Ratinho Junior ou “Ratinho Master”? Antes de pedir continuidade com Sandro Alex, o governador precisa explicar Credcesta, pagamentos à família e Tayayá?
Grupo Massa confirmou à Folha pagamentos de R$ 1,68 milhão por publicidade. Outras reportagens registram repasses a empresas do apresentador e participação temporária no Tayayá Porto Rico.
Por Gilmar Ferreira
A Massa & Massa, empresa que tem entre seus sócios o governador do Paraná, Carlos Roberto Massa Junior, conhecido como Ratinho Junior, do Partido Social Democrático (PSD), recebeu R$ 1,68 milhão do Banco Master. A Folha de S.Paulo publicou a informação em 2 de setembro de 2026. A assessoria do Grupo Massa confirmou à reportagem os pagamentos em quatro parcelas de R$ 420 mil.
Em nota à Folha, o grupo afirmou que o contrato remunerava o uso da imagem do apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, na divulgação do Credcesta. Informou também que encerrou a relação comercial por distrato após atrasos e desencontros entre serviços e pagamentos.
O Grupo Massa declarou que o banco operava regularmente quando as partes celebraram o contrato. Segundo a empresa, a contratação teve finalidade exclusivamente comercial e publicitária.
Naquela ocasião, o Governo do Paraná afirmou à Folha que não comentaria o assunto.
Outras empresas receberam R$ 24 milhões, segundo reportagem
A Tribuna do Paraná publicou, em 8 de abril de 2026, que documentos da Receita Federal enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado registravam pagamentos do Master a outras duas empresas ligadas ao apresentador.
Segundo a reportagem, a Massa Intermediação recebeu R$ 21 milhões entre 2022 e 2025. A Gralha Azul Empreendimentos e Participações recebeu R$ 3 milhões em 2022.
Em resposta à Tribuna, o Grupo Massa afirmou que Ratinho Junior não integra o quadro societário dessas duas empresas. O grupo também declarou que seus rendimentos incluem campanhas publicitárias e parcerias comerciais, com declaração à Receita Federal.
Esta matéria não soma os R$ 1,68 milhão aos R$ 24 milhões, pois não realizou uma conferência integral dos registros para verificar eventual sobreposição.
Credenciamento da PKL One depende de acesso ao processo
A Gazeta do Paraná publicou, em 21 de junho de 2026, informações apresentadas pelo ex-deputado estadual Homero Marchese sobre a habilitação da PKL One Participações S.A., operadora do Credcesta.
Segundo a reportagem, a empresa abriu uma filial no Paraná em 19 de agosto de 2021 e recebeu habilitação cinco dias depois. Marchese apontou a Resolução nº 12.047, assinada pelo então secretário de Estado da Administração e da Previdência, Marcel Micheletto, como o ato de credenciamento.
Marchese relatou dificuldade para localizar a resolução nos canais oficiais. Disse, porém, que encontrou o documento no Diário Oficial do Paraná. Seu relato não comprova retirada deliberada do ato ou intenção de ocultá-lo.
Na página oficial sobre consignações, a Secretaria da Administração explica que a consignação facultativa depende da autorização do servidor. Portanto, o credenciamento de uma empresa não comprova, por si só, transferência de recursos previdenciários ou entrega de dinheiro público a Daniel Vorcaro.
Família Massa teve participação temporária no Tayayá Porto Rico
Em reportagem publicada pelo UOL em janeiro de 2026, com informações do Estadão, o Grupo Massa confirmou participação minoritária e temporária no projeto do Tayayá Porto Rico, entre fevereiro de 2021 e maio de 2024.
Segundo a manifestação, a participação seria integralizada majoritariamente por permuta de veiculação de mídia nas emissoras do grupo.
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É necessário distinguir os empreendimentos. A Folha informou que o Tayayá Porto Rico fica em São Pedro do Paraná. Já o Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro, teve um fundo ligado ao Banco Master entre seus investidores.
Em resposta à Folha, o Tayayá Porto Rico afirmou que não tem nem teve vínculo com fundos ligados ao banco. Assim, as fontes citadas não permitem afirmar que o Master financiou o empreendimento que teve participação da família Massa.
Governo e IAT negaram influência política no licenciamento
Segundo a Folha, o Instituto Água e Terra (IAT) emitiu licença prévia em 2022 para o Tayayá Porto Rico, cujo projeto previa intervenções em Área de Preservação Permanente.
A reportagem informou que, após ação do Ministério Público Federal, um acordo alterou o projeto para afastar as obras dessa área. A Justiça homologou o acordo em setembro de 2023.
Em resposta à Folha, o IAT e o governo estadual afirmaram que o licenciamento seguiu critérios técnicos. O instituto negou influência política em razão da participação da família do governador no empreendimento.
Perguntas para Ratinho Junior e Sandro Alex
Os registros citados fundamentam perguntas sobre os contratos privados e os procedimentos administrativos. Quais serviços remuneraram os pagamentos? Quais pareceres sustentaram o credenciamento da PKL One? Como o Estado fiscalizou as operações com o funcionalismo?
Ao candidato ao governo Sandro Alex, do PSD, cabe perguntar se apoia a divulgação integral desses documentos. A Folha o identifica como o candidato apoiado por Ratinho Junior para sua sucessão. As fontes examinadas nesta matéria não demonstram participação de Sandro Alex no credenciamento da PKL One.
As respostas reproduzidas neste texto foram prestadas aos veículos identificados. Não houve envio de novos questionamentos durante esta elaboração. Por isso, não se atribui silêncio ou recusa de resposta aos citados sobre as perguntas aqui apresentadas.
O contrato da Massa & Massa com o Banco Master e o processo de habilitação da PKL One são documentos centrais para aprofundar a apuração.



