Governo Ratinho na mira dos estudantes:UMES repudia fechamento de turmas em colégio estadual em Maringá
Entidades estudantis questionam decisão atribuída à Secretaria de Estado da Educação, denunciam falta de diálogo e alertam para o risco de evasão escolar.
A União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Maringá (UMES-Maringá) e o Grêmio Estudantil Avança Juventude divulgaram uma nota de repúdio contra o anunciado fechamento de 11 turmas do ensino médio do Colégio Estadual Sílvio Magalhães de Barros, em Maringá.
Segundo as entidades, a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR), com a anuência do Núcleo Regional de Educação (NRE), decidiu encerrar gradualmente essa etapa de ensino na instituição.
Além disso, a medida prevê a transferência dos estudantes para o Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP), localizado em outro bairro da cidade.
As entidades afirmam que a comunidade escolar não participou das discussões. Conforme a nota, estudantes, familiares, professores e até a direção do colégio ficaram fora do processo.
A instituição oferece ensino médio há quase quatro décadas. Por isso, os representantes estudantis demonstram preocupação com as consequências da mudança.
Entretanto, a Seed-PR ainda precisa esclarecer oficialmente o cronograma, os critérios da reorganização e o número de estudantes que a medida poderá atingir.
Fechamento do ensino médio preocupa estudantes que trabalham
A UMES e o Grêmio Estudantil destacam a realidade socioeconômica dos alunos do Colégio Estadual Sílvio Magalhães de Barros.
Segundo as entidades, a escola atende jovens de uma região periférica de Maringá. Muitos precisam trabalhar para ajudar no sustento familiar.
Além disso, parte dos estudantes enfrenta jornadas em escala 6×1. Dessa forma, esses jovens precisam conciliar emprego, aulas e preparação para o ensino superior.
A transferência para outra instituição poderá aumentar o tempo de deslocamento. Consequentemente, alguns estudantes poderão enfrentar dificuldades para manter a rotina escolar.
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Outro problema envolve a modalidade de ensino. Conforme a nota, o CEEP oferece exclusivamente cursos técnicos.
Nesse sentido, os representantes estudantis questionam se a mudança permitirá que todos continuem seus projetos educacionais.
As entidades também alertam para o risco de evasão escolar. Afinal, alguns jovens poderão abandonar os estudos caso não consigam adaptar seus horários à nova realidade.
UMES denuncia falta de diálogo na decisão
A ausência de consulta à comunidade escolar representa outro ponto central da manifestação.
Segundo a UMES, a Secretaria da Educação não ouviu estudantes, pais, professores nem a direção do colégio antes de definir a mudança.
Por esse motivo, as entidades questionam a transparência do processo e defendem maior participação da comunidade.
A Constituição Federal estabelece, no artigo 206, inciso VI, a gestão democrática como um dos princípios do ensino público.
Da mesma forma, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) prevê mecanismos de participação da comunidade escolar.
Entretanto, a análise de eventual descumprimento dessas normas exige conhecimento dos procedimentos que a Secretaria efetivamente adotou.
Diante dessa situação, a UMES e o Grêmio reivindicam a suspensão do processo de fechamento das turmas.
Além disso, defendem uma assembleia, um referendo e a divulgação dos critérios administrativos e pedagógicos que fundamentam a reorganização.
Dados oficiais apontam 17 turmas e 523 matrículas
Uma consulta ao sistema oficial da Secretaria de Estado da Educação, com dados de 6 de outubro de 2026, registra 17 turmas e 523 matrículas no ensino médio do Colégio Estadual Sílvio Magalhães Barros.
Entretanto, a nota das entidades menciona o fechamento de 11 turmas.
Portanto, a diferença entre os números exige esclarecimentos sobre quais classes poderão sofrer alterações.
Também é necessário identificar quantos alunos terão de mudar de escola e quais alternativas estarão disponíveis.
Além disso, a Secretaria precisa explicar se a reorganização atingirá todas as turmas ou apenas parte delas.
Os interessados podem consultar os dados no sistema oficial Consulta Escolas, do Governo do Paraná.
Secretaria da Educação estuda reorganização escolar em Maringá
Em 6 de outubro de 2026, a Secretaria de Estado da Educação apresentou informações sobre uma possível reorganização da rede estadual em Maringá.
Conforme publicação do jornalista Angelo Rigon, o Núcleo Regional de Educação estudava mudanças na oferta de ensino fundamental e médio.
Segundo a posição institucional divulgada, a proposta busca otimizar a estrutura escolar e qualificar o atendimento aos estudantes.
Entretanto, essa manifestação não esclarece todos os pontos relacionados ao Colégio Estadual Sílvio Magalhães de Barros.
Por exemplo, ainda faltam informações específicas sobre o destino das turmas, as condições de transporte e a disponibilidade de vagas.
Além disso, a comunidade precisa saber se os estudantes poderão continuar no ensino médio regular ou se enfrentarão mudanças na modalidade de ensino.
Estudantes exigem transparência e participação
A UMES-Maringá e o Grêmio Estudantil Avança Juventude defendem a participação da comunidade escolar nas decisões sobre o futuro do colégio.
Por isso, as entidades apresentam três reivindicações principais: suspensão do fechamento das turmas, consulta à comunidade e transparência sobre os critérios da medida.
Além disso, os representantes estudantis afirmam que pretendem manter a mobilização de maneira organizada e pacífica.
Para as entidades, a discussão ultrapassa a reorganização administrativa da rede estadual.
Afinal, o fechamento das turmas poderá afetar diretamente a rotina de estudantes que dependem do ensino público para continuar sua formação.
Nesse contexto, os esclarecimentos da Secretaria da Educação serão fundamentais para avaliar as consequências da medida.
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Confira a nota de repúdio da UMES na íntegra
O Diário de Maringá reproduz integralmente a manifestação da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Maringá e do Grêmio Estudantil Avança Juventude.
NOTA DE REPÚDIO DA UMES SOBRE O FECHAMENTO DO ENSINO MÉDIO NO COLÉGIO ESTADUAL SÍLVIO MAGALHÃES DE BARROS
A União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Maringá (UMES-Maringá) e o Grêmio Estudantil Avança Juventude manifestam seu mais veemente repúdio ao fechamento de todas as turmas de ensino médio do Colégio Estadual Sílvio Barros, que oferta essa etapa há quase quatro décadas.
O Sílvio Barros é um colégio periférico, onde a maioria dos estudantes trabalha e depende desse trabalho para pagar as contas e colocar comida na mesa. A UMES, o Grêmio e seus representantes ouvem com frequência como é difícil conciliar estudo, preparação para o ensino superior e um emprego, muitas vezes em escala 6×1 e com carga horária desumana. Ainda assim, esses estudantes se mostram engajados no movimento estudantil e na defesa da educação e dos direitos estudantis, e demonstram capacidade de organização para lutar por aquilo que consideram seu maior bem: a educação.
Veio a público a notícia de que a SEED, com a anuência do NRE, decidiu encerrar, a médio prazo, todas as 11 turmas de ensino médio do colégio, transferindo os estudantes para o CEEP, que fica em outro bairro e oferta exclusivamente ensino técnico. Nenhuma parte da comunidade escolar foi ouvida: nem alunos, nem pais, nem professores, nem a direção. A decisão foi imposta de cima para baixo, sem diálogo, o que contraria o princípio da gestão democrática do ensino público, previsto na Constituição Federal (art. 206, VI) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
Para quem precisa conciliar trabalho e estudo e almeja uma vaga na universidade, a medida é um golpe duro. Cursar o ensino técnico, mais longe de casa e do trabalho, reduz ainda mais o acesso dos estudantes da escola pública ao ensino superior. Muitos poderão simplesmente abandonar os estudos, por não conseguirem se adaptar ao novo formato e à nova distância.
A UMES-Maringá, o Grêmio Estudantil Avança Juventude e os estudantes do Colégio Estadual Sílvio Barros reivindicam:
- A suspensão de qualquer processo relacionado ao fechamento das turmas de ensino médio;
- A realização de uma assembleia de escuta e de um referendo, para que toda a comunidade escolar seja ouvida;
- A garantia de um processo transparente e democrático, com ampla divulgação das informações e dos critérios da decisão.
Deixamos claro: não aceitaremos esta decisão calados. Os estudantes responderão da forma que o Sílvio Barros sempre soube fazer: de maneira organizada, pacífica e combativa. Pois, no nosso ensino médio e no nosso futuro, ninguém mexe!



