Feriado expõe gargalo no transporte de trabalhadores de indústrias com operação 24 horas
Com a data caindo em uma segunda-feira, empresas com operações 24 horas precisam planejar o transporte de trabalhadores
O feriado de 12 de outubro, que neste ano cai em uma segunda-feira e prolonga o fim de semana para boa parte dos brasileiros, não significa pausa para todos. Indústrias, centros logísticos, mineradoras e outras empresas com operações 24 horas mantêm suas atividades e trocas de turno normalmente. Para essas companhias, a data evidencia um desafio: garantir o deslocamento dos funcionários em um dia em que a dinâmica de transporte nas cidades muda.
Enquanto parte dos motoristas de aplicativo pode optar por viajar, descansar ou reduzir a jornada durante o feriado, a demanda de quem trabalha em operações contínuas permanece. O cenário pode tornar a oferta de veículos mais imprevisível, principalmente nos horários de troca de turno e em unidades localizadas em regiões mais afastadas.
“Em uma operação que funciona 24 horas, o feriado não elimina a necessidade de deslocamento. Os colaboradores precisam chegar no horário previsto, inclusive em locais onde as alternativas de transporte já são menores em dias normais. Por isso, a mobilidade precisa ser planejada como parte da própria continuidade da operação”, afirma Leandro Farias, CEO da Autonomoz, empresa especializada em mobilidade corporativa.
O desafio ganha dimensão quando se observa o volume de brasileiros que precisam se deslocar para trabalhar. Dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 9,3 milhões de pessoas trabalham em um município diferente daquele onde vivem. Cerca de 1,3 milhão de trabalhadores levam mais de duas horas para chegar ao local de trabalho.
Planejamento antes do feriado reduz imprevisibilidade
Para empresas que funcionam em regime contínuo, a mobilidade dos funcionários passa a integrar o planejamento operacional. Segundo Farias, antecipar escalas, horários, regiões atendidas e demanda por veículos ajuda a reduzir a exposição a oscilações na oferta de transporte durante os feriados. A medida é especialmente relevante para plantas industriais, centros logísticos, mineradoras e outras unidades localizadas fora das regiões centrais, onde as alternativas de deslocamento tendem a ser mais restritas.
No transporte corporativo planejado, informações como horários, rotas, volume de passageiros e locais de embarque são definidas previamente, permitindo organizar o atendimento de acordo com as necessidades de cada empresa. “Esperar o feriado chegar para descobrir se haverá disponibilidade suficiente aumenta a exposição da companhia. Quando as escalas são conhecidas e a mobilidade é organizada com antecedência, a operação ganha previsibilidade justamente em uma data em que o comportamento do transporte pode ser diferente”, explica o CEO da Autonomoz.
Feriado também pode representar oportunidade para motoristas
Para os motoristas que decidem trabalhar, o feriado também pode abrir oportunidades. Mesmo com a redução das atividades em parte das cidades, empresas com funcionamento contínuo mantêm a demanda pelo transporte de funcionários. No segmento corporativo, esses deslocamentos podem envolver viagens programadas, rotas previamente definidas e conhecimento antecipado das condições da corrida.
“Enquanto alguns motoristas optam por descansar no feriado, há empresas que continuam funcionando e precisam transportar seus colaboradores. Para quem decide trabalhar, a mobilidade corporativa representa uma demanda que não desaparece porque é feriado”, acrescenta Farias.



