Roberto Requião pode estar entre os deputados federais mais votados do Brasil

Roberto Requião pode estar entre os deputados federais mais votados do Brasil


Trajetória como governador, apoio de servidores e desempenho eleitoral de Requião Filho alimentam projeção sobre uma votação expressiva em 2026

Roberto Requião de Mello e Silva (PDT) poderá sair das urnas como um dos deputados federais mais votados do Paraná e até do Brasil nas eleições de 2026. A avaliação circula nos bastidores da política paranaense. Contudo, ainda não existe pesquisa pública para deputado federal que confirme essa projeção.

A expectativa se apoia em dois fatores principais. O primeiro é a trajetória de Requião, que governou o Paraná por três mandatos e representou o estado no Senado Federal. O segundo é o desempenho de seu filho, o deputado estadual Maurício Requião de Mello e Silva, o Requião Filho (PDT), na disputa pelo Governo do Paraná.

Requião Filho supera o candidato apoiado pelo governo

Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado em 3 de setembro mostra Requião Filho com 24% das intenções de voto. Assim, ele ocupa a segunda colocação, à frente de Sandro Alex Cruz de Oliveira (PSD), que registra 17,5%. O senador Sergio Moro (PL) lidera com 45%.



A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número PR-03399/2026.

Até agora, portanto, nem a estrutura do Governo do Paraná nem a ampla aliança política formada ao redor do governador Carlos Roberto Massa Junior, o Ratinho Junior (PSD), conseguiram levar Sandro Alex à frente de Requião Filho.

Esse desempenho não representa uma transferência automática de votos do filho para o pai. Entretanto, mostra que o nome Requião ainda possui força eleitoral e identidade própria no Paraná.

Ex-governador mantém uma base estadual

Roberto Requião disputou o Governo do Paraná em 2022 e recebeu 1.598.204 votos. Antes disso, concorreu ao Senado em 2018 e somou 1.528.291 votos. Já em 2010, venceu a eleição para senador com 2.691.557 votos.

Os resultados revelam uma base eleitoral distribuída por todo o estado. Agora, como candidato a deputado federal, Requião precisa de uma parcela menor desse eleitorado para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Caso consiga mobilizar parte relevante dos votos obtidos nas disputas majoritárias, poderá alcançar uma das maiores votações do Paraná. Além disso, dependendo do resultado, poderá aparecer entre os candidatos a deputado federal mais votados do país.

Essa hipótese, porém, representa uma projeção política. Somente a apuração das urnas permitirá uma comparação nacional.

Servidores preservam a memória de Requião

Outro componente importante da candidatura está entre os servidores públicos estaduais. Requião conserva apoio em segmentos do funcionalismo que associam seus governos à valorização das carreiras e à defesa dos serviços públicos.

Durante suas administrações, o governo implantou um plano de cargos e salários para os professores. Também realizou investimentos na rede estadual de ensino e nas universidades públicas.

Além disso, o Estado comprou 40 mil computadores para as escolas e conectou a rede escolar por fibra óptica, segundo o histórico publicado pela Casa Civil do Paraná.

Não é possível afirmar que todos os servidores apoiam Requião. Afinal, o funcionalismo reúne diferentes categorias, interesses e posições políticas. Ainda assim, a lembrança de suas gestões representa um ativo eleitoral, principalmente diante das atuais discussões sobre salários e condições de trabalho no serviço público.

Programas sociais marcaram os governos

Roberto Requião governou o Paraná de 1991 a 1994 e, novamente, entre 2003 e 2010. Nesse período, implantou ações que ainda fazem parte da memória política do estado.

Entre elas está o programa Leite das Crianças, que fornecia um litro de leite por dia às crianças de famílias de baixa renda. Da mesma forma, o Luz Fraterna beneficiava consumidores de baixa renda com a isenção da tarifa de energia elétrica.

Na habitação, o primeiro mandato implantou o programa Casa da Família. Conforme a biografia oficial mantida pelo Governo do Paraná, a iniciativa construiu mais de 60 mil moradias.

Na área da saúde, 24 hospitais passaram por reformas ou tiveram suas construções iniciadas. Ao mesmo tempo, o governo implantou 126 Centros de Saúde da Mulher e da Criança, segundo a Casa Civil do Paraná.

Ferroeste, estradas e agricultura

Os governos de Requião também executaram projetos de infraestrutura. Em parceria com o Exército Brasileiro, o Paraná construiu a Ferroeste, ligando Cascavel a Guarapuava e fortalecendo o transporte de cargas em direção ao Porto de Paranaguá.

Além disso, o governo recuperou mais de 5 mil quilômetros de estradas sem cobrança de pedágio, conforme os dados da Casa Civil. Requião também investiu no Porto de Paranaguá e em programas destinados aos pequenos agricultores.

No primeiro mandato, o programa Paraná Rural promoveu a recuperação do solo, o combate à erosão e a readequação de estradas rurais. Já o Panela Cheia ofereceu financiamento das safras com equivalência em produto.

Copel e Sanepar viraram marcas políticas

A defesa do controle público da Companhia Paranaense de Energia, a Copel, e da Companhia de Saneamento do Paraná, a Sanepar, tornou-se uma das principais marcas de Roberto Requião.

Durante seus governos, as duas companhias permaneceram sob controle estadual. Em 2023, porém, o governo Ratinho Junior concluiu a privatização da Copel. Requião combateu publicamente a venda.

A Sanepar também ocupou espaço central em seus governos. A empresa permaneceu sob controle público e adotou uma tarifa social destinada à população de baixa renda.

Por isso, a defesa das empresas públicas ainda diferencia Requião de parte dos adversários. Essa posição também aproxima o ex-governador de servidores, sindicatos e eleitores contrários às privatizações.

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Pedágios também definiram sua trajetória

Requião adotou um discurso crítico contra as tarifas cobradas pelas concessionárias de rodovias. Embora não tenha encerrado os contratos, transformou o pedágio em uma das bandeiras mais conhecidas de sua carreira.

Um estudo publicado pelo Núcleo de Estudos Paranaenses da Universidade Federal do Paraná analisou as políticas implantadas durante seus governos. Segundo o trabalho, a maior parte delas se aproximou mais de um modelo de Estado social do que de uma agenda neoliberal.

A pesquisa também destacou a atuação de Requião em temas como pedágios, transgênicos e preservação do patrimônio público. O estudo está disponível na revista da Universidade Federal do Paraná.

Trajetória fortalece a candidatura

A candidatura de Roberto Requião reúne uma experiência política que poucos concorrentes possuem. Ele já foi deputado estadual, prefeito de Curitiba, secretário estadual, governador por três mandatos e senador em duas ocasiões.

Além da própria trajetória, Requião acompanha o crescimento eleitoral do filho. Mesmo enfrentando a candidatura apoiada por Ratinho Junior e pela estrutura política construída pelo PSD, Requião Filho permanece à frente de Sandro Alex nas pesquisas divulgadas até agora.

Esses fatores ajudam a explicar por que a possível votação de Roberto Requião ganhou espaço nos bastidores. A memória de seus governos, a relação com os servidores, a defesa das empresas públicas e o desempenho do filho sustentam a projeção.

Não há, até o momento, pesquisa que coloque Requião entre os deputados federais mais votados do Brasil. No entanto, os resultados alcançados por ele em eleições anteriores mostram potencial para uma votação expressiva.

Se conseguir mobilizar parte relevante dessa base, Roberto Requião poderá não apenas conquistar uma cadeira na Câmara, mas também ocupar uma posição de destaque no ranking nacional de votos.

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Redação O Diário de Maringá

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