É lamentável: em grupo administrado por deputados, imagem sugere fraude eleitoral sem apresentar provas

É lamentável: em grupo administrado por deputados, imagem sugere fraude eleitoral sem apresentar provas


Por Gilmar Ferreira | O Diário de Maringá

É lamentável que um grupo de WhatsApp administrado por políticos experientes tenha uma publicação que sugere fraude nas urnas eletrônicas sem apresentar qualquer prova.

A imagem aparece encaminhada por um contato identificado como “PR Lucio Tasso”, nome associado a Lúcio Mauro Tasso. Ele foi subchefe da Casa Civil do governo Ratinho Junior (PSD) e disputou, sem sucesso, uma vaga de deputado estadual em 2026.

A montagem apresenta uma caricatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) supostamente manipulando votos. Além disso, traz expressões como “abrir urnas”, “ajustar votos” e “garantir o poder”.



Embora a publicação tenha caráter de caricatura, seu conteúdo sugere manipulação eleitoral. Entretanto, a imagem não apresenta provas de qualquer irregularidade.

Deputados aparecem como administradores do grupo

O grupo de WhatsApp, denominado “Rumo à Vitória”, possui administradores conhecidos da política paranaense.

Conforme a captura de tela, aparecem nessa condição os deputados Adriano José, Márcio Nunes e Sandro Alex. Também consta o perfil “Equipe Sandro Alex”, identificado como assessoria do parlamentar.

São pessoas com experiência política, conhecimento das instituições e participação direta em processos eleitorais.

Por isso, chama a atenção que uma publicação dessa natureza circule em um ambiente político administrado por representantes públicos.

É importante destacar que administrar um grupo não significa concordar com todas as mensagens publicadas. Tampouco existem elementos que comprovem a participação desses parlamentares na elaboração ou no encaminhamento da imagem.

Entretanto, isso não impede um questionamento sobre a responsabilidade de quem administra espaços destinados ao debate político.

Lula e Flávio Bolsonaro pediram mais tempo para votação

Neste domingo (25), tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro (PL) solicitaram a ampliação do horário de votação.

A campanha de Lula apontou dificuldades no transporte público, especialmente problemas que poderiam prejudicar o deslocamento dos eleitores.

Já a campanha de Flávio Bolsonaro mencionou chuvas intensas, alagamentos, interdições de vias e dificuldades no fornecimento de energia elétrica.

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Portanto, os dois candidatos defenderam a ampliação do horário para permitir que mais brasileiros exercessem o direito ao voto.

A medida não representa evidência de manipulação eleitoral. Pelo contrário, o objetivo declarado dos pedidos foi garantir condições de participação aos eleitores afetados.

Pessoas instruídas deveriam ter mais responsabilidade

A política permite críticas, divergências e até sátiras. Contudo, existe uma diferença entre questionar adversários e alimentar suspeitas de fraude sem apresentar elementos concretos.

O que causa preocupação é observar esse tipo de conteúdo em um grupo administrado por pessoas que conhecem o funcionamento das instituições.

Estamos falando de parlamentares e integrantes de equipes políticas. São pessoas que participam de eleições, conhecem as regras e deveriam compreender a importância da informação responsável.

Naturalmente, ninguém pode controlar todas as mensagens encaminhadas em um grupo de WhatsApp. Porém, quem administra um espaço de discussão política também pode contribuir para evitar a circulação de informações enganosas.

A crítica não significa atribuir aos administradores a autoria ou a concordância com a publicação.

Significa apenas questionar se o debate político não merece um padrão mais elevado de responsabilidade.

O respeito à democracia precisa valer para todos

Não se trata de defender Lula, Flávio Bolsonaro ou qualquer partido. Trata-se de defender a responsabilidade com a informação.

Quem ocupa cargos públicos ou participa diretamente da vida política precisa compreender o peso de suas manifestações.

Afinal, uma acusação de fraude eleitoral não pode depender apenas de uma caricatura compartilhada nas redes sociais.

A captura de tela não comprova, isoladamente, que Lúcio Mauro Tasso tenha encaminhado a mensagem. Por isso, a identificação do responsável ainda precisa de confirmação.

Também seria importante conhecer a avaliação dos administradores sobre a publicação.

É lamentável que, em um ambiente formado por pessoas que se apresentam como preparadas para exercer funções públicas, uma suspeita tão grave apareça sem qualquer prova.

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A democracia exige respeito às instituições, mas também exige responsabilidade de quem participa do debate público.

E essa responsabilidade deveria começar justamente entre aqueles que conhecem as regras eleitorais e pedem a confiança da população.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira Jornalista, apresentador e mestre de cerimônias | MTB 0011341/PR Gilmar Ferreira construiu sua trajetória entre redações, estúdios de televisão, emissoras de rádio e eventos. Sua experiência reúne a apuração jornalística, a apresentação ao vivo e a condução de cerimônias, com atuação no Paraná e em Santa Catarina. Atualmente, é diretor de redação de O Diário de Maringá e atua como mestre de cerimônias em eventos no Paraná e SP. Na televisão, trabalhou como apresentador e âncora na TV Maringá (Band), RIC TV Maringá (Record), Record News (Rede Mercosul) e RTV 10 Maringá. Sua trajetória no rádio inclui passagens, no Paraná, pela Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Em Santa Catarina, atuou na Rádio Menina FM e na Rádio Globo AM, em Blumenau. Em cada formato, Gilmar leva a experiência de quem conhece a notícia desde a apuração até o momento de comunicá-la ao público.

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