Vídeo:Tapas contra a imprensa: Câmara, Sergio Moro e PL vão responsabilizar vereadora ou permanecer em silêncio?
Giselli Bianchini reagiu depois que Gilmar Ferreira entrevistou Luiz Neto sobre a crítica feita por ele na tribuna. A vereadora ameaçou o jornalista, tentou impedir a cobertura e atingiu o aparelho usado na gravação
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A vereadora Giselli Bianchini, do Partido Liberal e apoiadora de Sergio Moro, deu um tapa no celular do jornalista Gilmar Ferreira durante uma cobertura na Câmara Municipal de Maringá.
O episódio aconteceu hoje 10/09 logo após Gilmar entrevistar o vereador Luiz Neto. Na tribuna, Neto havia contestado a maneira como Giselli apresentou uma denúncia envolvendo profissionais da educação.
Luiz Neto criticou acusações contra professores
Na entrevista que antecedeu o episódio, Luiz Neto afirmou que qualquer denúncia de agressão contra crianças precisa de investigação. Entretanto, criticou acusações contra profissionais da educação antes da conclusão da apuração e sem direito à ampla defesa.
“Para falar dos professores, tem que saber o que está falando. Nós não estamos desacreditando que possa acontecer algum problema nas escolas, mas fazer uma acusação contra profissionais da educação na tribuna, sem mesmo ter uma investigação, o direito da ampla defesa e as informações, para mim é um absurdo”, declarou.
O vereador também afirmou que acompanha diariamente a realidade das escolas e conhece a dedicação dos servidores.
“Estou nas escolas todos os dias. A gente vê a realidade, quantos professores e profissionais se dedicam e o quanto a infraestrutura da educação sofre”, disse.
Segundo Luiz Neto, a defesa das crianças não autoriza uma condenação antecipada de professores.
“Nós vamos continuar trabalhando para garantir que as escolas tenham o apoio de que precisam e, principalmente, que os profissionais da educação não sejam acusados de forma leviana”, afirmou.
Entrevista provocou reação de Giselli
Depois de ouvir Luiz Neto, Gilmar Ferreira manteve a câmera ligada e procurou Giselli para registrar sua versão. A vereadora, porém, reagiu ao fato de o jornalista ter entrevistado o parlamentar.
“Olha só, foi mandado pelo vereador Luiz Neto, que eu acabei de ver. Vai lá filmar ela e você vai ser responsabilizado”, afirmou Giselli.
Gilmar negou a acusação. Luiz Neto não mandou o jornalista abordar a parlamentar. A entrevista fazia parte da cobertura da sessão e tratava de uma divergência pública entre dois vereadores.
Ouvir os dois lados constitui uma obrigação básica do jornalismo. Portanto, entrevistar Luiz Neto e procurar Giselli para o contraditório não representa perseguição.
Mesmo assim, a vereadora interpretou a cobertura como uma ação contra ela.
Giselli apresenta a denúncia recebida
Giselli afirmou que recebeu uma denúncia de Evelyn Batistella. Segundo a parlamentar, a mãe foi até um Centro Municipal de Educação Infantil e teria ouvido o filho gritar.
Ainda conforme o relato apresentado pela vereadora, Evelyn entrou no local e teria presenciado a criança sendo agredida e sacudida.
Giselli disse que recebeu uma cópia do boletim de ocorrência. Também afirmou que a Polícia Civil investiga o caso e que a Patrulha Escolar compareceu à unidade.
“Estou fazendo o meu trabalho de fiscalização. O dever do parlamentar é fiscalizar e receber denúncias”, declarou.
A denúncia merece apuração rigorosa. Contudo, até o momento, não foi apresentada uma conclusão da investigação nem eventual responsabilização de algum profissional.
Assim, o caso permanece no campo da denúncia. A criança e a mãe merecem proteção. Do mesmo modo, os profissionais citados têm direito à defesa.
Vereadora ameaça jornalista
Após mencionar a entrevista com Luiz Neto, Giselli passou a ameaçar Gilmar com medidas judiciais.
“Eu vou estar indo lá na delegacia hoje porque você é stalker”, afirmou.
Em seguida, disse que o jornalista publicava matérias inverídicas contra ela.
“Reiteradamente, você está fazendo matérias contra mim, inverídicas, e você vai ter que provar na Justiça”, declarou.
Naquele momento, Giselli não informou qual reportagem continha informação falsa. Também não apresentou qualquer documento para contestar o conteúdo publicado.
Acionar a Justiça é um direito. No entanto, ameaçar repetidamente um jornalista durante uma abordagem pode representar uma tentativa de constranger e interromper a cobertura.
Vereadora relaciona jornalista a Luiz Neto
Giselli insistiu que Gilmar estaria agindo a mando de Luiz Neto. A acusação não veio acompanhada de provas.
O jornalista havia acabado de entrevistar o vereador porque ele se manifestou na tribuna sobre um assunto de interesse público. Na sequência, Gilmar procurou Giselli justamente para ouvir o outro lado.
Portanto, a sequência mostra uma cobertura jornalística normal. Primeiro, o profissional ouviu quem fez a crítica. Depois, buscou a manifestação de quem recebeu a crítica.
Giselli, contudo, não aceitou essa dinâmica. A entrevista com Luiz Neto parece ter provocado a reação que terminou no tapa contra o celular.
Pergunta sobre igreja aumenta tensão
Gilmar também questionou a vereadora sobre um vídeo de apoio político gravado em ambiente religioso e divulgado durante a semana.
Na publicação, Giselli recebeu apoio e foi apresentada como a única candidata evangélica de Maringá e das cidades próximas. A afirmação provocou questionamentos porque existem outras candidaturas ligadas ao segmento evangélico na região.
A parlamentar não respondeu diretamente à pergunta sobre o uso da igreja. Em vez disso, voltou a ameaçar o jornalista.
“Nós vamos processar você hoje porque passou dos limites. Isso é caso de stalker”, afirmou.
Perguntar sobre a utilização de um espaço religioso em uma manifestação política não configura perseguição. A questão envolve a atividade pública e eleitoral de uma ocupante de mandato.
Giselli manda jornalista parar de filmar
Na sequência, a vereadora tentou interromper o trabalho de Gilmar.
“Pare de ficar filmando. Ninguém mandou você filmar”, declarou.
Gilmar respondeu que estava em um espaço público. Então, Giselli deu um tapa no celular usado para registrar a cobertura. O aparelho quase caiu.
Depois de atingir o equipamento, Giselli acusou Gilmar de agredir uma mulher.
“Você está agredindo uma mulher”, repetiu.
As imagens permitem que o público avalie a situação. O vídeo mostra o jornalista trabalhando e a vereadora atingindo seu aparelho.
Giselli tenta impedir o contraditório
A origem do episódio precisa ficar clara. Giselli não reagiu a uma agressão do jornalista. Ela reagiu porque Gilmar entrevistou Luiz Neto e tentou ouvir sua versão sobre as críticas feitas na tribuna.
Esse é exatamente o procedimento esperado de uma cobertura responsável. O jornalista ouviu um vereador e procurou a outra parlamentar citada.
Em vez de aproveitar o espaço para explicar sua posição, Giselli acusou Gilmar de perseguição, atribuiu a abordagem a Luiz Neto, ameaçou recorrer à Justiça e tentou interromper a gravação.
A reação mostra dificuldade para aceitar o contraditório. Giselli aparentou perder o controle porque não gostou da entrevista concedida por Luiz Neto nem das perguntas feitas posteriormente.
Conduta pode gerar apuração por quebra de decoro
A tentativa de impedir uma cobertura, o tapa no celular e o pedido para retirar o jornalista da Câmara podem motivar uma representação contra Giselli Bianchini.
Somente uma apuração formal poderá definir se a conduta configura quebra de decoro parlamentar. Para isso, a Câmara precisa examinar as imagens, ouvir os envolvidos e aplicar suas normas internas.
Não cabe antecipar uma condenação. Porém, também não cabe ignorar um episódio ocorrido dentro da sede do Poder Legislativo e durante o exercício do mandato.
A Mesa Diretora deve informar se pretende analisar o comportamento da vereadora.
PL e Sergio Moro vão se manifestar?
Giselli Bianchini integra o Partido Liberal e declara apoio a Sergio Moro. Ambos usam a defesa da liberdade como bandeira política.
Agora, o PL precisa dizer se considera aceitável que uma de suas vereadoras dê um tapa no celular de um jornalista durante uma cobertura.
O partido cobrará explicações? Analisará a conduta da filiada? Ou permanecerá em silêncio?
A mesma pergunta vale para Sergio Moro. O apoio político significa concordância com a tentativa de impedir uma cobertura jornalística?
Liberdade de expressão não existe apenas para aliados. Ela também protege o trabalho da imprensa e o direito de fazer perguntas incômodas.
Discussão sobre professores termina em bate-boca na Câmara de Maringá
O Diário continuará fazendo perguntas
O Diário de Maringá continuará acompanhando a Câmara e fiscalizando seus integrantes. Ameaças judiciais não impedirão o veículo de entrevistar vereadores e buscar o contraditório.
Gilmar Ferreira não discutiu com Giselli Bianchini. Ele entrevistou Luiz Neto e, depois, procurou a vereadora para ouvir sua versão.
Giselli poderia responder, negar as críticas ou encerrar a entrevista. Contudo, preferiu acusar o jornalista, ameaçá-lo, mandar que parasse de filmar e dar um tapa no celular.
O Diário mantém espaço aberto para que a vereadora explique sua conduta, indique quais matérias considera inverídicas e esclareça por que tentou impedir a cobertura.
A Câmara Municipal, o Partido Liberal e Sergio Moro também podem informar quais providências pretendem tomar diante das imagens.



