Nem os deputados do PSD querem dividir o banner com Sandro Alex?

Nem os deputados do PSD querem dividir o banner com Sandro Alex?


Perguntar não ofende. Alguém já encontrou pelas ruas de Maringá algum wind banner de candidato a deputado estadual ou federal do PSD que apresente Sandro Alex como candidato ao governo?

O PSD oficializou Sandro Alex em uma convenção que, segundo o próprio partido, reuniu cerca de 5 mil pessoas. Além disso, a candidatura conta com uma ampla coligação e com o apoio declarado do governador Carlos Massa Ratinho Junior.

No papel, a estrutura é grande. Nas ruas, porém, o entusiasmo parece não existir.

Onde estão os candidatos proporcionais do PSD que deveriam carregar a imagem de Sandro Alex? Por que tantos materiais destacam apenas os próprios candidatos? Os deputados estaduais e federais do partido acreditam efetivamente na candidatura ou cumprem apenas uma formalidade partidária?



Caso existam materiais espalhados pelo Paraná, os candidatos podem apresentá-los. Até lá, a pergunta continua aberta.

A popularidade que não se transforma em votos

A contradição aparece com mais força nas pesquisas.

Levantamento do Real Time Big Data divulgado no fim de agosto apontou 80% de aprovação para o governo Ratinho Junior. Na mesma pesquisa, Sandro Alex registrou 23% das intenções de voto, enquanto Sergio Moro apareceu com 35%.

Já no levantamento do Paraná Pesquisas, divulgado no início de setembro, Moro alcançou 45%, Requião Filho marcou 24% e Sandro Alex ficou com 17,5%.

Como foram realizadas por institutos diferentes, as pesquisas não permitem uma comparação matemática direta. Ainda assim, os números revelam uma questão política evidente: a popularidade atribuída ao governo Ratinho Junior não está sendo transferida automaticamente para seu candidato.

Se aproximadamente oito em cada dez eleitores aprovam o governo, por que Sandro Alex aparece tão distante desse patamar? Apesar de contar com uma grande coligação e com a estrutura política construída pelo PSD, o candidato escolhido pelo governador continua atrás dos principais adversários.

Onde estão as obras anunciadas?

Sandro Alex comandou a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística. Agora, apresenta sua candidatura como continuidade do atual governo e tenta transformar anúncios, convênios e investimentos em capital eleitoral.

Por isso, precisa responder com números e documentos.

Quantas obras anunciadas começaram efetivamente? Quantas receberam ordem de serviço? Entre elas, quantas foram concluídas ou permanecem no papel? Também é preciso informar a situação dos projetos de pavimentação apresentados aos prefeitos.

Anunciar recursos não significa entregar uma obra. Da mesma forma, assinar um convênio não coloca máquinas no canteiro. Um vídeo institucional, por sua vez, não resolve o problema de quem continua esperando asfalto, duplicações e melhorias nas rodovias.

Se parte dos prefeitos não demonstra o entusiasmo esperado, o governo deveria explicar se cumpriu todos os compromissos anunciados aos municípios. A população também tem o direito de conhecer os cronogramas, os valores liberados e o estágio de execução de cada projeto.

A “República da Fazenda Ubatuba” perdeu capacidade de convencimento?

Adversários usam a expressão “República da Fazenda Ubatuba” para se referir ao grupo político mais próximo do governador. Independentemente do apelido, existe uma pergunta concreta: esse núcleo ainda consegue mobilizar prefeitos, deputados e lideranças municipais em torno do sucessor escolhido?

Aparentemente, nem a pressão política atribuída ao grupo do governo está produzindo o resultado esperado. Pelo menos, essa mobilização ainda não aparece com a mesma intensidade nas pesquisas ou nos materiais de rua.

Aniversariante

Eventuais denúncias de pressão sobre servidores, diretores de escolas, policiais ou ocupantes de cargos públicos precisam ser documentadas e encaminhadas à Justiça Eleitoral e aos órgãos de controle. Secretarias de Estado, especialmente as de Educação e Segurança Pública, não podem funcionar como estruturas eleitorais de qualquer candidatura.

Nesse contexto, o governo e a campanha de Sandro Alex devem esclarecer publicamente se servidores, estruturas administrativas, eventos oficiais ou canais institucionais estão sendo usados direta ou indiretamente na mobilização eleitoral.

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Sem provas, não se pode apresentar essa suposta pressão como fato consumado. Ao mesmo tempo, não se deve ignorar a gravidade da denúncia. Caso existam documentos, mensagens ou ordens internas, o material precisa ser encaminhado aos órgãos competentes para investigação.

Uma popularidade construída pela publicidade?

A diferença entre a aprovação de Ratinho Junior e o desempenho de Sandro Alex permite outra hipótese: até que ponto a popularidade do governo reflete entregas percebidas pela população e quanto dela resulta de uma comunicação oficial eficiente, constante e cuidadosamente produzida?

A Secretaria de Estado da Comunicação construiu uma máquina publicitária capaz de apresentar um Paraná de grandes obras, crescimento e resultados. Contudo, resta saber quanto desse Paraná exibido nas peças publicitárias existe, de fato, na vida dos moradores dos 399 municípios.

Transtornos em 1961

Caso tudo o que aparece na propaganda tivesse chegado integralmente à população, seria razoável esperar que Ratinho Junior transferisse uma parcela muito maior de sua aprovação para o candidato escolhido como sucessor.

O governador chegou a ser apresentado como presidenciável. Agora, corre o risco político de deixar o Palácio Iguaçu sem conseguir eleger o próprio candidato ao governo.

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Esse cenário ocorre mesmo com ampla exposição institucional, uma grande coligação, a estrutura política do PSD e a influência de um grupo familiar que possui emissoras de rádio e televisão.

Sandro Alex ainda não entusiasma

Uma diferença já aparece com clareza: Sandro Alex não demonstra nas pesquisas o mesmo desempenho atribuído ao governo Ratinho Junior. Além disso, não ocupa de maneira perceptível o espaço esperado nos materiais de rua dos candidatos aliados.

A máquina pode organizar eventos, enquanto a publicidade produz peças impecáveis. O governo também pode reunir prefeitos e anunciar novos investimentos. Nada disso, entretanto, garante entusiasmo eleitoral.

Sandro Alex precisa mostrar que possui votos próprios, apoio verdadeiro e capacidade de mobilização. Afinal, não basta ser o candidato escolhido por Ratinho Junior ou aparecer ao lado do governador em vídeos e solenidades.

Quando o apoio dos deputados existe, ele precisa aparecer nas ruas. Da mesma forma, se as obras foram entregues, o governo deve apresentar a relação completa. Caso os prefeitos estejam convencidos, a mobilização precisa ser espontânea e visível.

Até agora, a popularidade de Ratinho Junior e a pontuação de Sandro Alex parecem pertencer a realidades políticas diferentes. Vale lembrar que situação semelhante ocorreu quando Guto Silva era apresentado como possível sucessor.

Esse histórico reforça a hipótese de que o problema não está apenas no candidato escolhido, mas no próprio governo Ratinho Junior. Enquanto a Secretaria de Estado da Comunicação demonstra competência para divulgar projetos e construir uma imagem positiva da administração, outras secretarias não conseguem entregar, no mesmo ritmo, aquilo que a publicidade apresenta.

Essa distância pode indicar que o eleitor aprova o governador, mas não transfere automaticamente esse apoio ao sucessor escolhido. Também pode revelar que o Paraná exibido pela comunicação oficial encontra dificuldades quando confrontado com o que o governo Ratinho Junior realmente entregou à população e submetido à avaliação das urnas.

TV Diário
Francielli

Francielli

Jornalista com quase 20 anos de experiência. Sua carreira está dividida em mais de 10 anos como produtora, pauteira e editora chefe de TV e alguns bons anos como assessora de imprensa. Apaixonada por novidades, tendências e viagens.

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