Ratinho Junior e Ratinho viraram os “Mick Jagger” da política? Nem dinheiro, rádio e televisão garantiram a vitória nas urnas
Pai e filho apoiaram candidatos derrotados em 2026. Na disputa pelo governo do Paraná, Sergio Moro deu uma surra eleitoral em Sandro Alex, candidato de Ratinho Junior, com vantagem superior a 1,5 milhão de votos.
Por Gilmar Ferreira | O Diário de Maringá
O governador Ratinho Junior (PSD) e seu pai, o apresentador e empresário Carlos Massa, o Ratinho, estão sendo comparados aos “Mick Jagger” da política. A referência ao vocalista dos Rolling Stones, associado popularmente ao azar de equipes que apoia, ganhou força diante das derrotas eleitorais de candidatos ligados à família Massa.
Dinheiro, influência política e presença empresarial no rádio e na televisão não foram suficientes para garantir as vitórias esperadas.
Entre os candidatos apontados como apoiados pela família estão Xaropinho, que disputou uma vaga de deputado, e Darlan Scalco, candidato a deputado federal. Ambos não conseguiram se eleger.
Sergio Moro aplicou uma surra eleitoral no candidato de Ratinho Junior
A derrota mais contundente ocorreu na disputa pelo governo do Paraná.
Ratinho Junior apostou em Sandro Alex (PSD) para sucedê-lo no Palácio Iguaçu. Entretanto, Sergio Moro (PL) venceu no primeiro turno, com 3.127.911 votos, contra 1.583.764 de Sandro Alex.
A diferença chegou a 1.544.147 votos.
Moro recebeu 50,10% dos votos válidos, enquanto Sandro Alex ficou com aproximadamente 25,37%.
Foi uma derrota expressiva para o projeto de continuidade política do governador, que não conseguiu transferir sua suposta popularidade ao candidato escolhido.
Ratinho disse que comunicação é mais poderosa que dinheiro
A sequência de derrotas contrasta com uma declaração do apresentador Ratinho sobre o poder dos meios de comunicação.
Em um podcast, o empresário defendeu que quem controla meios de comunicação possui mais força do que quem dispõe apenas
de dinheiro.
Em outra manifestação, afirmou: “Quem ganha a guerra é quem tem a comunicação.”
Ratinho declarou, em 2024, que sua estrutura empresarial reunia 77 emissoras de rádio, entre próprias e afiliadas, além de seis emissoras de televisão.
Apesar desse alcance, os resultados eleitorais demonstram que influência econômica e presença na comunicação não garantem votos. A existência dessas empresas, por si só, não comprova seu uso irregular em campanhas.
Flávio Bolsonaro ganhou votos, mas Lula avançou ainda mais
No segundo turno presidencial, Ratinho Junior e seu pai apoiaram Flávio Bolsonaro (PL), que perdeu a eleição nacional para Lula (PT).
No Paraná, Flávio passou de 3.945.345 para 4.291.444 votos, crescimento de 346.099 votos.
Lula, entretanto, saltou de 2.054.597 para 2.566.504 votos, conquistando 511.907 votos adicionais.
Assim, o presidente ganhou 165.808 votos adicionais a mais que Flávio no Paraná, reduzindo a vantagem do adversário, embora tenha perdido no estado.
Afinal, quem manda nas urnas?
Ratinho Junior venceu duas eleições para governador. Seu pai construiu um patrimônio empresarial e uma rede de comunicação de alcance nacional.
Entretanto, a derrota de Sandro Alex por mais de 1,5 milhão de votos e o resultado da eleição presidencial colocaram em discussão a capacidade de transferência eleitoral da família Massa.
A comparação com Mick Jagger é uma provocação política, não uma explicação para as derrotas.
A ironia está na declaração do próprio Ratinho sobre o poder da comunicação. Pai e filho têm dinheiro, influência e presença no rádio e na televisão. Mas as urnas mostraram que nada disso garante a vitória de quem recebe seu apoio.



