Cidadão banca a obra e depois paga caro para estacionar: o lucro ficará com a SRM?

Cidadão banca a obra e depois paga caro para estacionar: o lucro ficará com a SRM?


Estado e Município investirão R$ 56,6 milhões na construção. Por isso, os maringaenses precisam saber quem administrará o estacionamento, quanto será cobrado e qual retorno ficará para a cidade.

Antes do início das obras do novo estacionamento da Expoingá, a Prefeitura de Maringá e a gestão de Henrique Pinto à frente da Sociedade Rural de Maringá precisam prestar esclarecimentos claros à população.

A construção custará R$ 56.621.661,96. Desse total, o Governo do Paraná repassará R$ 53.790.578,86. Além disso, a Prefeitura de Maringá colocará R$ 2.831.083,10.

Portanto, todo o dinheiro usado na obra será público.



O estacionamento terá três andares e capacidade para 1.011 veículos. Também contará com banheiros, elevadores, guichês e áreas de circulação.

A Prefeitura anunciou a construção em maio de 2026. Porém, não informou quem administrará o estacionamento. Além disso, ainda não explicou quem receberá o dinheiro cobrado dos motoristas.

Por isso, essas respostas precisam aparecer antes do início da obra.

Terreno da Expoingá pertence ao Município

O terreno onde ocorre a Expoingá pertence ao Município de Maringá. Assim, a área é patrimônio público dos maringaenses.

A Sociedade Rural de Maringá não é dona do imóvel. Entretanto, a entidade recebeu uma concessão para administrar e explorar comercialmente o espaço.

Essa concessão ocorreu em 2015. Na ocasião, a SRM participou da Concorrência Pública nº 53/2014.

Segundo a ata oficial da licitação, a entidade foi a única licitante habilitada. Além disso, a proposta global apresentada pela SRM foi de R$ 10.011.537,67.

Agora, o poder público pretende construir uma estrutura de R$ 56.621.661,96 dentro da área concedida. Ou seja, o investimento público supera em mais de cinco vezes o valor global daquela proposta.

Por isso, a Prefeitura precisa explicar se a nova obra mudará as condições econômicas da concessão.

Quem ficará com o dinheiro do estacionamento?

Essa é a principal pergunta que a Prefeitura e a Sociedade Rural precisam responder.

A SRM poderá cobrar pelo uso do novo estacionamento? Se puder, ficará com todo o dinheiro? Ou o Município receberá uma parte da arrecadação?

Além disso, a população precisa saber quem definirá os preços. Afinal, a SRM poderá estabelecer o valor sozinha ou dependerá da autorização da Prefeitura?

Até agora, a divulgação oficial não respondeu a essas perguntas.

Segundo a Prefeitura de Maringá, o estacionamento atenderá ao público da Expoingá e de outros eventos.

Contudo, o anúncio não explicou como o investimento retornará para o Município. Também não informou se os motoristas pagarão menos depois da construção.

Cidadão pode pagar duas vezes

Na Expoingá 2026, os preços divulgados para estacionar foram:

  • Moto: R$ 40
  • Carro: R$ 60
  • Caminhonete: R$ 80
  • Van: R$ 100

Com a nova obra, o cidadão poderá pagar duas vezes.

Primeiro, o contribuinte pagará por meio dos impostos usados na construção. Depois, poderá pagar novamente para estacionar.

A cobrança não é automaticamente ilegal. Porém, a Prefeitura precisa explicar quem receberá o dinheiro.

Além disso, o Município deve informar qual benefício ficará para Maringá. Caso a SRM explore comercialmente o estacionamento, também precisa existir uma contrapartida clara e proporcional.

Condenadas, mas com recursos

Cobrar pelo estacionamento pode ser legal?

A cobrança pode ser legal. Contudo, precisa respeitar o contrato de concessão e as leis aplicáveis.

A Lei Federal nº 8.987/1995 estabelece regras para as concessões públicas. Entre outros pontos, as receitas e tarifas precisam seguir o edital, a proposta vencedora e o contrato.

Além disso, o artigo 37 da Constituição Federal determina que a administração pública respeite princípios como legalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Em palavras simples, o poder público pode investir em uma área concedida. Porém, precisa demonstrar que a obra atende ao interesse da população.

Da mesma forma, a Prefeitura deve impedir que o investimento público crie uma vantagem privada sem retorno justo para o Município.

Pra Somar é a solução: Após R$ 56,6 milhões públicos, está na hora de discutir o futuro da Expoingá

A obra é moralmente aceitável?

A resposta depende das regras que a Prefeitura e a SRM ainda precisam apresentar.

Não parece justo que o cidadão pague pela construção e, depois, enfrente preços elevados para usar o estacionamento. A situação seria ainda mais difícil de justificar se toda a receita ficasse com uma entidade privada.

Por outro lado, o investimento poderá beneficiar a população se houver preços acessíveis, fiscalização e retorno financeiro para Maringá.

Portanto, a transparência precisa vir antes da obra.

A Prefeitura e a SRM devem divulgar os documentos, os valores e as regras. Dessa forma, a população poderá avaliar se o estacionamento realmente atende ao interesse público.

Estacionamento poderá atender outros eventos

A Sociedade Rural não utiliza o parque apenas durante a Expoingá. O espaço também recebe eventos próprios e de terceiros.

Consequentemente, o novo estacionamento poderá gerar receita durante outros períodos do ano.

Essa possibilidade aumenta a necessidade de transparência. Afinal, uma obra construída com dinheiro público poderá fortalecer atividades comerciais dentro de um terreno municipal.

Por isso, a Prefeitura deve informar se a SRM poderá cobrar pelo estacionamento nesses outros eventos. Além disso, precisa explicar se parte da arrecadação voltará aos cofres públicos.

Contrato já provocou questionamentos

O uso de dinheiro público em obras no Parque de Exposições já provocou questionamentos anteriormente.

Em 2017, um requerimento apresentado na Câmara de Maringá questionou um repasse de R$ 892.830,82 para a ampliação do Pavilhão Branco.

Segundo o requerimento, o Contrato nº 120/2015 atribuía à concessionária a obrigação de executar determinadas obras com recursos próprios.

Além disso, o documento perguntou por que a Prefeitura executava serviços que, segundo o pedido, seriam de responsabilidade da SRM. O registro está disponível no site da Câmara de Maringá.

Portanto, o episódio reforça a necessidade de apresentar o contrato completo antes da nova construção.

Prefeitura precisa apresentar documentos

A gestão do prefeito Silvio Magalhães Barros II precisa divulgar:

  1. O contrato completo da concessão.
  2. Todos os aditivos assinados desde 2015.
  3. O convênio firmado com o Governo do Paraná.
  4. O projeto completo do estacionamento.
  5. O estudo que justifica o investimento.
  6. A estimativa de arrecadação.
  7. O nome de quem administrará a estrutura.
  8. Os critérios usados para definir os preços.
  9. O destino do dinheiro arrecadado.
  10. A contrapartida que a SRM oferecerá ao Município.
  11. A forma de fiscalização.
  12. As regras para a prestação de contas.

Essas informações são essenciais. Afinal, a população precisa conhecer tanto o custo quanto o retorno da obra.

Sociedade Rural também precisa responder

A Sociedade Rural de Maringá também deve explicações.

O presidente da entidade, Henrique Pinto, afirmou que o estacionamento atenderá ao crescimento da Expoingá e de outros eventos.

Agora, a SRM precisa informar:

  • Se administrará o novo estacionamento.
  • Se cobrará pelo uso.
  • Quanto pretende cobrar.
  • Se contratará uma empresa para operar o local.
  • Quem ficará com a receita.
  • Se haverá repasse ao Município.
  • Qual contrapartida oferecerá.
  • Se os preços ficarão menores depois da construção.

A cobrança por informações não representa ataque à Expoingá ou à Sociedade Rural. Pelo contrário, trata-se de fiscalização sobre R$ 56.621.661,96 em dinheiro público.

Respostas precisam vir antes da obra

Até o momento, não há informações suficientes para afirmar que a futura exploração do estacionamento será ilegal.

Entretanto, também não existem respostas públicas capazes de garantir que o investimento beneficiará os contribuintes de forma justa.

O terreno pertence ao Município. Além disso, o Estado e a Prefeitura pagarão toda a obra. Enquanto isso, a SRM administra e explora comercialmente o parque.

Por isso, antes de começar a construção, Prefeitura e Sociedade Rural precisam responder três perguntas simples:

Quem vai cobrar? Quanto será cobrado? Quem ficará com o dinheiro?

Os maringaenses não podem conhecer apenas o valor da obra. Também têm o direito de saber quem receberá o dinheiro gerado por ela.

O transporte coletivo também funciona por meio de concessão pública. Nesse caso, a TCCC é responsável pelos investimentos na frota de ônibus. Então, por que, no Parque de Exposições, até a contrapartida da obra será paga pela Prefeitura, enquanto a SRM poderá ficar com a exploração e os lucros do estacionamento? A atual gestão e a Sociedade Rural precisam explicar essa diferença aos maringaenses.

Espaço para manifestação

A Prefeitura de Maringá e a Sociedade Rural de Maringá poderão se manifestar sobre os questionamentos. Caso enviem resposta, o posicionamento será incorporado à publicação.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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