Veto é o caminho para Carlos de Paula ouvir a população, não a classe política

Veto é o caminho para Carlos de Paula ouvir a população, não a classe política

A aprovação, pela Câmara Municipal, do aumento dos salários do prefeito, do vice-prefeito, dos secretários municipais e dos vereadores, acompanhada da concessão de décimo terceiro salário e férias remuneradas, ocorreu em descompasso com o sentimento manifestado por parcela significativa da população. O tema mobilizou críticas, manifestações e apelos diretos ao Legislativo. Ainda assim, no plenário, apenas os vereadores Bianco e Thay Menegazze se posicionaram contrariamente à proposta.”

Com a deliberação do Legislativo concluída, a responsabilidade institucional desloca-se para o Executivo. O prefeito Carlos de Paula dispõe de um instrumento previsto na Constituição Federal e na Lei Orgânica do Município que não pode ser tratado como formalidade. O veto.

O veto não representa ruptura entre Poderes, tampouco afronta ao Legislativo. Trata-se de um mecanismo legítimo de equilíbrio institucional, acionado quando o chefe do Executivo entende que determinada norma contraria o interesse público, os princípios da administração ou o contexto social e econômico do município.

Vereador Bianco vota contra aumento de salários e benefícios de políticos em Sarandi

Em um cenário de restrições orçamentárias, cobranças por melhorias nos serviços públicos e crescente descrédito da população em relação à classe política, a ampliação de benefícios aos próprios agentes públicos agrava a percepção de distanciamento entre representantes e representados. A legalidade formal da proposta não elimina o debate sobre sua legitimidade política e moral.

Ao optar pelo veto, o prefeito devolve a matéria à Câmara Municipal de Sarandi, que será chamada a deliberar novamente. Nesse momento, cada vereador precisará assumir publicamente sua posição, agora diante de um gesto explícito do Executivo em resposta ao clamor social. O veto, nesse sentido, qualifica o debate e reforça a transparência do processo decisório.

A sanção, por outro lado, transfere integralmente ao Executivo o ônus político da medida. Ainda que juridicamente possível, sancionar a lei significa endossar uma decisão que encontrou resistência popular e que amplia a crise de confiança entre a sociedade e seus representantes.

Deputado faz críticas ao novo pedágio

Governar exige escolhas que vão além da conveniência institucional. Exige sensibilidade política, responsabilidade pública e capacidade de interpretar o momento histórico. Neste contexto, o veto deixa de ser apenas uma prerrogativa legal e passa a se configurar como um dever político diante da população.

O gesto não encerra o debate, mas o recoloca nos trilhos da legitimidade democrática. Afinal, o poder público existe para servir ao interesse coletivo e não para proteger privilégios.

Redação O Diário de Maringá

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