sandro Alex registrou 14,4%, conforme as informações apresentadas pela DC-Paraná. O levantamento também testou um eventual segundo turno com os candidatos acompanhados de seus respectivos apoiadores.

Além disso, o partido menciona uma Ação Popular que questionou um contrato de R$ 583,8 mil firmado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social com o IRG.

Segundo a nota, a ação levantou dúvidas sobre a coincidência temporal entre a contratação pública e a divulgação de uma pesquisa considerada favorável ao candidato apoiado pelo governador. Contudo, a DC ressalta que existe apenas um questionamento judicial. Não há, portanto, decisão definitiva reconhecendo irregularidade.

Partido pede divulgação de documentos

A Executiva Estadual da DC defende que o Governo do Paraná apresente os Termos de Referência completos. Do mesmo modo, solicita a divulgação dos produtos, das metodologias e dos relatórios previstos nos contratos.

O partido também quer conhecer os critérios de contratação, os responsáveis pelo recebimento dos documentos e a finalidade de cada levantamento. Por fim, cobra informações sobre os mecanismos destinados a impedir o uso político-eleitoral dos dados.

Na avaliação da DC-Paraná, a publicidade institucional deve informar o cidadão. Por isso, não pode funcionar como instrumento de estratégia eleitoral.

O partido defende, ainda, que os contratos passem pelo escrutínio da imprensa, da sociedade e dos órgãos de controle. Segundo a nota, a fiscalização se torna ainda mais necessária quando dinheiro público, monitoramento de mídia e informações estratégicas ocupam o mesmo ambiente.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira Jornalista, apresentador e mestre de cerimônias | MTB 0011341/PR Gilmar Ferreira construiu sua trajetória entre redações, estúdios de televisão, emissoras de rádio e eventos. Sua experiência reúne a apuração jornalística, a apresentação ao vivo e a condução de cerimônias, com atuação no Paraná e em Santa Catarina. Atualmente, é diretor de redação de O Diário de Maringá e atua como mestre de cerimônias em eventos no Paraná e SP. Na televisão, trabalhou como apresentador e âncora na TV Maringá (Band), RIC TV Maringá (Record), Record News (Rede Mercosul) e RTV 10 Maringá. Sua trajetória no rádio inclui passagens, no Paraná, pela Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Em Santa Catarina, atuou na Rádio Menina FM e na Rádio Globo AM, em Blumenau. Em cada formato, Gilmar leva a experiência de quem conhece a notícia desde a apuração até o momento de comunicá-la ao público.

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