Pirotecnia do governo Ratinho Junior e Guto Silva esconde colapso do SAMU em Paranaguá

Pirotecnia do governo Ratinho Junior e Guto Silva esconde colapso do SAMU em Paranaguá

Enquanto o governo do Paraná investe em propaganda, eventos festivos e discursos otimistas, a realidade enfrentada pela população de Paranaguá, a 13ª maior cidade do estado, com cerca de 157 mil habitantes, expõe falhas graves em um serviço básico e essencial: o atendimento de urgência e emergência do SAMU.

Paranaguá iniciou 2026 praticamente sem ambulâncias em condições adequadas de operação. Embora o município seja responsável pela frota do SAMU local, o cenário revela abandono, falta de gestão e ausência de fiscalização efetiva por parte do Estado, que também tem responsabilidade direta na garantia do funcionamento do sistema de saúde regional.

Frota sucateada e população em risco

A situação é alarmante. O município deveria contar com duas ambulâncias de Suporte Básico e uma de Suporte Avançado. Na prática, as duas ambulâncias básicas estão fora de operação devido a problemas mecânicos. A única ambulância de suporte avançado segue em funcionamento, porém apresenta falhas recorrentes, inclusive no sistema de freios.

Com isso, Paranaguá chegou a ficar sem nenhuma ambulância básica disponível. Em diversas ocorrências, foi necessário deslocar uma ambulância do município de Morretes para atender chamados em Paranaguá, deixando Morretes completamente desassistida. O tempo de deslocamento, entre 30 e 35 minutos, ajuda a explicar a demora nos atendimentos e agrava quadros clínicos que exigem resposta imediata.

Escala médica desorganizada e gasto desnecessário de recursos públicos

Além dos problemas estruturais, há distorções graves na gestão da escala médica. Atualmente, há médicos sobrando na escala, com dois médicos concursados escalados simultaneamente em dias de semana, mesmo sendo necessário apenas um profissional por turno.

Em contrapartida, aos finais de semana, feriados e datas comemorativas, como Natal e Ano Novo, são escalados médicos terceirizados, gerando gastos desnecessários de dinheiro público. Isso ocorre porque médicos concursados não aceitam trabalhar nesses períodos, o que evidencia falha de gestão, ausência de critérios técnicos e desperdício de recursos que poderiam ser melhor aplicados no fortalecimento do serviço.

Falta de controle e riscos aos profissionais

As denúncias de desorganização administrativa se estendem às equipes operacionais. Profissionais são escalados de forma duplicada e, ao chegarem ao plantão, um deles é dispensado, mas recebe normalmente. Condutores frequentemente cumprem até 24 horas consecutivas de trabalho, sem descanso intrajornada, por absoluta falta de controle das escalas.

Em alguns dias faltam condutores; em outros, há excesso de profissionais, o que evidencia total ausência de planejamento. Essas falhas colocam em risco não apenas os trabalhadores, mas toda a população atendida, já que equipes exaustas e desorganizadas comprometem diretamente a segurança e a eficiência dos atendimentos.

Equipamentos obrigatórios inexistentes

As irregularidades também atingem os equipamentos. O ventilador de transporte da ambulância apresenta falhas frequentes. Em uma ocorrência recente, foi necessário emprestar o monitor com desfibrilador da aeronave Arcanjo 01, pois a ambulância não possuía marcapasso funcional.

A ambulância contratada para a Operação Verão, que deveria obrigatoriamente contar com esse equipamento conforme previsto em contrato, também não possuía, o que levanta indícios de possível irregularidade contratual. Há ainda ambulâncias operando sem giroflex, item obrigatório e essencial para a segurança em atendimentos de emergência no trânsito.

Responsabilidades ignoradas

No âmbito municipal, os responsáveis diretos são o prefeito Adriano Ramos e o secretário municipal de Saúde, Daniel Fangueiro. A coordenação da frota do SAMU está sob responsabilidade de Renata Britto, indicada politicamente, segundo relatos de bastidores, e que seria irmã de um vereador.

Entretanto, é impossível ignorar a responsabilidade do Estado. O secretário estadual de Saúde, Beto Preto, e o próprio governador Ratinho Junior não podem se eximir. Enquanto cidades do litoral enfrentam problemas básicos e estruturais na saúde pública, o governador permanece em Guaratuba, em meio a agendas festivas, jogos de beach tennis e queima de fogos, reforçando o abismo entre a propaganda oficial e a realidade vivida pela população.

Não se sabe se a omissão do governo estadual ocorre por conveniência política ou simples negligência administrativa. O fato é que, até o momento, os problemas seguem sem solução.

Propaganda não salva vidas

Em pleno período mais crítico do ano, com aumento expressivo da população no litoral, Paranaguá e cidades vizinhas seguem desassistidas em um serviço que deveria ser prioridade absoluta. A pirotecnia institucional não esconde a realidade de ambulâncias sucateadas, profissionais sobrecarregados, escalas mal geridas e vidas colocadas em risco diariamente.

A pergunta que permanece é simples e direta: quando o governo do Paraná vai trocar o discurso e os fogos de artifício por ações concretas que garantam o mínimo de dignidade e segurança à população?

Guto Silva e Ratinho Junior, joguem um pouco menos de beach tennis em Guaratuba e deem uma passada em Paranaguá. Esse seria, de fato, o melhor lance de vocês, porque assim estariam salvando vidas.

Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

Notícias de Maringá e região em primeira mão com responsabilidade e ética

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *