Maringá FC sobe para a Série B, mas patrocínio da OnilX levanta uma pergunta: e quem perdeu dinheiro?
Enquanto o Maringá comemora o acesso histórico à segunda divisão nacional, denúncias de prejuízos envolvendo a OnilX, associada à imagem do clube, exigem esclarecimentos sobre a continuidade da parceria comercial.
Por Gilmar Ferreira | O Diário de Maringá | 11 de outubro de 2026
O Maringá Futebol Clube conquistou, neste sábado (10), uma das maiores vitórias de sua história. A equipe derrotou o Floresta por 2 a 0, no Estádio Regional Willie Davids, garantiu o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro de 2027 e assegurou presença na final da Série C.
Ronald Camarão e Paulinho marcaram os gols da vitória, ambos no segundo tempo. O resultado levou milhares de torcedores à comemoração e consolidou o crescimento do clube no futebol nacional.
Bem Paraná
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A conquista merece reconhecimento. Jogadores, comissão técnica, dirigentes, funcionários e torcedores participaram de uma trajetória que colocou Maringá entre as equipes das duas principais divisões do futebol brasileiro.
Entretanto, enquanto a cidade celebra o resultado dentro de campo, uma questão fora das quatro linhas precisa de esclarecimentos: como fica a relação do Maringá Futebol Clube com a OnilX, empresa associada à marca do time e alvo de graves reclamações de investidores?
Enquanto o Maringá comemora, investidores relatam prejuízos
A OnilX ganhou visibilidade por sua associação ao Maringá FC, incluindo a presença de sua marca nos uniformes da equipe. A parceria aproximou a empresa de uma instituição esportiva que conquistou respeito e identificação com a população.
Por outro lado, a empresa enfrenta denúncias de atrasos e dificuldades na devolução de recursos de clientes.
Em setembro, o jornalista Angelo Rigon divulgou informações sobre reclamações de investidores. Uma das reportagens mencionou a estimativa de até 30 mil pessoas potencialmente prejudicadas, número que não deve ser tratado como quantidade oficialmente confirmada de vítimas.
Entre os relatos divulgados está o de um investidor residente na Itália que afirmou ter aplicado R$ 265 mil e permanecer com R$ 110 mil bloqueados desde junho.
Angelo Rigon
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São situações que ultrapassam os números de uma operação financeira.
Para muitas famílias, recursos destinados a investimentos representam anos de trabalho, economias acumuladas e planos para a aposentadoria. Quando esse dinheiro fica indisponível, as consequências podem atingir o sustento e o futuro de quem confiou na empresa.
É necessário distinguir os relatos de prejuízo, que exigem apuração individual, de uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade jurídica da OnilX.
CVM adotou medidas contra o grupo OnilX
A situação também chegou ao órgão federal responsável pela fiscalização do mercado de valores mobiliários.
Em janeiro de 2026, a Comissão de Valores Mobiliários divulgou alerta sobre a atuação do grupo Onil ou OnilX e de empresas relacionadas. Segundo a autarquia, havia indícios de oferta de serviços envolvendo valores mobiliários sem a autorização exigida.
A CVM expediu o Ato Declaratório nº 24.680, determinando a suspensão das ofertas de intermediação de valores mobiliários abrangidas pela medida.
Posteriormente, em abril, o colegiado da CVM ajustou os limites da determinação por meio do Ato Declaratório nº 25.300. O órgão esclareceu que a restrição não alcança atividades regulares de intermediação de criptoativos que não constituam valores mobiliários.
Portanto, a medida não representa uma proibição geral de todas as atividades da empresa nem uma condenação criminal. Ainda assim, constitui um fato relevante que precisa ser considerado na avaliação da parceria comercial.
Comissão de Valores Mobiliários
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O Maringá FC precisa esclarecer a continuidade do patrocínio
O Maringá Futebol Clube não pode ser responsabilizado automaticamente pelos problemas financeiros atribuídos a uma empresa patrocinadora. São pessoas jurídicas distintas, com obrigações e responsabilidades próprias.
Entretanto, a utilização da marca de uma empresa no uniforme de um clube envolve mais do que publicidade. Também representa uma associação de imagem perante torcedores, consumidores e potenciais clientes.
Por isso, a direção do Maringá FC precisa esclarecer publicamente algumas questões.
O contrato com a OnilX continua em vigor? A empresa mantém pagamentos ao clube? A direção tomou conhecimento das reclamações dos investidores e das medidas da CVM? Houve alguma reavaliação da parceria diante desses acontecimentos?
Outra questão merece atenção: o clube pretende manter a marca da OnilX em seu uniforme durante a Série B de 2027?
São perguntas legítimas, especialmente porque a exposição nacional da equipe tende a crescer com o acesso.
O Diário de Maringá considera importante que o clube apresente esclarecimentos, sem que isso signifique antecipar qualquer conclusão sobre irregularidade contratual ou responsabilidade pelos prejuízos alegados.
Uma camisa vitoriosa também carrega responsabilidades de imagem
O futebol representa sonhos, pertencimento e identidade. Para muitos torcedores, vestir a camisa do Maringá significa demonstrar orgulho pela cidade.
Por isso, a associação comercial com empresas que enfrentam questionamentos públicos pode produzir um contraste desconfortável.
De um lado, está uma equipe que venceu dentro de campo e conquistou seu espaço na Série B. Do outro, existem pessoas que relatam dificuldades para recuperar recursos confiados à OnilX.
O sucesso esportivo do Maringá não elimina o direito dessas pessoas de buscar respostas. Da mesma forma, as denúncias contra a patrocinadora não diminuem o mérito dos atletas ou a conquista da torcida.
A questão é de transparência e responsabilidade institucional.
O Maringá precisa preservar sua credibilidade, construída ao longo de anos, e demonstrar como avalia os riscos de imagem relacionados aos seus parceiros comerciais.
A vitória merece festa, mas os investidores também merecem respostas
A cidade tem motivos para comemorar. O Maringá FC alcançou um resultado histórico, ampliou sua projeção nacional e abriu uma nova etapa de sua trajetória.
Entretanto, a festa não deve servir para deixar de lado os questionamentos sobre a OnilX.
Quem relata ter perdido acesso às próprias economias precisa de informações concretas sobre a situação dos recursos e sobre as possibilidades de recuperação.
A OnilX deve prestar esclarecimentos aos clientes e responder aos questionamentos relacionados às suas operações. Já o Maringá FC deve explicar os critérios adotados para manter, rever ou encerrar a associação comercial.
O Maringá ganhou dentro de campo. Mas, enquanto torcedores comemoram o acesso, há investidores que ainda procuram respostas sobre o dinheiro que afirmam não conseguir recuperar.
Uma camisa que agora representa uma conquista histórica merece estar associada à transparência. O acesso à Série B é motivo de orgulho. A situação da OnilX, por sua vez, continua exigindo esclarecimentos.
Nota da redação: A imagem utilizada nesta matéria é meramente ilustrativa e registra um momento de descontração durante as comemorações pela vitória do Maringá Futebol Clube. Na fotografia, aparecem José Carlos Barbieri, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM), e João Victor Mazzer, presidente do clube. A utilização da imagem não implica qualquer relação dos retratados com os fatos e questionamentos abordados na reportagem.



