Pra Somar é a solução: Após R$ 56,6 milhões públicos, está na hora de discutir o futuro da Expoingá
Debate sobre uma possível participação do Pra Somar(Programa de Apoio Social e Mobilização Voluntária) na realização da feira pode abrir caminho para que os resultados econômicos e sociais retornem de forma mais direta à população de Maringá.
O investimento público de R$ 56.621.661,96 na construção do estacionamento vertical do Parque Internacional de Exposições Francisco Feio Ribeiro exige uma discussão que Maringá adiou por tempo demais: qual é o retorno efetivo que a cidade recebe de toda a estrutura disponibilizada à Expoingá e à Sociedade Rural de Maringá?
O Governo do Paraná destinará R$ 53.790.578,86 à obra. A Prefeitura entrará com outros R$ 2.831.083,10. O dinheiro financiará uma estrutura com três pavimentos e capacidade para 1.011 veículos.
Enquanto isso, o cidadão que sustenta o investimento por meio dos impostos já paga para estacionar durante a feira. Em 2026, o preço chegou a R$ 60 para carros, R$ 80 para caminhonetes e R$ 100 para vans.
O contribuinte financia a estrutura e volta a pagar quando utiliza o espaço. Essa relação precisa mudar.
Pra Somar poderia assumir a Expoingá?
Está na hora de discutir, de maneira pública e responsável, a possibilidade de o Instituto Pra Somar assumir a realização da Expoingá ou participar diretamente de um novo modelo de gestão da feira.
Não se trata de entregar o evento por decisão política ou sem procedimento legal. Qualquer mudança dependeria da análise dos contratos existentes, da situação jurídica do parque e de um processo público, transparente e competitivo.
A proposta merece debate porque permitiria avaliar um modelo no qual os resultados financeiros da Expoingá retornassem diretamente para projetos sociais, serviços comunitários e ações voltadas à população.
Para avançar, o Instituto Pra Somar também precisaria demonstrar capacidade técnica, financeira e operacional para realizar um evento do tamanho da Expoingá. A feira exige planejamento, contratação de fornecedores, segurança, estrutura sanitária, programação, atendimento aos expositores e gestão de milhares de visitantes.
A discussão não pode nascer com vencedor escolhido. Precisa começar com regras claras.
Maringá precisa receber uma contrapartida real
A Expoingá utiliza uma estrutura construída e modernizada com recursos públicos. O novo estacionamento, sozinho, terá custo estimado em R$ 56,6 milhões.
Diante desse volume de dinheiro, não basta afirmar que o evento movimenta a economia. A população precisa conhecer os números.
Qual é a receita anual da feira? Quanto entra com ingressos, shows, estacionamento, locação de espaços, publicidade e patrocínios? Quanto é investido na manutenção do parque? Qual valor retorna diretamente ao Município? Quais ações sociais recebem recursos? Quem fiscaliza essas contas?
Sem essas informações, o contribuinte conhece o custo, mas não consegue medir o retorno.
Um novo modelo precisa ser discutido
Maringá não deve continuar perguntando apenas o que pode fazer pela Sociedade Rural. A cidade precisa perguntar o que a entidade devolve à população em razão do uso de uma estrutura sustentada por dinheiro público.
Uma eventual participação do Pra Somar poderia ser uma das alternativas. Também podem existir outros modelos, como licitação da realização da feira, gestão compartilhada, concessão com metas de desempenho ou obrigação de aplicar parte das receitas em projetos municipais.
O ponto central não é trocar uma entidade por outra sem critérios. É romper com um modelo no qual o poder público assume investimentos milionários enquanto a população recebe poucas informações sobre receitas, despesas e contrapartidas.
Haverá quem diga que o Pra Somar não tem experiência para realizar a feira. Isso, porém, não impede a entidade de assumir o evento. Assim como faz a Sociedade Rural de Maringá, o Pra Somar também pode terceirizar os serviços necessários para a realização da Expoingá.
Uma coisa é certa: se a primeira-dama Bernadete Barros, presidente do Pra Somar, tivesse à disposição os recursos arrecadados pela Expoingá, sua disposição para trabalhar e servir faria da entidade um braço ainda mais forte da gestão de Silvio Barros.
Transparência antes de qualquer decisão
Antes de discutir quem deve realizar a Expoingá, a Prefeitura precisa divulgar os contratos, termos de concessão, cessão ou administração do parque. Também deve informar os direitos e as obrigações da Sociedade Rural de Maringá.
A entidade, por sua vez, deve apresentar os resultados econômicos da feira e esclarecer como utiliza as receitas obtidas em uma estrutura pública.
O Instituto Pra Somar, caso tenha interesse, precisará apresentar formalmente uma proposta, indicar as ações sociais que receberiam os resultados e comprovar condições para administrar um evento desse porte.
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A construção do estacionamento oferece a oportunidade para Maringá revisar essa relação. O Governo do Paraná e a Prefeitura colocarão R$ 56.621.661,96 na obra. Agora, a cidade precisa definir como esse patrimônio produzirá retorno público, quem administrará sua receita e quais benefícios chegarão ao cidadão que pagou a conta.
Outro local que precisa ser verificado, conforme estabelece o contrato, é o Estádio Willie Davids. Afinal, apenas o poder público paga as contas enquanto terceiros ficam com os lucros?



