Pneumonia não é uma doença única: entenda quais vacinas ajudam na prevenção



Pneumonia não é uma doença única: entenda quais vacinas ajudam na prevenção

Pneumococo é uma das causas mais conhecidas, mas infecções por influenza, Covid-19 e outros vírus também podem levar a complicações pulmonares

Quando se fala em prevenção da pneumonia, é comum ouvir a expressão “vacina da pneumonia”. Mas a definição pode levar a uma interpretação equivocada: pneumonia não é uma única doença provocada por um único agente. Diferentes bactérias e vírus podem causar infecções que atingem os pulmões ou evoluir para complicações respiratórias, e é por isso que a prevenção também envolve diferentes vacinas.

Entre os principais agentes está o pneumococo (Streptococcus pneumoniae), bactéria capaz de provocar pneumonia e também outras doenças graves, como meningite e infecções na corrente sanguínea. Atualmente, estão disponíveis no Brasil vacinas pneumocócicas conjugadas que protegem contra diferentes sorotipos da bactéria. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda a VPC20 como rotina para pessoas a partir dos 50 anos, além de haver indicações específicas para crianças e pessoas com determinadas condições de saúde.



“A expressão ‘vacina da pneumonia’ acabou se popularizando, mas é importante entender que nenhuma vacina protege contra todas as pneumonias. As pneumocócicas protegem contra determinados tipos de pneumococo. Ao mesmo tempo, outras vacinas ajudam a evitar infecções que também podem comprometer o sistema respiratório e evoluir para quadros mais graves”, explica Elisa Lino, enfermeira especialista em vacinação da Clínica Vacinne.

Proteção vai além do pneumococo

Influenza e Covid-19 também merecem atenção quando o assunto é prevenção de complicações respiratórias. A vacinação contra essas doenças reduz o risco das formas graves das respectivas infecções e integra a estratégia de proteção, especialmente entre pessoas mais vulneráveis. “Uma gripe não deve ser banalizada, principalmente em idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas. Em alguns pacientes, uma infecção viral pode abrir caminho para complicações e até para uma infecção bacteriana secundária. Por isso, quando falamos em prevenção de pneumonia, precisamos olhar para a carteira de vacinação como um todo”, afirma Elisa.

A doença pneumocócica pode atingir pessoas de diferentes idades, mas alguns grupos apresentam maior risco de formas graves. Além dos extremos de idade, entram nessa avaliação pessoas com determinadas doenças crônicas ou condições que comprometem a resposta imunológica. Uma novidade recente reforça a atenção para os idosos. Em setembro, o Ministério da Saúde ampliou no SUS o uso da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20) para pessoas com 85 anos ou mais. O imunizante oferece proteção contra 20 sorotipos do pneumococo.

Para Elisa, a atualização do calendário vacinal deve ser individualizada. “Não existe uma única recomendação que sirva para todo mundo. Idade, doenças preexistentes, vacinas já recebidas e condições que aumentam o risco precisam ser consideradas. Muitas vezes, a pessoa procura a clínica perguntando apenas pela vacina contra pneumonia e descobrimos que há outras imunizações importantes em atraso”, explica.

A orientação é especialmente relevante porque algumas vacinas precisam ser atualizadas periodicamente, como a influenza, enquanto outras seguem esquemas definidos conforme idade, histórico vacinal e condições de saúde. A SBIm recomenda, por exemplo, vacinação anual contra influenza para idosos e VPC20 em dose única como rotina nessa faixa etária, considerando também o histórico de vacinação pneumocócica de cada pessoa. “Mais importante do que procurar isoladamente uma ‘vacina da pneumonia’ é avaliar se a carteira está adequada para aquela fase da vida. A vacinação funciona como uma rede de proteção: diferentes imunizantes ajudam a prevenir diferentes infecções e, consequentemente, suas possíveis complicações”, completa Elisa.

TV Diário
Mirella Pasqual

Mirella Pasqual

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