Cinto salva vidas: por que uma infração grave de Eduardo Pasquini virou motivo de deboche em Nova Esperança?

Cinto salva vidas: por que uma infração grave  de Eduardo Pasquini virou motivo de deboche em Nova Esperança?


Eduardo Pasquini aparece dirigindo aparentemente sem cinto em estrada asfaltada. Comentários tentaram normalizar a conduta, apesar dos riscos para a vida e dos impactos provocados pelos acidentes sobre ambulâncias, hospitais e UTIs.

O prefeito de Nova Esperança, Eduardo Pasquini, publicou um vídeo no qual aparece dirigindo por uma estrada rural asfaltada, aparentemente sem usar o cinto de segurança. Enquanto conduz o veículo, ele conversa e direciona o olhar, em alguns momentos, para a pessoa que aparentemente faz a gravação.

O Diário de Maringá cobrou o cumprimento da legislação. Depois da publicação, alguns perfis, entre eles pessoas apontadas como ocupantes de cargos comissionados na Prefeitura, tentaram tratar a falta do equipamento como um comportamento normal no município.

“Quem anda de cinto?”, escreveu uma internauta.



Outro comentário afirmou que seria “estranho” o prefeito usar o equipamento, porque “ninguém usa cinto nem dentro da cidade, quanto mais em estrada rural”.

A discussão não deveria ser sobre quem usa cinto em Nova Esperança. A pergunta correta é por que uma obrigação destinada a salvar vidas estaria sendo tratada com deboche, inclusive por pessoas ligadas ao poder público.

Se realmente existe o costume de dirigir sem cinto no município, a situação exige fiscalização, campanhas educativas e uma resposta das autoridades. Não serve como justificativa para que o chefe do Executivo apareça aparentemente repetindo a mesma conduta.

Estrada rural não está fora do Brasil

O artigo 65 do Código de Trânsito Brasileiro determina o uso obrigatório do cinto para o condutor e os passageiros em todas as vias do território nacional, ressalvadas apenas as exceções regulamentadas.

O artigo 167 classifica a falta do equipamento como infração grave. A penalidade inclui multa e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação.

A lei vale em rodovias, avenidas, ruas urbanas e estradas rurais, asfaltadas ou não. Não existe exceção para trajetos curtos, cidades pequenas ou locais onde algumas pessoas afirmam que “ninguém usa”.

Nova Esperança está submetida ao mesmo Código de Trânsito Brasileiro que todos os demais municípios do país.

Um gesto simples pode evitar consequências graves

Colocar o cinto leva poucos segundos. Esse gesto pode evitar que o ocupante bata contra o volante, o painel ou o para-brisa. Também reduz o risco de ejeção para fora do veículo.

Segundo informações divulgadas por órgãos públicos com base em estudos da Organização Mundial da Saúde, o cinto reduz entre 45% e 50% o risco de morte entre motoristas e passageiros dos bancos dianteiros. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes aponta redução de até 40% no risco de morte.

Ao diminuir a gravidade das lesões, o equipamento também pode evitar que uma vítima precise ser retirada por uma ambulância, submetida a cirurgia, internada em um hospital ou encaminhada para uma Unidade de Terapia Intensiva.

Não significa que o cinto evite toda internação. Nenhum equipamento elimina completamente os riscos de um acidente. Contudo, ele pode transformar uma colisão potencialmente fatal em uma ocorrência com consequências menos graves.

A escolha de não usar o equipamento não atinge apenas o motorista. Acidentes graves mobilizam equipes de resgate, ambulâncias, bombeiros, policiais, unidades de pronto atendimento, hospitais, centros cirúrgicos, bancos de sangue, profissionais de reabilitação e leitos de UTI.

Esses serviços pertencem a um sistema limitado, que também precisa atender pacientes com infartos, acidentes vasculares cerebrais, câncer, doenças respiratórias e outras emergências.

O Diário não encontrou uma estatística oficial que permita dizer quantos leitos de UTI são ocupados especificamente por vítimas que estavam sem cinto. Portanto, seria incorreto apresentar um número. O que os estudos permitem afirmar é que o equipamento reduz mortes e a gravidade dos ferimentos.

Acidente fatal em Sarandi reforça o alerta

Na mesma semana da discussão, segundo as informações encaminhadas ao jornal, Sarandi registrou um acidente com morte. Há uma informação preliminar de que a vítima poderia estar sem cinto, mas essa circunstância ainda precisa de confirmação oficial.

Sem laudo ou manifestação das autoridades responsáveis, não é possível atribuir a morte à falta do equipamento. O episódio, porém, mostra por que a segurança no trânsito não pode ser tratada como “mimimi”.

Sarandi já registrou outro caso que serve de alerta. Em 29 de janeiro de 2026, Maycon Bruno Rosa da Silva, de 28 anos, morreu após ser ejetado do veículo durante um capotamento. O Corpo de Bombeiros divulgou as imagens para destacar a importância do cinto, conforme noticiou o GMC Online.

Acidentes não avisam quando vão acontecer. Também não perguntam se o trajeto era curto, se a estrada ficava na área rural ou se outras pessoas tinham o costume de circular sem proteção.

Prefeito tem responsabilidade pública

Eduardo Pasquini ocupa o principal cargo do Executivo municipal. Quando divulga um vídeo para apresentar uma estrada ou uma ação administrativa, ele fala como autoridade pública.

Por isso, a publicação não pode ser analisada como uma gravação sem repercussão coletiva. A imagem de um prefeito sem cinto pode ajudar a banalizar uma conduta que a legislação classifica como infração grave.

A responsabilidade aumenta quando surgem comentários como “quem anda de cinto?” ou “ninguém usa”. Em vez de confirmar que a cobrança seria exagerada, essas manifestações revelam a necessidade de educação para o trânsito.

O prefeito poderia usar a repercussão para esclarecer o vídeo e incentivar o uso do equipamento. Também poderia anunciar ações para enfrentar o comportamento descrito pelos próprios moradores.

Gravação exige cuidado e atenção

As imagens indicam que outra pessoa fazia a gravação. Não há elementos para afirmar que o prefeito manuseava um telefone enquanto dirigia.

Entretanto, Pasquini conversa e aparentemente olha em direção à câmera em alguns momentos. O vídeo não permite concluir, sozinho, que houve outra infração.

O artigo 28 do Código de Trânsito Brasileiro determina que o condutor mantenha, a todo momento, o domínio do veículo e dirija com atenção e os cuidados indispensáveis à segurança.

Já o artigo 169 classifica como infração leve a condução sem atenção ou sem esses cuidados. Qualquer eventual enquadramento depende da análise das circunstâncias pelas autoridades competentes.

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O Diário cobra a mesma regra de todos

O Diário de Maringá já cobrou influenciadores que gravavam vídeos enquanto dirigiam. O jornal também questionou um vereador de Maringá que conduzia um veículo enquanto fazia uma gravação.

A legislação vale para prefeito, vereador, influenciador, servidor comissionado e cidadão comum.

A publicação do vídeo pelo próprio prefeito tornou legítimo o questionamento jornalístico. A cobrança se apoia nas imagens e no Código de Trânsito Brasileiro, não em disputa pessoal.

Segurança e órgãos de trânsito precisam reagir

Os comentários que afirmam que ninguém usa cinto em Nova Esperança devem servir de alerta para a Polícia Militar, os órgãos municipais e as demais instituições responsáveis pela segurança viária.

As autoridades precisam intensificar a fiscalização nas ruas, avenidas e estradas rurais. Também devem promover campanhas permanentes nas escolas, empresas, unidades de saúde e redes sociais.

O objetivo não deve se limitar à aplicação de multas. Campanhas e fiscalização podem impedir que uma pessoa seja projetada para fora de um veículo, sofra lesões graves, ocupe um leito hospitalar ou perca a vida.

A lei já é clara. O cinto salva vidas, reduz a gravidade das lesões e pode evitar a mobilização de ambulâncias, hospitais e UTIs. Essa obrigação vale em todo o Brasil, inclusive para o prefeito e para qualquer motorista de Nova Esperança.

A estrada asfaltada ficou ótima, e esse mérito deve ser reconhecido. No entanto, o prefeito de Nova Esperança, Eduardo Pasquini, poderia ter apresentado a obra de maneira mais segura, sem transmitir um mau exemplo à população.

Pelas imagens divulgadas pelo próprio prefeito, há indícios de que ele dirigia sem usar o cinto de segurança. A conduta, caso confirmada, constitui infração grave prevista no Código de Trânsito Brasileiro.

Mesmo assim, alguns classificaram a cobrança do jornal como “mimimi”. Perfis falsos e ocupantes de cargos comissionados também atacaram a publicação. A discussão, porém, não envolve preferência política nem perseguição. Trata-se de respeito à lei, prevenção e zelo pela saúde pública.

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A imprudência no trânsito provoca acidentes, internações e sobrecarga no sistema de saúde. Enquanto alguns tratam a prevenção como algo sem importância, é a população que enfrenta a falta de ambulâncias, leitos hospitalares e vagas em unidades de terapia intensiva.

Os comentários feitos após a publicação também revelam uma preocupante resistência de parte dos moradores ao uso do cinto. Esperamos que essa percepção não corresponda ao comportamento da maioria da população de Nova Esperança.

O cinto de segurança é obrigatório, reduz o risco de ferimentos graves e salva vidas. Por isso, autoridades públicas devem dar o exemplo. A obra pode e deve ser mostrada, mas sem desrespeitar a legislação nem estimular, ainda que indiretamente, uma conduta perigosa.

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Redação O Diário de Maringá

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