Sandro Alex quer acelerar o Paraná, mas motorista encontra pedágio caro, buracos e obras atrasadas
Ex-secretário de Infraestrutura participou das discussões sobre o novo modelo de concessões. Agora, promete acelerar o Estado enquanto motoristas pagam pedágio e aguardam parte das obras contratadas.
Sandro Alex Cruz de Oliveira (PSD) promete “acelerar o Paraná”. Entretanto, o slogan eleitoral contrasta com tarifas de pedágio de R$ 18,80, obras paralisadas e projetos rodoviários que ainda aguardam conclusão.
Se o Paraná fosse uma rodovia, o motorista encontraria a cobrança logo no começo da viagem. Mais adiante, porém, enfrentaria desvios, intervenções e trechos que ainda esperam duplicação.
Nessas condições, acelerar exige cautela.
A comparação é política, mas parte de informações documentadas. Sandro Alex comandou a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística durante parte da gestão de Carlos Massa Ratinho Junior (PSD). Primeiro, ocupou o cargo entre janeiro de 2019 e abril de 2022. Posteriormente, retornou ao comando da pasta.
Portanto, o candidato não pode se apresentar somente como um motorista que acaba de chegar. Ele participou da administração que definiu prioridades e discutiu o novo modelo de concessões rodoviárias do Paraná.
Pedágio chegou rapidamente ao bolso do motorista

Em 15 de maio de 2026, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou o início da cobrança em três praças do Paraná. Os pontos ficam em Corbélia, Mamborê e Floresta.
A tarifa para automóveis foi fixada em R$ 18,80 em cada praça. Dessa maneira, quem atravessa os três pontos paga R$ 56,40 em um sentido.
Caso o motorista percorra o mesmo caminho na volta, o custo total chega a R$ 112,80. Esse cálculo considera exclusivamente as três praças nos dois sentidos. Combustível e outras despesas não entram na conta.
Os valores constam em publicação oficial da ANTT.
Enquanto a cobrança começou imediatamente, parte das duplicações, marginais, viadutos e passarelas será entregue ao longo dos próximos anos. Assim, o motorista já paga pelo uso da rodovia, mas ainda aguarda as principais melhorias previstas nos contratos.
Sandro Alex participou das discussões sobre o modelo
O Governo Federal conduz os contratos por meio do Ministério dos Transportes e da ANTT. Por sua vez, o Governo do Paraná participou da elaboração do programa e autorizou a inclusão de rodovias estaduais nos lotes.
Dessa forma, seria incorreto afirmar que Sandro Alex criou ou entregou sozinho o novo pedágio. Contudo, também seria errado afastá-lo completamente do processo.
Como secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex participou das audiências promovidas para discutir as concessões. Além disso, defendeu publicamente o modelo apresentado à população.
Em 2020, o então secretário afirmou que o Paraná não aceitaria um desconto pequeno nas tarifas. Na ocasião, ele disse que o governo estadual defendia desconto superior a 40%. Também mencionou uma proposta que previa a entrada do modelo híbrido somente depois de um desconto de 50%.
Naquele momento, porém, as condições ainda estavam em discussão. Portanto, a declaração não representava uma garantia contratual de redução pela metade.
O registro consta em entrevista concedida por Sandro Alex durante a elaboração do programa.
Contrato prevê obras durante 30 anos
Um dos contratos do novo programa abrange 627,52 quilômetros de rodovias federais e estaduais. O período da concessão é de 30 anos, enquanto os investimentos previstos chegam a R$ 10,8 bilhões.
O projeto inclui duplicações, melhorias de segurança, novas estruturas e atendimento aos usuários. Entretanto, boa parte das intervenções será executada ao longo do contrato.
As informações aparecem no projeto oficial do Lote 4 publicado pela ANTT.
Nesse cenário, surge uma cobrança legítima. Por qual motivo o motorista começa a pagar antes de receber as principais duplicações?
A concessão prevê obras futuras e exige manutenção imediata das rodovias. Ainda assim, o cidadão precisa acompanhar o cronograma e verificar se as empresas cumprirão os prazos.
Paraná registrou 32 obras paralisadas
Um levantamento da Secretaria de Estado das Cidades identificou 32 obras públicas paralisadas em maio de 2026. Juntos, os projetos representavam aproximadamente R$ 65 milhões.
A relação reunia intervenções nas áreas de saúde, segurança pública, infraestrutura viária e defesa agropecuária. Além disso, algumas obras já apresentavam percentuais elevados de execução quando sofreram a paralisação.
Nem todos os contratos são de responsabilidade direta de Sandro Alex. Afinal, prefeituras, empresas contratadas e diferentes órgãos públicos também possuem obrigações.
Mesmo assim, os números fazem parte do balanço da gestão estadual que apresenta o candidato como símbolo de velocidade e eficiência. O levantamento foi produzido pela Secretaria das Cidades e disponibilizado no Portal da Transparência.
Por isso, a população precisa saber o motivo de cada paralisação. Também deve conhecer os valores pagos, os responsáveis pelos atrasos e as novas previsões de entrega.
Quem promete acelerar deve prestar contas
Ruas urbanas são, em regra, responsabilidade das prefeituras. Contudo, o Governo do Paraná financia pavimentações e outras obras municipais por meio de programas e convênios.
Quando o Estado repassa recursos, deve acompanhar a execução. Afinal, anunciar investimentos e colocar placas não bastam. É necessário fiscalizar, concluir e prestar contas à população.
Nesse contexto, Sandro Alex precisa responder perguntas objetivas. Quantas obras começaram durante sua passagem pela Secretaria de Infraestrutura? Quantas terminaram no prazo? Quais receberam aditivos? Quantas continuam paralisadas ou atrasadas?
As mesmas perguntas devem ser feitas sobre as concessões. Quais intervenções serão entregues nos primeiros anos? Quando começarão as principais duplicações? O que acontecerá se uma concessionária descumprir o cronograma?
A cobrança acelera mais do que as obras?
O Governo Ratinho Junior afirma que as concessões garantirão investimentos, conservação e modernização das rodovias. As empresas, por sua vez, assumiram obrigações definidas nos contratos.
Esses investimentos deverão ser reconhecidos conforme forem executados. Entretanto, as promessas futuras não eliminam o efeito imediato do pedágio no orçamento das famílias e das empresas.
Se o Paraná fosse uma rodovia, Sandro Alex pediria velocidade em uma pista na qual o motorista já encontrou a cobrança. Parte das melhorias, porém, continua alguns quilômetros à frente.
Antes de acelerar, o candidato precisa apresentar o mapa completo. Isso inclui pedágios, obras paralisadas, contratos, aditivos, cronogramas e prazos de conclusão.
O motorista paranaense já começou a pagar. Agora, Sandro Alex, o Governo Ratinho Junior e as concessionárias precisam mostrar quando todas as obras contratadas chegarão ao destino.
Contraditório
O espaço permanece disponível para manifestações de Sandro Alex, do Governo do Paraná, da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística, do Departamento de Estradas de Rodagem, da Agência Nacional de Transportes Terrestres e das concessionárias responsáveis. Caso haja resposta, ela será incorporada à publicação.



