Método Paraná: muita pirotecnia e pouca solução para os problemas reais
A queima de fogos durou 15 minutos, enquanto a falta de água em Guaratuba já se arrasta há quatro dias
O governo de Ratinho Junior transformou a política de comunicação em um espetáculo permanente. A pirotecnia virou método. Eventos, anúncios, imagens bem produzidas e discursos otimistas ocupam espaço nobre na propaganda oficial, enquanto problemas estruturais seguem sem solução. O Paraná que aparece na televisão não é o mesmo vivido por grande parte da população.
O caso da rodovia PR-317, no trecho entre Maringá e Iguaraçu, é emblemático. Uma estrada marcada por acidentes e que já custou vidas recebeu, do governo, uma resposta burocrática e conveniente. Ao ser confrontada com falhas graves, a gestão estadual limitou-se a afirmar que a empresa contratada era ruim e, diante da informação de que trabalhadores não tiveram o FGTS depositado, simplesmente lavou as mãos, tentando se eximir de responsabilidade.
Essa postura não se sustenta do ponto de vista administrativo nem legal. Empresas que prestam serviços ao poder público só recebem se estiverem com certidões trabalhistas, fiscais e previdenciárias em dia. Se houve pagamento, houve falha de fiscalização. O Estado não pode se comportar como vítima de seus próprios contratos. Transferir a culpa para terceiros é, no mínimo, admitir que o controle falhou.
A mesma lógica aparece no litoral. Em Guaratuba, enquanto o governo comemorava com grande queima de fogos uma ponte ainda em construção, transformando obra pública em palco político e vitrine administrativa, a população enfrentava dias sem abastecimento de água. O contraste é simbólico. Luzes no céu e torneiras secas nas casas.
Ainda assim, a resposta oficial segue sendo mais propaganda. Nos próximos dias, é previsível que o governo intensifique a pirotecnia para tentar reduzir os danos provocados pelos áudios divulgados, que apontam suposto caixa dois e um modelo de arrecadação envolvendo cargos de confiança para quitar dívida de campanha. Em vez de esclarecimentos objetivos, a aposta parece ser no barulho, na distração e na tentativa de mudar o foco.
O problema é que nem toda bomba pode ser abafada com fogos de artifício. Áudios não se apagam com comerciais, nem suspeitas graves se resolvem com eventos midiáticos. Se o Paraná pretende, de fato, ser exemplo para o Brasil, o governo precisa fazer mais do que encenar eficiência. Precisa explicar, fiscalizar, corrigir e assumir responsabilidades.
O chamado “Método Paraná” revela-se, cada vez mais, como um modelo de encobrimento pela propaganda. Muita pirotecnia, muita encenação e pouco compromisso com o básico. Governar não é produzir espetáculo. Governar é garantir estrada segura, água nas torneiras, contratos fiscalizados e respeito ao dinheiro público. Enquanto isso não acontecer, a distância entre o discurso oficial e a realidade continuará sendo o maior problema do Paraná.



