AVC em jovens: traumas leves no pescoço podem causar acidente vascular cerebral

AVC em jovens: traumas leves no pescoço podem causar acidente vascular cerebral


O acidente vascular cerebral (AVC) costuma ser associado a pessoas mais velhas, com problemas como pressão alta, diabetes ou colesterol elevado. No entanto, uma causa específica e perigosa tem acendido o alerta dos neurologistas para casos de AVC em jovens e adultos em plena idade produtiva: a dissecção arterial cervical. Trata-se de uma espécie de “rasgo” na parede das artérias do pescoço que levam sangue ao cérebro, uma condição que exige diagnóstico rápido para evitar sequelas graves ou morte.

A dissecção é responsável por até 25% dos casos de AVC isquêmico em pessoas com menos de 50 anos, consolidando-se como uma das principais causas de AVC nessa faixa etária. Na população geral, estima-se que a incidência anual seja de aproximadamente 2,6 a 3 casos para cada 100.000 habitantes. “O aumento da incidência do AVC em pessoas com menos de 50 anos é algo que vem chamando muita atenção e reforça a importância de conhecer os fatores de risco e os sinais da doença”, explica a coordenadora do Time de AVC do Hospital INC, a neurologista Dra. Vanessa Rizelio.

Esse tema e outros relacionados ao AVC, como prevenção e importância do atendimento rápido e especializado, serão tema da roda de conversa com médicos especialistas do Instituto de Neurologia e Cardiologia de Curitiba (Hospital INC), nesta quinta-feira, dia 29 de outubro.  A iniciativa busca ampliar o acesso da sociedade ao conhecimento e às formas de prevenção dasdoenças neurológicas e cardiovasculares. O evento será realizado na filial INC Imagem, no Centro Médico do ParkShoppinBarigüi, às 18h30, é aberto ao público e tem inscrição gratuita.

O AVC é a principal causa de incapacidade provocada por sequelas neurológicas na população. Paralisias, perdas de sensibilidade, dificuldade na fala, perda de visão, desequilíbrio ou dificuldade de locomoção e falhas na memória são algumas das sequelas que podem afetar as vítimas. O Hospital INC mantém um programa pioneiro de atendimento 24 horas aos casos de AVC, há mais de 20 anos, com equipe multidisciplinar e suporte avançado em neurologia, neurocirurgia, hemodinâmica e diagnóstico por imagem.



Pequenos movimentos, grandes riscos

A neurologista Vanessa Rizelio explica que “a dissecção ocorre quando as camadas internas da artéria carótida ou vertebral se separam, permitindo que o sangue se acumule ali e forme um coágulo. Esse coágulo pode entupir o vaso ou se desprender e viajar até o cérebro, interrompendo o fluxo sanguíneo, o que desencadeia os sintomas do AVC”.

As causas variam desde grandes acidentes até situações corriqueiras. Especialistas dividem os fatores em três grupos, sendo o primeiro deles os traumas graves, frutos de impactos de alta energia, como acidentes automobilísticos ou quedas graves. Os traumas menores são movimentos abruptos ou pressões contínuas no pescoço. Isso inclui a manipulação cervical inadequada, como quiropraxia sem indicação médica, a prática de esportes de contato (lutas, futebol) ou com pesos muito elevados acima da cabeça (crossfit), andar de montanha-russa, tosses ou espirros muito violentos, e até mesmo a posição estendida do pescoço no lavatório do salão de beleza.

O terceiro grupo que pode provocar a dissecção arterial engloba os fatores genéticos e médicos. Como é o caso de algumas pessoas que possuem uma fragilidade natural nas paredes dos vasos sanguíneos devido a doenças do tecido conjuntivo, como a Síndrome de Ehlers-Danlos ou Marfan, ou hipertensão crônica.

Sinais de alerta

Diferente do AVC clássico que acontece de forma súbita, os sintomas da dissecção arterial cervical podem evoluir ao longo de horas ou dias. Os principais sinais de alerta são: dor de cabeça ou no pescoço incomum. “Uma dor súbita e persistente, localizada em apenas um lado da cabeça ou na região da nuca ou pescoço, que não passa com analgésicos”, explica Dra Vanessa Rizelio, destacando a Síndrome de Horner, outro sintoma caracterizado pela queda da pálpebra e diminuição da pupila em apenas um dos olhos. É preciso ficar atento também à zumbido no ouvido, como um som pulsante, que acompanha o ritmo dos batimentos cardíacos além o sintomas clássicos de AVC: perda de força ou formigamento em um lado do corpo, boca torta, dificuldade para falar ou compreender a fala, perda de visão em um olho, tontura e perda de equilíbrio.

O que fazer em caso de suspeita?

A orientação é não esperar a dor passar e não tomar medicamentos por conta própria. No AVC, “tempo é cérebro”, ou seja, cada minuto sem circulação sanguínea adequada destrói milhões de neurônios. “Recomendamos que se procure atendimento médico especializado imediato, ou ligue para o SAMU quando não conhecer centros de tratamento ao AVC. Também é muito importante monitorar o horário exato em que os primeiros sintomas começaram, e evitar massagear ou movimentar bruscamente o pescoço da pessoa afetada”, alerta.

De acordo com a neurologista, o diagnóstico precoce feito por exames de imagem (como a angiotomografia ou angioressonância) e o início rápido do tratamento com anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários reduzem drasticamente o risco de um AVC definitivo e salvam vidas.

SERVIÇO

Roda de conversa – Acidente Vascular Cerebral

Data: 29 de outubro de 2026, às 18h30

Local: Filial INC Imagem – Centro Médico do ParkShoppinBarigui –  Piso L3 (R. Prof. Pedro Viriato Parigot Souza, 600)

Inscrição: gratuita, por meio do link eventosinc.com.br

Sobre o Hospital INC

O Instituto de Neurologia e Cardiologia de Curitiba (INC) é uma instituição hospitalar de referência no atendimento de pacientes neurocirúrgicos, neurológicos e cardiológicos de alta complexidade. Possui Centros de Tratamento completos em Tumores Cerebrais, AVC, Parkinson, Epilepsia, Doenças da Coluna, Neuroimunologia, Demência, além de áreas de cardiologia clínica, hemodinâmica e cardiologia intervencionista e cirurgia cardíaca. O centro neurocirúrgico é o mais tecnológico do país, sendo pioneiro na América Latina com a Ressonância Magnética intraoperatória de alto campo e no uso do corante 5-ALA em cirurgias de tumores cerebrais. Também foi o primeiro hospital do Brasil a contar com a tecnologia Gamma Knife Perfexion (cirurgias cerebrais sem corte). Seu corpo clínico é composto por mais de 300 profissionais responsáveis pelo atendimento a pacientes de todo o Brasil e de diversos países da América Latina. É o único centro de neurooncologia credenciado pela Sociedade Alemã de Câncer fora da Europa.

O Serviço de Cardiologia conta com todas as subespecialidades e tem um dos laboratórios mais modernos e bem equipados do Brasil, sendo referência no tratamento da doença coronária complexa, como oclusões crônicas, com uso de técnicas avançadas de imagem, como a Tomografia de Coerência Optica (OCT). É também referência no tratamento transcateter de cardiopatias estruturais, como o implante transcateter de válvula aórtica (TAVI), plastia mitral transcateter (MitraClip), procedimentos de “Valve-in-valve” e de doenças congênitas, como o fechamento do forame oval patente (FOP). O Serviço de Cirurgia Cardíaca é referência nacional, sobretudo em técnicas específicas, como plastia mitral, aórtica e cirurgia de Ross.

O INC também é um hospital-escola, com o Centro de Estudos e Pesquisas integrado à instituição. É referência em Residência Médica nas áreas de anestesiologia, neurologia, neurocirurgia, cardiologia e cirurgia cardíaca. Além disso, o Centro de Educação Profissional INC (CEPI) forma, desde 2021, técnicos em enfermagem e está em constante expansão na formação de novos profissionais.

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Redação O Diário de Maringá

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